O Professor Jorge Oscar Gonzalez Guedes, diretor técnico da Meia Maratona do Glaciar, passa algumas importantes dicas para os corredores que vão encarar os dez ou 21 quilômetros da prova neste sábado (12/04).
Para quem corre com o objetivo de ter qualidade de vida, ter novas experiências é parte da diversão cotidiana. Assim, uma das experiências mais agradáveis é correr em cenários com natureza distintas, como o Parque Nacional dos Glaciares, na Patagônia argentina, local declarado pela Unesco como patrimônio mundial.
O lugar é incrível e com muitos desafios nos percursos de 21 e dez quilômetros da corrida, motivo pelo qual devemos pensar um pouco em nós e ter responsabilidade. Mesmo os mais experientes precisam ter atenção em alguns pontos para que tudo ocorra da melhor forma.
A prova acontece na estrada do Parque Nacional. Foto: Alexandre Koda/ WebrunNo mês de abril o outono já chegou e, como podem imaginar, faz frio na Patagônia argentina nessa época do ano. A arena será montada no Parque Nacional, num local com vista para a Geleira Perito Moreno, a 80 quilômetros da cidade de El Calafate.
A Perito Moreno possui cinco mil metros de largura e 60 de altura e, junto com outros 47 glaciares maiores que se juntam, ocupa uma área de 2.600 quilômetros quadrados sobre o Lago Argentino (incrível não?). Não correremos sobre o gelo, mas sim na estrada que margeia o lago, o que explica o clima que devemos enfrentar: vento, frio e talvez chuva.
Alimentação – Estar bem alimentado e descansado é o primeiro passo, já que correr com essas condições climáticas requer um equilíbrio orgânico e funcional, pois os suplementos nutricionais não farão milagres no dia da corrida. Alguns estudos sugerem que existe um déficit de Vitamina D nos climas frios, devido à baixa incidência de luz, o que pode ocasionar um certo desânimo nas pessoas.
A barata doce é uma opção de carboidrato saudável. Foto: M Studio/ FotoliaUma das alternativas nesse caso é colocar no cardápio alimentos com mais calorias. Mas cuidado, já que eles podem ser ricos em energia, mas também em gorduras. Entre as opções saudáveis estão as sopas de vegetais e a batata doce que são carboidratos ricos em amido, ou ainda a abóbora. Deixem o cordeiro patagônico para os dias posteriores à corrida.
Hidratação – Outro ponto importante é a hidratação. Nos climas frios ingerimos menos frutas e verduras (que são boas fontes de água), temos menos sede e transpiramos menos, o que nos faz erroneamente pensar que precisamos ingerir menos líquidos. Uma boa saída é se hidratar bem antes da corrida, com bebidas quentes como chá.
Vestimenta – Sobre a roupa, é importante chegar bem abrigado à largada e fazer a preparação para o aquecimento sem sentir frio. É recomendado ter várias camadas de roupa, como uma cebola: primeiro uma blusa térmica tipo segunda pele, depois uma camiseta, uma blusa tipo fleece e por fim um casaco corta vento. Para as pernas eu sugiro calças meio largas ou de compressão e como opcional luvas, gorro térmico e bandana.
A vestimenta adequada é fundamental para uma boa performance. Foto: Alexandre Koda/ WebrunPercurso – A competição começa na chamada “Estação Superior”, local onde terminam os Glaciares e é o ponto mais alto do percurso. A partir daí correm em direção à entrada do Parque (10 e 21 quilômetros) e fazem o retorno com uma vista permanente da geleira. O trecho final acontece num conjunto de subidas e curvas.
Após cruzar a linha de chegada todos os corredores terão um espaço fechado com tudo o que precisam para repor as energias: hidratação, vestiário, banheiros e staffs orientados a fornecer qualquer ajuda necessária. As vezes, a ansiedade é um fardo pesado que carregamos, mas a intenção aqui é desfrutar o dia correndo num dos locais mais incríveis do planeta.
Aguardo todos vocês…
O Professor Jorge O. Gonzalez Guedes é diretor esportivo do Circuito Run Argentina e atua como coordenador técnico de diversas modalidades esportivas. É formado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educacion Fisica Belgrano de San Fernando. Contato: [email protected]
Este texto foi escrito por: Jorge Oscar Gonzalez Guedes, especial para o Webrun