Doping natural: esse método realmente funciona?

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 07 abr, 2015

A maioria dos corredores quer correr cada vez melhor e mais rápido. Sentir-se menos cansado então, é o sonho de todo praticante de atividade física. Para isso, muitos recorrem ao chamado “doping natural”, que promete aumentar o desempenho do corpo legalmente.

O treino em altitude e a ingestão de alimentos com alto índice de cafeína são dois desses métodos, conhecidos principalmente por atletas e treinadores. A questão é: essas ferramentas fazem mesmo a diferença no desempenho?

Nas alturas

Período de adaptação é essencial para a prática do treino em altitude. Foto: Maridav/Fotolia Período de adaptação é essencial para a prática do treino em altitude. Foto: Maridav/Fotolia

De acordo com o Dr. Ricardo Zanuto, mestre em fisiologia humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, para treinar em altitude é necessário passar antes pelo período de adaptação, que no início pode gerar desconfortos como dor de cabeça e enjoo. “A pessoa deve treinar com baixo volume e intensidade, para aguentar a menor pressão parcial de oxigênio”, explica.

O tempo vai depender da altitude em que a pessoa se encontra. “Por exemplo, para uma altitude de 2.000 a 3.000 metros, leva-se de duas a três semanas, e quanto mais alto o tempo de aclimatação aumenta também”, argumenta o doutor.

Depois desse período de preparo, o praticante de corrida pode ter benefícios com essa prática, sendo importante frisar que isso varia de pessoa para pessoa. “O corpo tende a se adaptar à baixa pressão de oxigênio, criando mais hemoglobina, que é a responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Se a pessoa fez a aclimatação e corre uma prova em uma altitude baixa como ao nível do mar, seu desempenho tende a melhorar, pois o corpo irá transportar mais oxigênio para os músculos”, completa.

Apesar dos pontos positivos de correr em altitude, há também as desvantagens. É o que afirma o treinador Ronaldo Martinelli, sócio diretor da 5ways Coaching e consultor do grupo Bio Ritmo. Para ele, efeitos como a diferença de temperatura e possíveis lesões causadas pelo resfriamento do ar não devem ser ignorados. “Pode ser prejudicial por conta das condições de treino em altitude serem adversas e com isto pode se perder a qualidade ou rendimento nos treinos e consequentemente na performance geral”, explica o treinador.

Vai um cafezinho aí?

A quantidade de cafeína deve ser equilibrada. Foto: jacinta lluch valero/ Licença CC BY-SA 2.0 A quantidade de cafeína deve ser equilibrada. Foto: jacinta lluch valero/ Licença CC BY-SA 2.0

Segundo a nutricionista Andrea Matarazzo, especializada em nutrição aplicada ao exercício físico, a cafeína precisa ser bem administrada. “Ao mesmo tempo em que ela pode criar um estímulo, após seu tempo de ação há a queda do mesmo, então, em esportes de longa duração isso deve ser muito bem equilibrado”, explica.

Além disso, o atleta deve se atentar também à hidratação e não deixar de tomar água. “A cafeína também é uma substância que promove uma desidratação, portanto o consumo de líquidos deve ser muito bem planejado para que o atleta não fique desidratado”, alerta a nutricionista.

Já para o Dr. Marcelo Aragão, fisiologista do exercício e médico do esporte, a substância age no sistema nervoso central, aumenta o estímulo para a prática do exercício e reduz a fadiga. Mas é necessário que a dose seja controlada. “O recomendado como pré-treino é a ingestão de, no máximo, 90mg de cafeína ao dia”, enfatiza o doutor.

Regras básicas

É certo que independente do método utilizado, nada substitui uma avaliação médica prévia, além da alimentação balanceada, boa hidratação, ingestão de carboidratos, proteínas e treinos acompanhados por um profissional especializado. Esses fatores garantem um bom desempenho do praticante de corrida e o desenvolvimento de suas habilidades, tanto nos treinamentos quanto nas competições.

Este texto foi escrito por: Denise Duarte

Redação Webrun

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