Correr sem acompanhamento de treinador pode ser um risco à saúde

Redação Webrun | Corridas de Rua · 27 mar, 2013

Planilhas pré-montadas nem sempre são ideais para todo corredor (foto: Renato Aranda/ webrun.com.br)
Planilhas pré-montadas nem sempre são ideais para todo corredor (foto: Renato Aranda/ webrun.com.br)

A corrida de rua é um esporte democrático, acessível e não há nada que impeça uma pessoa saudável de encarar alguns quilômetros de asfalto por diversão e saúde. E foi exatamente assim que Thiago Dyna entrou para o mundo das corridas. Com a gravidez da esposa, o analista de sistemas resolveu mudar seu estilo de vida e se tornar um pai mais saudável para acompanhar o crescimento da filha que estava para nascer.

Dyna, assim como a grande maioria das pessoas que vê na corrida uma forma de lazer, não corre com acompanhamento de assessorias esportivas. Desde 2008 – quando foi “abduzido” pelo esporte – é leitor voraz de sites e revistas de corrida. “Eu me baseio nas planilhas de treino já prontas. Faço algumas alterações, mas nunca cheguei a montar um treino do zero”, fala.

O analista de sistemas confessa que já chegou a pensar em ter orientação de um treinador, mas os resultados obtidos por ele até então não o têm decepcionado. “Até agora alcancei os meus objetivos. Acho que meu treinamento tem sido o suficiente”, afirma.

Lesões e dores– Assim que a performance de Dyna começou a melhorar, os objetivos do corredor também cresceram. Com o foco na São Silvestre de 2011, o analista montou um treino mais intenso, com cerca de 45 quilômetros por semana dividido em três dias. O resultado foi alcançado, mas ao custo de uma canelite.

“Fiz a prova com dor, mas consegui terminar com um tempo que não me decepcionou”, revela. Porém, a mesma vitória pessoal poderia ter vindo, mas com menos dor e sofrimento. A canelite de Dyna acabou se agravando e o forçou a parar de correr até que a lesão sarasse por completo.

“Acredito que se eu tivesse uma orientação não teria me lesionado. Me machuquei por causa de overtraining”, confessa. Hoje, o novo problema do analista é um incômodo no quadril. “Dessa vez eu vou ao médico. Aprendi com o meu último erro”.

Orientação é preciso– Para Aulus Sellmer, diretor técnico da assessoria 4any1, o ocorrido com Dyna é uma prova de que se guiar por treinos pré-montados nem sempre é o ideal. “As planilhas são baseadas de acordo com a média populacional. Então pessoas que estão fora dessa curva não devem seguir essa ‘receita de bolo’”, pontua.

E não são só as planilhas publicadas em revistas ou na internet que podem resultar em alguma lesão mais séria. Os aplicativos para smartphones que auxiliam na montagem de treinos podem oferecer um sério risco à saúde de quem está ainda rompendo a barreira dos cinco quilômetros.

“Eu não aconselho esses aplicativos para amadores. Para correr é necessário saber primeiro escolher o tênis correto, se alongar para prevenir lesões e realizar uma avaliação clínica para saber as condições do corpo”, afirma.

Sellmer vê o mercado de corrida de rua como um emergente no cenário esportivo nacional. Ele, como empresário, tem consciência dos valores cobrados pelas assessorias esportivas, mas abre uma ressalva que o aumento da demanda de corredores também fez surgir profissionais para todos os bolsos. “Basta saber procurar, porque existem treinadores para todos os públicos. Só não pode ficar sem orientação e se lesionar por causa disso”, diz.

Correr acima de tudo– Apesar das orientações do diretor técnico, a engenheira Daniela Choy é outra corredora que tem se aventurado pelas provas de corrida sem acompanhamento, somente com a energia positiva mandada por um grupo de amigas e sua própria força de vontade.

“Comecei a correr meio que forçada por amigas. Elas fizeram um grupo de corrida para a Maratona Pão de Açúcar de Revezamento e me inscreveram. Quando comecei a treinar, não corria nem cinco minutos”, revela.

Após terminar o primeiro desafio, Choy ressalta que sente falta sim de orientação profissional, pois além da medalha da prova, a corredora também tem agora uma dor no joelho que a deixa desconfortável quando treina.

“Correr por conta própria foi bom até agora. Tenho uma amiga que corre comigo e me dá umas dicas e como estou sem muito tempo tenho corrido mais na esteira”, fala.

O próximo desafio que a engenheira encarará será no próximo dia 21 de abril durante as cinco milhas da Mizuno 10 Miles, que acontecerão em São Paulo. Isso se a receita de bolo que ela tem seguido não transformar a dor em lesão.

Este texto foi escrito por: Renato Aranda

Redação Webrun

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