A cada quatro anos muitos brasileiros saem às ruas vestidos de verde e amarelo da cabeça aos pés, pintam ruas e calçadas, lotam bares e gritam de alegria ou tristeza a cada gol feito ou sofrido pela seleção brasileira de futebol. Sabemos os nomes de cada um dos jogadores, de onde vieram, em que clube atuam, quantos gols fizeram na temporada passada, na atual e xingamos o técnico se ele não é escalado.
Juliana foi nossa única medalhista de ouro. Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / FotoarenaTambém a cada quatro anos outras competições importantes acontecem com participação de uma delegação brasileira: os jogos olímpicos e o Pan Americano. Temos atletas em diversas modalidades, tanto coletivas quanto individuais, e a maioria de nós nem sabia que eles existiam até o início das disputas.
Não saímos às ruas para torcer, mas eventualmente acompanhamos alguma modalidade na TV ou lemos notícias na internet e nos jornais. E quando ficamos sabendo que um brasileiro não completou a prova, chegou em último ou não conquistou uma medalha, ficamos bravos, dizemos que ele amarelou ou que o Brasil foi para passear no evento.
Mas será que nós sabemos o quanto esses atletas lutaram para conquistar um lugar numa prova como essa? Alguém, além da mídia especializada, falou sobre os treinos, sobre locais de competição e sobre o quanto de investimento foi feito?
Por falar em mídia, é triste termos uma rádio especializada em esportes no dial do FM em São Paulo e no Rio e durante as competições do Pan ligarmos o rádio para ouvir discussões sobre impedimentos, falta, pênaltis, transferências de atletas, etc. Não aprendemos nada com o fiasco dos 7 a 1 e provavelmente não aprenderemos nunca.
Não é pessimismo, é o realismo de quem há dez anos luta todos os dias para conseguir a atenção do grande público com assuntos não futebolísticos. Por sorte temos leitores fiéis e que sabem os esforços que cada convocado da delegação brasileira faz para estar em provas internacionais.
Ubiratan foi último na maratona, mas comemorou como se fosse uma vitória. Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / FotoarenaEm uma das entrevistas ao Sportv após os 5.000m do Pan de Toronto, Altobeli da Silva disse que só o aquecimento dos atletas estrangeiros era diferente do dele. O que eu faço na base para a temporada é o que eles fazem para se aquecer. É preciso mais investimento nos atletas de fundo. Faltam pequenas coisas para brigarmos de igual para igual.
O Pan de Toronto não correspondeu às expectativas da CBAt (confederação Brasileira de Atletismo) e do COB (Comitê Olímpico do Brasil), já que a meta era superar as 23 medalhas obtidas em Guadalajara 2011. Em Toronto ficamos com 13, sendo apenas um ouro de Juliana Gomes, surpresa nos 5.000m.
Mas nem tudo está perdido e pequenas ações surgem para tentarmos mudar esse cenário. É o caso do portal Bikpek, do meu amigo Marcelo Laguna, um dos jornalistas que mais entendem de esportes olímpicos, que tem como objetivo descomplicar para as pessoas o esporte olímpico. Ou ainda o blog Brasil no Rio do jornalista do GloboEsporte.com, Guilherme Costa, que sempre foi um incentivador dos esportes não tradicionais.
Para nós, amantes dos esportes não futebolísticos, nos resta continuar fazendo nossa parte e torcer para que um dia esse pessoal tenha o devido reconhecimento….
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No triathlon também ficamos sem pódios. Foto: Rich Cruse/ Triathlon.orgEste texto foi escrito por: Alexandre Koda