Saiba tudo sobre marcação de trilhas no Trail Run

Redação Webrun | Corrida de Montanha · 23 dez, 2014

Olá Trail Runner, tudo bem? Quem é que já não se perdeu em uma corrida trail? Pois é, uma das coisas que mais acontecem nesse tipo de prova é justamente se perder, mas de quem é a culpa afinal?

Obviamente, a responsabilidade principal é da organização em prover uma boa marcação, com fitas visíveis, refletivos que funcionem (à noite), utilização de cal ou giz em áreas urbanas ou mesmo o posicionamento de staffs em locais críticos.

Mas também é dever do corredor, ler o regulamento, ir ao congresso técnico, visualizar o percurso no Google Earth (quando disponível) e não correr o tempo todo de cabeça baixa como se estivesse numa corrida de rua.

Eu considero a ida ao congresso técnico, a principal medida para evitar se perder. Lá, o atleta tem a chance de tirar quaisquer dúvidas acerca do percurso, ouvir o detalhamento do mesmo pelo diretor da prova assim como se dá o padrão de marcação das fitas.

Quanto ao corredor, é importante que o mesmo não fique de cabeça baixa o tempo todo Foto: Ardijatree/Fotolia Quanto ao corredor, é importante que o mesmo não fique de cabeça baixa o tempo todo Foto: Ardijatree/Fotolia

Basicamente, eu costumo marcar as provas que dirijo, da seguinte forma: a maioria das fitas sempre do lado direito do corredor. Quando houver uma curva à esquerda, coloca-se três a cinco fitas do lado esquerdo, faz-se a curva e retoma-se a marcação do lado direito. O espaço entre as fitas, normalmente, varia de acordo com o terreno. Em estradas de terra mais longas, não é necessário fita a cada 100m, pode espaçá-las mais (500m) e sempre que houver bifurcação, você coloca a fita logo a frente da bifurcação, de dois a três pedaços. Em trilhas fechadas, você as aproxima um pouco mais, mas sem exageros.

Quando se fecha uma bifurcação, “zebrar de ponta a ponta”, há de se ter cuidado se naquele local não é passagem constante de gado, fazendeiros ou trilheiros. Assim você mantém a harmonia entre todas as pessoas e animais que ali circulam.
Em áreas urbanas, complica-se um pouco a marcação. Você pode e deve utilizar linhas e setas no chão com cal ou giz para ajudar na orientação juntamente com as fitas. Em locais onde há maior movimento de carros, faz-se necessário também, a presença de staffs ou mesmo policiais rodoviários.

Em prova nenhuma no mundo você se depara constantemente com staffs. Sempre que um corredor brasileiro vai participar de uma corrida fora do país, ele acha tudo lindo e maravilhoso e mesmo assim não se deparou com nenhum staff no percurso. Vide Mont Blanc: você corre horas na montanha sem ver ninguém (apenas os atletas), e acha o máximo. Vem pro Brasil e reclama que não tinha staff na prova. Reflita sobre seus conceitos!

Quanto ao corredor, é importante que o mesmo não fique de cabeça baixa o tempo todo.

Normalmente, o caminho é seguir o óbvio e quando houver uma “quebrada” à direita ou à esquerda, haverá bastante sinalização. Sempre que ficar em dúvida, diminua o ritmo ou mesmo dê uma parada e olhe 360º. Tenho certeza que visualizará a marcação e seguirá na direção certa. Lembre-se: perder-se não é o fim do mundo, independente da sua posição.

Concordo que é desesperador às vezes, mas controle-se, raciocine, use o telefone para falar com a organização, retome o rumo e continue em frente! Nunca descarregue uma possível ira em cima do staff ou de qualquer pessoa que esteja trabalhando na prova. Seja coerente com sua reclamação e não perca a razão. Mantenha o bom senso sempre!

Temos grandes provas no Brasil que ainda são pouco divulgadas, com ótima organização (mesmo trabalhando com pouco recurso financeiro) e com um espírito de fazer o melhor para o corredor. Ajudem a divulgar as corridas que vocês admiram!

Cruze a linha de chegada!

Este texto foi escrito por: Manuel Lago

Redação Webrun

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