CBAt ainda não realizou exames antidoping fora de competições em 2013

Redação Webrun | Atletismo · 17 jul, 2013

Segundo a CBAt  controle de doping no atletismo funciona  mas precisa de incremento (foto: Emílio Pedrosa/ www.webrun.com.br)
Segundo a CBAt controle de doping no atletismo funciona mas precisa de incremento (foto: Emílio Pedrosa/ www.webrun.com.br)

Recentemente a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) flagrou dois atletas em exames antidoping. Os testes foram realizados após o Troféu Brasil de Atletismo e a Maratona de Brasília. Até o momento, durante a atual temporada, a CBAt realizou 201 testes em todo o país durante competições. As amostras coletadas fora de competição em 2013 não constam no site da confederação. Já os números de 2012 apontam que das 659 amostras recolhidas, 18 aconteceram de surpresa.

O exame antidoping realizado fora de competições demonstra ser um método mais eficiente na batalha por um esporte limpo e sem trapaças. Um exemplo recente disso é o caso do velocista norte-americano Tyson Gay, flagrado com uma substância ilegal em seu organismo em um exame sem prévio aviso.

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Doping no atletismo brasileiro– Apesar de o cenário desportivo nacional apresentar indícios claros que muito precisa ser feito para que o doping não seja algo muito comum no esporte, o presidente da Agência Nacional Antidoping (ANAD) da CBAt, Thomaz Mattos, afirma que a confederação é uma das que mais prega pela honestidade nas competições.

Atualmente, a receita da CBAt gira em torno de R$ 25 milhões, verba oriunda de patrocínios e da Lei Piva. Desse dinheiro, cerca de R$ 400 mil é empregado no controle de doping do atletismo.

Como o objetivo da confederação para 2014 é aumentar consideravelmente o número de exames feitos fora de competições (algo entre 150 e 200) é provável que as cifras destinadas ao controle de doping subam.

“Eu vejo que há sim uma necessidade de incremento no controle. Hoje a CBAt é uma das que mais faz exames antidoping no Brasil e com o suporte necessário nós vamos conseguir realizar um trabalho melhor e mais atuante”, afirma.

Para Nelson Evêncio o simples fato de um atleta saber que ele tem chances de ser testado em competição não é um inibidor contra o doping. O treinador explica que a evolução do doping é muito rápida, e atletas com condições de acessar essas drogas conseguem escapar dos testes feitos durante provas.

“Até agora no Brasil nenhum exame foi feito fora de competição. Isso é um ponto negativo. Aqueles que são pegos são gente pequena ou que se descuidou e acabou sendo flagrado”, afirma presidente da Associação de Treinadores de Corrida.

A necessidade do controle antidoping fora de competição

A fundista Simone Alves foi flagrada em exame antidoping por uso de EPO - Foto: Divulgação/ BM&F Bovespa
A fundista Simone Alves foi flagrada em exame antidoping por uso de EPO – Foto: Divulgação/ BM&F Bovespa

Esperança para o futuro– Apesar de o cenário nacional contra o doping parecer estar estático, algumas mudanças já estão acontecendo. A criação de uma nova entidade, cujo objetivo é gerenciar o combate ao doping no país em toda a esfera desportiva é um exemplo disso.

“A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) vem para preencher um vácuo que existia de uma agência de doping nacional, mas ela ainda está começando a caminhar”, explica o presidente da ANAD.

Mattos crê que o caminho que o Brasil terá de percorrer até conseguir estancar de vez qualquer motivação ao doping é “árduo”, afinal o uso de substâncias ilegais no esporte não está focado somente ao esporte de alto rendimento.

“Falta vontade para o Brasil alcançar um nível de excelência. Afinal, isso deve ser tratado como um problema de saúde pública, já que existem hoje substâncias que se disseminam em academias. As pessoas precisam entender que é a qualidade de treinamento que vai trazer o resultado e não o aditivo. Só com a mudança dessa consciência é que o combate ao doping vai ser mais efetivo”, analisa o presidente.

Saiba como funciona o controle antidoping

Enquanto Mattos vê o uso de substâncias ilegais como um problema social e cultural que também atinge o amador, Evêncio põe em xeque o comportamento de alguns profissionais como o principal entrave para a queda dos casos de dopagem. “Onde existe dinheiro e isso está ligado à vitória, as pessoas vão fazer de tudo para chegar lá mais rápido”, finaliza o treinador.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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