
fraturas por estresse no calcâneo em imagem feita por por cintilografia óssea (foto: Reprodução)
Na coluna anterior o Dr. Neto explicou como surgem as fraturas de stress e quais fatores podem ocasionar o problema. Agora, na segunda parte do texto, ele fala sobre as estatísticas e tratamento deste tipo de lesão.
As fraturas de stress representam 10% de todas as lesões esportivas e aproximadamente cinco a 15% de todas as lesões em corredores de longa distância. Estes atletas contribuem com 69% de todas as fraturas de stress, que são mais encontradas na tíbia (34%) e fíbula (24%), os ossos entre o joelho e o tornozelo. A dor referida pelo atleta aumenta de intensidade conforme o desenrolar da atividade física e se torna progressivamente limitante, apenas melhorando com o repouso.
Normalmente são realizadas várias tentativas de modificação do treinamento (duração, intensidade, freqüência, equipamento) até que o atleta apresente incapacidade funcional para o esporte. Segundo estudos, os sintomas geralmente ocorrem entre quatro e cinco semanas após o início das tentativas de mudanças no treinamento.
A palpação da face ântero-medial da tíbia (osso da canela) é dolorosa em um ponto único e pode estar presente mesmo ao caminhar. Nas fases iniciais o exame de RX é normal, e outros métodos de imagem para o diagnóstico e acompanhamento clínico devem ser utilizados, como a cintilografia óssea e a ressonância magnética.
Tratamento – O tratamento das fraturas de stress costuma ser dividido em duas fases conforme a maioria dos autores. A fase I, ou fase de repouso relativo, caracteriza-se pelo controle da dor por medicação antiinflamatória, medidas fisioterápicas para analgesia (gelo), descarga de peso apenas nas atividades de vida diária, exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura da perna e manutenção da capacidade aeróbica do corredor por meio de atividades alternativas à corrida.
A fase II se inicia a partir do momento em que o atleta não mais apresenta dores no local acometido por um período mínimo de duas semanas. Ela se baseia na correção de fatores biomecânicos, utilização de órteses (talas), regulação do ciclo menstrual em mulheres, correção de distúrbios nutricionais e retorno gradual ao esporte.
As fraturas de stress têm como principal diagnóstico diferencial a canelite, também descrita ortopedicamente como síndrome do stress tibial medial, caracterizada por dor à palpação ao longo de maior área da face ântero-medial da tíbia e representada clinicamente pela inflamação do periósteo, tecido fibroso que recobre o osso. Apresenta boa resposta ao tratamento conservador à base de gelo, medicação antiinflamatória e fortalecimento da musculatura dorsiflexora dos pés (músculos situados na frente da canela).
O hábito de correr em superfícies mais macias, como grama ou terra batida, a preferência pelo uso de calçados esportivos dotados de sistemas confiáveis de amortecimento de impacto, constituem os fatores mais importantes a serem considerados pelos atletas na prevenção das fraturas de stress. O constante trabalho de fortalecimento da musculatura anterior da perna e o alongamento adequado dos músculos da panturrilha e da planta dos pés, também podem ajudar.
Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto