Como administrar atividades físicas com doenças genéticas?

Redação Webrun | Atletismo · 09 set, 2013

Uma das principais recomendações médicas para prevenir problemas de saúde é praticar atividades físicas regularmente e se alimentar de forma correta. Mas o que fazer quando a patologia não ocorre por negligência e sim por genética?

Hipertensos devem ser medicados antes de participar de qualquer atividade. Foto: Jos van Galen/ stock.xchng Hipertensos devem ser medicados antes de participar de qualquer atividade. Foto: Jos van Galen/ stock.xchng

Asma, hipertensão e diabetes são as principais doenças que dificultam esportistas a participar de competições. Porém, fazer exercícios com acompanhamento médico pode melhorar o quadro e amenizar os sintomas.

De acordo com o fisiologista do exercício e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Roberto Correia, as recomendações sempre devem ser seguidas. “Professores, técnicos e treinadores não têm autoridade de prescrever medicamentos, porque a pessoa é doente. Caso o médico não libere alguns tipos de esportes, eles não devem ser praticados”, afirma.

Asma – Primeiramente, o fisiologista alerta para um engano comum: confundir bronquite e asma. “A bronquite não é uma doença, é uma inflamação nos brônquios que ocorre com as pessoas que têm asma”, fala.

Apesar de a doença acometer todo o sistema respiratório, Paulo explica que a atividade física faz bem à saúde e pode reduzir o número de crises. “Uma vez asmático, sempre asmático, porém o exercício faz com que as crises sejam muito reduzidas. Tanto que algumas pessoas acreditam que estão curadas, mas na verdade basta um fator externo interferir para que a crise aconteça”, comenta.

Caso o esportista tenha uma crise no meio de uma competição, ele deve abandoná-la. “Utilizar a bombinha é uma opção, mas deve-se sempre lembrar que ela é um produto vasodilatador, ou seja, irá aumentar a oxigenação, fazendo a pessoa ter taquicardia. O médico sempre deve ser consultado antes do uso”, diz o profissional.

Diabéticos devem tomar cuidado com a alimentação. Foto: Michaela Kobyakov/ stock.xchng Diabéticos devem tomar cuidado com a alimentação. Foto: Michaela Kobyakov/ stock.xchng

Hipertensão – Segundo Paulo, deve-se sempre pensar duas vezes antes de pessoas hipertensas participarem de competições. “Hipertensão e competição são palavras que não combinam. Um aumento súbito de pressão no meio de uma prova pode causar enfarto, AVE (acidente vascular encefálico) ou até AVC (acidente vascular cerebral)”, alerta.

Paulo também lembra que qualquer atividade física provoca aumento da pressão arterial, portanto o hipertenso sempre irá sofrer. “A pessoa deve ser medicada e não pode se sentir mal durante a atividade física. Caso isso ocorra, o indivíduo deve ser encaminhado para o posto de atendimento médico e ficar sentado, nunca deitado, pois a pressão aumenta”, orienta.

Diabetes – Existem diabéticos que têm dependência de insulina não sofrem tanto com provas ou treinamentos, pois eles já têm uma dosagem certa para tomar antes de qualquer esforço físico. Já os que não têm a doença controlada acabam passando muito mal nas competições.

Isso ocorre porque os diabéticos não produzem a insulina, um hormônio responsável por conseguir fazer a glicose penetrar nas células, fazendo o esportista sentir fraqueza. “Outros sintomas são fome, hálito forte, dor de cabeça e, quase sempre, desmaio”, enumera o fisiologista.

Segundo Paulo, os diabéticos também devem se preocupar com a alimentação antes da prova. “Caso esses indivíduos se alimentem muito antes da prova, toda a glicose será desperdiçada e a pessoa passará mal”, conclui.

Este texto foi escrito por: Rafaela Castilho

Redação Webrun

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