A maioria dos corredores quer correr cada vez melhor e mais rápido. Sentir-se menos cansado então, é o sonho de todo praticante de atividade física. Para isso, muitos recorrem ao chamado doping natural, que promete aumentar o desempenho do corpo legalmente.
O treino em altitude e a ingestão de alimentos com alto índice de cafeína são dois desses métodos, conhecidos principalmente por atletas e treinadores. A questão é: essas ferramentas fazem mesmo a diferença no desempenho?
Nas alturas
Período de adaptação é essencial para a prática do treino em altitude. Foto: Maridav/FotoliaDe acordo com o Dr. Ricardo Zanuto, mestre em fisiologia humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, para treinar em altitude é necessário passar antes pelo período de adaptação, que no início pode gerar desconfortos como dor de cabeça e enjoo. A pessoa deve treinar com baixo volume e intensidade, para aguentar a menor pressão parcial de oxigênio, explica.
O tempo vai depender da altitude em que a pessoa se encontra. Por exemplo, para uma altitude de 2.000 a 3.000 metros, leva-se de duas a três semanas, e quanto mais alto o tempo de aclimatação aumenta também, argumenta o doutor.
Depois desse período de preparo, o praticante de corrida pode ter benefícios com essa prática, sendo importante frisar que isso varia de pessoa para pessoa. O corpo tende a se adaptar à baixa pressão de oxigênio, criando mais hemoglobina, que é a responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Se a pessoa fez a aclimatação e corre uma prova em uma altitude baixa como ao nível do mar, seu desempenho tende a melhorar, pois o corpo irá transportar mais oxigênio para os músculos, completa.
Apesar dos pontos positivos de correr em altitude, há também as desvantagens. É o que afirma o treinador Ronaldo Martinelli, sócio diretor da 5ways Coaching e consultor do grupo Bio Ritmo. Para ele, efeitos como a diferença de temperatura e possíveis lesões causadas pelo resfriamento do ar não devem ser ignorados. Pode ser prejudicial por conta das condições de treino em altitude serem adversas e com isto pode se perder a qualidade ou rendimento nos treinos e consequentemente na performance geral, explica o treinador.
Vai um cafezinho aí?
A quantidade de cafeína deve ser equilibrada. Foto: jacinta lluch valero/ Licença CC BY-SA 2.0Segundo a nutricionista Andrea Matarazzo, especializada em nutrição aplicada ao exercício físico, a cafeína precisa ser bem administrada. Ao mesmo tempo em que ela pode criar um estímulo, após seu tempo de ação há a queda do mesmo, então, em esportes de longa duração isso deve ser muito bem equilibrado, explica.
Além disso, o atleta deve se atentar também à hidratação e não deixar de tomar água. A cafeína também é uma substância que promove uma desidratação, portanto o consumo de líquidos deve ser muito bem planejado para que o atleta não fique desidratado, alerta a nutricionista.
Já para o Dr. Marcelo Aragão, fisiologista do exercício e médico do esporte, a substância age no sistema nervoso central, aumenta o estímulo para a prática do exercício e reduz a fadiga. Mas é necessário que a dose seja controlada. O recomendado como pré-treino é a ingestão de, no máximo, 90mg de cafeína ao dia, enfatiza o doutor.
Regras básicas
É certo que independente do método utilizado, nada substitui uma avaliação médica prévia, além da alimentação balanceada, boa hidratação, ingestão de carboidratos, proteínas e treinos acompanhados por um profissional especializado. Esses fatores garantem um bom desempenho do praticante de corrida e o desenvolvimento de suas habilidades, tanto nos treinamentos quanto nas competições.
Este texto foi escrito por: Denise Duarte