A liberação do exame do doping seria positiva?

Redação Webrun | Atletismo · 19 fev, 2015

Nos últimos anos grandes atletas têm sido pegos no controle antidopagem, assim esse assunto tem vindo a tona cada vez mais. É possível ser um atleta de alto desempenho sem uso de substâncias proibidas? Se tantos grandes corredores estão sendo pegos, o doping não poderia ser liberado para que fosse algo mais seguro? É possível ser um grande campeão sem o uso de doping?

Esse assunto, infelizmente, é algo antigo, quanto mais o esporte foi tornando-se ferramenta de promoção dos governos, como no caso da antiga Alemanha Oriental e movimentando cada vez mais fortunas, tudo ficou mais sofisticado. Diversas substâncias passaram a estar presentes no esporte, ao passo de atletas contarem com apoio médico em sua utilização cada vez mais difícil de ser detectado.

O doping é algo proibido, injusto e covarde, quem quiser estar no esporte tem que respeitar as regras, diz Nelson Foto: Schlierner/Fotolia O doping é algo proibido, injusto e covarde, quem quiser estar no esporte tem que respeitar as regras, diz Nelson Foto: Schlierner/Fotolia

Já escrevi aqui sobre controle antidopagem surpresa ou fora de competição, ferramenta das mais importantes e eficazes no combate deste mal. Muitos atletas mantém um ciclo de doping e mesmo se submetendo a vários testes acabam passando, pois praticam doping inteligente e altamente amparado pela ciência. Em alguns casos, fogem das competições aonde há controle ou simplesmente não chegam entre os primeiros para não serem testados. No caso dos exames fora de competição o atleta é pego de surpresa no meio de um treino, em sua casa ou em qualquer outro local, porém sem nenhum aviso.

Há uma teoria que o doping está sempre um passo a frente do controle. Infelizmente ela é verdadeira e por isso muitas performances mirabolantes continuam deixando suspeitas. Porém nos últimos tempos houve uma grande virada nesta mesa e atletas do mais alto calibre foram surpreendidos como: Tyson Gay (EUA) Campeão Mundial dos 100 e 200 metros e segundo melhor tempo nos 100 metros de todos os tempos, Liliya Shobukhova (Russia). Segunda maratonista mais rápida de todos os tempos, Rita Jeptto (Quênia), campeã da Maratona de Boston, Chicago e do Circuito de Majors Marathon. E agora o lutador brasileiro Anderson Silva que ficou invicto no MMA por simplesmente dez anos.

Enquanto alguns se sentem decepcionados e enganados por seus falsos ídolos, outros aproveitam para fazer uso do velho chavão de que no esporte de alto rendimento não há ninguém limpo. Mentira. Primeiro porque a maioria dos que afirmam isto não faz parte do mundo esportivo e nunca fez, além de não trabalhar ou conviver com os atletas.

Existem muitos atletas que se dopam e algumas modalidades isso é algo grosseiro sim. Mas colocar todos que são geneticamente privilegiados e ralam diariamente por anos para atingir o alto rendimento, é uma tremenda injustiça. Como desmerecer as vitórias de atletas limpos que se dedicam incansavelmente, muitas vezes visando uma única competição? É como afirmar que todos os políticos roubam e que todos os fiscais são corruptos.

Já com relação à liberação do doping penso que seria como liberar a corrupção. Uma vez que muitos corruptos estão espalhados por aí. Quem ganharia? O doping e seus adeptos. Quem perderia? O esporte e milhares de pessoas de bem que fazem dele algo tão espetacular. Aos esportistas limpos seria ainda mais desestimulante imaginar que não vale a pena tanto empenho e dedicação. Muitos optariam por outra profissão ou nem começariam a treinar.

Em um momento onde o controle antidopagem tem sido mais inteligente e eficaz, temos sim que comemorar e torcer para que este mal diminua cada vez mais. E não levantar a bandeira que envergonha a classe esportiva. O doping é algo proibido, injusto e covarde, quem quiser estar no esporte tem que respeitar as regras, quem quiser arriscar e fazer a coisa de forma errada deve pagar bem caro por isso.

Este texto foi escrito por: Nelson Evêncio

Redação Webrun

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