Corredores vêm de todas as partes do país para correr a Patagônia Run

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 14 abr, 2015

A cidade de San Martin de Los Andes, na Patagônia argentina, se transformou numa “colônia” brasileira entre os dias 9 e 11 de abril. Isso porque 700 corredores canarinhos e seus respectivos acompanhantes desembarcaram na região para disputar a sexta edição da Patagônia Run, corrida de montanha que teve distâncias de dez, 21, 42, 70, 100 e 120 quilômetros.

Os primeiros a largar foram os ultramaratonistas. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Os primeiros a largar foram os ultramaratonistas. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Os primeiros a largar foram os ultramarotinistas da prova maior, às 21h30 de sexta-feira, na praça principal da cidade com uma temperatura na casa dos 15 graus. Com o avançar da madrugada a temperatura ambiente caía, mas a energia dos corredores estava a mil.

Postos de abastecimento – Os postos de abastecimento da corrida eram uma atração à parte, com a animação dos staffs incentivando cada corredor que chegava. Para repor as energias, além de água e isotônico, havia refrigerante, sopa quente, chá, café, diversos tipos de comidas e até empanadas.

As paisagens eram uma forma de manter a motivação. Foto: divulgação/ Fotos de Aventura As paisagens eram uma forma de manter a motivação. Foto: divulgação/ Fotos de Aventura

Muito chegavam aos postos batendo os dentes, já que a madrugada foi fria com temperaturas na marca dos oito graus e um amanhecer ainda mais gelado que transformou a grama verde em quase branca . Para aquecer o corpo havia fogueiras ou caldeirões com lenha. A altimetria era variada, com trechos de até 1.800 metros para os 120 quilômetros, por exemplo, mas segundo a maioria dos participantes o pior trecho foi a descida do Quilanlahue com terrenos irregulares e que exigiram muito da musculatura.

Mas o sofrimento foi compensado, já que as paisagens mudavam ao longo dos quilômetros, com pinheiros, travessias de rios, vegetação seca e a bela vista do lago. A chegada foi na cidade e mais uma vez com apoio total da comunidade, que foi torcer e aplaudir cada um dos concluintes. Alguns choravam, outros davam gritos de alívio ou beijavam o chão em forma de agradecimento, mas todos eram parabenizados e reconfortados um a um pelas staffs que entregavam as medalhas.

Os postos de abastecimento tinham diversos tipos de comida e bebida. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Os postos de abastecimento tinham diversos tipos de comida e bebida. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Os brasileiros vieram diferentes partes do país, como Francine Pires e Edna Bras, que representaram Leme (interior de São Paulo) nos 21 quilômetros. “O clima foi legal, mas os primeiros dez quilômetros eram pesados e com muita subida. Mas depois foi só controlar para descer. Com certeza voltarei ano que vem”, conta Francine. Já Edna elogia a organização do evento. “A prova estava muito bem organizada, o pessoal é bem acolhedor, mas as trilhas foram muito duras, principalmente as descidas”.

Ana Cecilia Ribeiro veio de Belo Horizonte para realizar um sonho. “Quando comecei a correr sempre pensava em fazer uma meia maratona aqui”, conta emocionada. “Confesso que mesmo morando em Minas onde há bastante subidas, não estou acostumada com tanta montanha, então sofri um pouco. Mas agradeço demais o carinho da cidade e certamente estarei aqui ano que vem”.

Ana teve a companhia da melhor amiga para a realização do sonho. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Ana teve a companhia da melhor amiga para a realização do sonho. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Claudia Pretti e Renata Duarte trocaram o calor de Vila Velha para estrearem no mundo das corridas nos dez quilômetros da Patagônia Run. “Adorei correr aqui e a paisagem era tão maravilhosa que a prova passou super rápido”, comenta Claudia. Já Renata diz que os obstáculos naturais foram a parte mais complicada. “A terra fofa complicou, assim como as subidas íngremes, a travessia do lago e ficar toda encharcada depois. Mas foi tudo de bom”.

Mila Goulart está acostumada ao frio, já que vive em Jaraguá do Sul (SC), então tirou de letra o clima patagônico. “Estava até quente para nós, então tiramos de letra”, brinca. “Foi uma prova maravilhosa, muito sofrida, mas valeu muito a pena e ano que vem volto para fazer os 42 quilômetros”, completa a meia maratonista.

Claudia e Renata vieram do calor de Vila Velha. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Claudia e Renata vieram do calor de Vila Velha. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Quem também veio do sul do Brasil foi o porto alegrense Marcos Scharnberg Neto para a disputa dos 42 quilômetros. “Essa foi minha primeira maratona de montanha e achei um espetáculo”, conta o campeão da categoria 60 anos+. “Estou treinando para a Comrades na África do Sul, então escolhi essa prova para fazer um treinamento mais forte”, explica.

Entre as emoções dos corredores que cruzavam a “meta”, como dizem os hermanos, uma garota de 17 anos chamava a atenção por não conseguir segurar as lágrimas. Era a argentina Valentina Ceballos que após 5h09min03 completava sua primeira maratona na vida.

Marcos usou a prova como treino para a Comrades. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Marcos usou a prova como treino para a Comrades. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

“Até mais da metade da prova fui muito bem, inclusive passando outros corredores. Mas os últimos dez quilômetros pareciam uma eternidade e só tive forças porque pensava no meu pai e nos meus amigos que me esperavam na chegada, além do meu treinador que estava correndo os 120 quilômetros”, desabafa. “Eu já estava sem pernas, mas não parei nunca e estou muito contente. Agora vou aproveitar para descansar e curtir um pouco a cidade de San Martin de Los Andes que é uma das mais bonitas da Patagônia”, completa a representante de General Roca (sul da Argentina) que de quebra faturou o primeiro lugar na categoria.

Os interessados em participar da edição 2016 já podem ficar de olho no site oficial (patagoniarun.com) porque em breve as inscrições estarão em abertas. O evento acontecerá entre os dias 8 e 9 de abril.

Valentina mesclava sorriso e lágrimas na chegada. Foto: Alexandre Koda/ Webrun Valentina mesclava sorriso e lágrimas na chegada. Foto: Alexandre Koda/ Webrun

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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