
Solonei foi um dos representantes brasileiros na maratona do Mundial de Moscou (foto: Jefferson Bernardes/Vipcomm)
O quadro de medalhas brasileiro após o término do Mundial de Moscou mostra que o país ainda tem muito que melhorar até a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. No que diz respeito aos esportes de pista, as esperanças de medalhas são ainda mais escassas.
Entre todas as modalidades disputadas no Estádio Olímpico de Moscou, os brasileiros só estiveram presentes em sete finais, sendo três delas em esportes de corrida (isso sem considerar a maratona masculina, que só teve uma disputa). Apesar de esse número representar quase 50% das finais verde-amarelas, somente no revezamento feminino 4×100 metros que as chances de pódio foram concretas.
Nas outras duas finais (400m masculino e revezamento 4x400m masculino) só o fato de o Brasil ter representantes nas duas provas já foi tido como vitorioso. O oitavo lugar de Anderson Henriques nos 400m (44seg95, seu melhor tempo na carreira) e o sétimo tempo conquistado pelo quarteto nos 4x400m (3min02seg19) foram conquistas importantes para o jovem velocista e grupo de corredores dos 400 metros.
Brasileiros do 4x400m finalizam Mundial de Moscou no sétimo lugar
Os meninos que correram o 4x400m realmente têm muito potencial para 2016. Em três anos eles podem evoluir muito, pois ainda são muito novos (a média de idade do quarteto brasileiro é de 23 anos), analisa Nelson Evêncio.
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| Quarteto brasileiro formado por Pedro Burmann (foto), Wagner Cardoso, Anderson Henriques e Hugo Balduíno tem boas chances de medalha na Olimpíada de 2016 – Foto: Eduardo Biscayart/ CBAt |
Falta de investimentos– Para o treinador de corrida e colunista do Webrun, essas serão as únicas esperanças de medalhas do Brasil nas provas masculinas de velocidade. Nos 100 metros e nos 200 metros, infelizmente, nossos atletas não se comparam aos melhores do mundo, afirma.
Esse abismo entre os brasileiros e o mundo surgiu por causa do baixo investimento que o atletismo recebeu durante anos passados e que somente agora começam a reaparecer. Essa nova política da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) só vai dar algum retorno a partir de 2020, 2024, pois hoje se investe na base. Se derem continuidade com os centros de excelência, o retorno será razoável, mas só daqui a alguns anos, explica Evêncio.
Falta de treinamento– Das três finais de pista, o revezamento feminino 4x100m foi o que mais chegou perto do pódio, além de ser a única modalidade de velocidade com chances reais de medalha. Porém, um erro técnico na última passagem do bastão eliminou as brasileiras.
O revezamento é uma prova de sincronia e a Vanda (Gomes) e a Franciela (Krasucki) não estavam entrosadas. Fica muito difícil encontrar um só culpado vendo tudo de fora. Ali foi um erro de conjunto, da comissão e das atletas, analisa o treinador. Na semifinal o quarteto nacional teve Evelyn dos Santos, Ana Cláudia Lemos, Franciela Krasucki e Rosângela Santos. Já na final Rosângela foi substituída por Vanda Gomes.
O argumento utilizado pela comissão técnica brasileira para colocar na pista um quarteto diferente daquele que correu a semifinal foi plausível, diz Evêncio. Segundo a CBAt, tanto Rosângela Santos como Gomes alcançaram o mesmo tempo durante testes realizados antes do Mundial, por isso ambas as atletas tinham condições de correr a final.
A explicação dado pelo Ricardo DAngelo (treinador-chefe da delegação) explicou o critério adotada para a substituição das atletas. Agora afirmar que a Vanda não participará mais do revezamento não é possível. Se ela tiver o terceiro melhor tempo, por exemplo, ela pode participar do quarteto, explica Evêncio.
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| Franciela (à esquerda), Rosângela (ao centro) e Ana Cláudia formaram parte do quarteto que correu a semifinal do 4x100m – Foto: Paulo Gomes/ Webrun |
Maratona olímpica– Longe das pistas e com muitos quilômetros a mais, o Brasil tem condições mais reais de subir ao pódio tanto nas maratonas feminina como masculina. A alta temperatura e umidade cariocas podem equiparar os maratonistas brasileiros aos africanos, que estão mais acostumados a correrem em locais frios e secos.
Ainda é muito cedo para saber se vai fazer calor no dia da maratona, mas analisando os tempos do Mundial, a gente teve um resultado excelente com os brasileiros, que chegaram em sexto e sétimo lugares. Nós não tivemos mulheres em Moscou por causa dos critérios de índice da Confederação, talvez por isso seja hora de se pensar em mudanças, encerra o treinador.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda

