Direto de Recife– O dia mal tinha começado e o calor em Recife já demonstrava que percorrer qualquer uma das distâncias da quarta edição da Maratona Maurício de Nassau, fossem os cinco, dez, 21 ou 42 quilômetros, não seria um desafio fácil. Para os dois brasileiros de destaque, Marily dos Santos e Edson Amaro, a prova reservava ainda a disputa direta com os quenianos pelo o prêmio de R$ 38 mil.
Os dois nordestinos, que juntos tinham três títulos da Maurício de Nassau, largaram com uma diferença de aproximadamente 15 minutos e sob uma temperatura de 26° C. Às 6h40, assim que as maratonistas começaram a avançar os primeiros metros de asfalto, o céu aberto que cobria o Marco Zero começou a ganhar as primeiras nuvens, sinal que o clima poderia ficar mais ameno.
Edson Amaro correu sozinho boa parte da maratona. Estratégia agressiva garantiu o bicampeonato – Foto: Renato Aranda/ Webrun.com.brPorém, nem mesmo o céu encoberto conseguiu poupar os corredores do calor. Logo após os primeiros quilômetros de prova, os homens já puxavam os demais pelotões. Amaro sempre à frente e com um semblante concentrado. Desde o início os quenianos sofriam com os números altos dos termômetros, que agora já batiam na casa dos 28° C.
Essa temperatura parecia não interferir muito na prova de Amaro. O campeão de 2012 fez parte do primeiro pelotão até o quilômetro dez quando decidiu colocar em prática a sua estratégia de corrida. Assim que o baiano, que treina em Pernambuco, fez o retorno na Avenida Boa Viagem, ele disparou e aumentou o ritmo. Passei os 10 mil com 33min e então resolvi acelerar o pace para 2:50/ km para chegar com 3:10/ km, explica.
Antes mesmo de completar a meia maratona o peba meio pernambucano, meio baiano, como ele mesmo se define já sabia que conseguiria a vitória, mas quebrar o recorde de Franck Caldeira (2h21min36) ainda não era tão certo assim. Quando eu cheguei perto do final da prova e percebi que não conseguiria o recorde, precisei trabalhar a cabeça para continuar no mesmo ritmo, afirma Amaro, que desbancou os quenianos e terminou a prova com 2h25min02.
À prova de quenianos– Diferente do que acontece em quase todas as provas do Brail, em que queniano no field é sinônimo de vitória africana, na Maurício de Nassau o cenário é um pouco diferente. A umidade os atrapalha demais. No Quênia o tempo é muito seco e Recife é muito úmida, esclarece Moacir Marconi, o Coquinho, técnico e empresário de Willy Korir, quarto colocado no masculino (2h32min31).
Marily abandona– Enquanto os africanos acusaram o golpe do calor e também da umidade, as quenianas tiveram um comportamento superior. Elas tiveram a companhia das brasileiras até o quilômetro 21, mas depois da marca da meia maratona Jane Jelagat impôs seu próprio ritmo e abriu boa vantagem.
Jane Jelagat (de vermelho) foi bicampeã da Maurício de Nassau e Mirela Saturnino de Andrade (de azul) a melhor brasileira – Foto: Renato Aranda/ Webrun.com.brMarily até tentou acompanhar o pace das duas primeiras fundistas, mas as africanas corriam muito forte. Na altura do quilômetro 27 a bicampeã da prova e recordista do percurso (2h43min49) quebrou e não conseguiu terminar a maratona.
A vitória ficou com Jelagat, vista por Coquinho como sua nova pupila. Essa menina é muito forte. Ainda vou investir muito nela, ressalta o orgulhoso treinador ao ver a fundista levantar o troféu de primeiro lugar. A queniana cruzou a linha de chegada em 2h45min16 e se sagrou bicampeã.
A melhor brasileira na maratona foi Mirela Saturnino de Andrade, corredora local. Com apenas dois anos e meio como fundista profissional, a pernambucana era só sorrisos no pódio. Orgulhosa pelo seu feito, a jovem de 22 anos não deixava de exibir a bandeira de seu estado. Estou muito feliz. Foi tudo maravilhoso nessa prova e a organização está de parabéns, elogia a quarta colocada.
Confira o resultado final da quarta edição da Maratona Maurício de Nassau:
Masculino:
Feminino:
Este texto foi escrito por: Renato Aranda