Pode parecer estranho, mas vou escrever sobre futebol. Devido à Copa America, no Chile, creio não ter momento mais propício para desvendar uma das perguntas campeãs de audiência: corrida e futebol combinam?
Todos os meses aparecem corredores com vários questionamentos se podem ou não jogar seu querido futebol com os amigos e manter os treinos de corrida. Infelizmente, também aparecem corredores lesionados depois de um rachão. São lesões assustadoras: ligamentos rompidos ou distensões que duram meses para sarar.
No fim desta coluna tenho certeza que muitos leitores-corredores vão aproveitar minhas considerações para encontrar melhor maneira de aperfeiçoar os treinos e o desempenho na corrida e continuar a jogar futebol ou abandoná-lo de vez.
O corredor-futebolista deve ficar muito atento e concentrado para diminuir os riscos de lesões nas partidas Foto: Majorosl66/FotoliaNo treinamento e nos jogos de futebol trabalha-se força, resistência e velocidade. O bate-bola exige corridas intensas, aceleração e desaceleração com períodos de recuperação ativa ou passiva, variações de deslocamentos, que podem gerar fortalecimento das articulações, desenvolvimento da coordenação motora e estímulo da produção de células ósseas – bom motivo para as mulheres, mais suscetíveis à osteoporose. Esse esporte praticado de duas a três vezes por semana, e ainda complementado com sessões de musculação trará muitos benefícios para a saúde. Mas como combiná-los com os treinos de corrida?
Sou contra quando o futebol acontece esporadicamente ou uma vez por semana. Regularidade e disciplina são fatores primordiais para se obter sucesso nos esportes que pratica, portanto, não seria a forma mais recomendada. Sou a favor, mas com ressalvas, quando o futebol entra como complemento e no mínimo duas vezes semanais. Se você treina para provas acima dos 21 quilômetros, pare imediatamente com o futebol, pois um prejudica o desenvolvimento do outro.
O corredor-futebolista deve ficar muito atento e concentrado para diminuir os riscos de lesões nas partidas. Esse esporte coletivo, onde um quer ganhar do outro a qualquer preço, mesmo que custe uma paulistinha ou algo mais grave, é de contato e a ocorrência de choques com outros jogadores sempre existem. Se para os profissionais os problemas são inevitáveis, o que dizer de nós amadores? A lista de encrencas dentro das quatro linhas abrange desde distensões musculares até rupturas de tendão e fraturas. E haja coração! Doenças cardíacas que não se manifestam no dia-a-dia podem dar as caras na hora das jogadas, já que o órgão é sobrecarregado.
Não posso deixar de citar uma experiência própria. Numa fazenda com meus clientes, realizamos um treino de corrida e no final da tarde apareceu a bola de futebol. Quando percebi, os times estavam formados e por insistência de todos fui escalado como atacante. Com a posse da bola, num ataque fulminante, tinha que driblar um defensor para chutar em gol. Porém, levei um pisão no pé que fraturou meu dedão. Levei alguns pontos e bons meses sem correr.
A reflexão, que deve ser feita ao responder se corrida e futebol combinam, está em saber lidar com os riscos de lesões e o comprometimento em manter regularidade e eficiência. Portanto, não recomendo corredores que treinam para distâncias acima dos 21 a praticarem futebol. Mas, caso não tenha planos ambiciosos na corrida, não me oponho ao bate-bola. Só fique mais atento ao trabalho de fortalecimento muscular e não se esqueça de conversar com seu treinador.
Agora é ficar na torcida pelo hexacampeonato do Brasil nesta Copa America.
Este texto foi escrito por: Aulus Sellmer