1976 – Jogos Olímpicos de Montreal

Redação Webrun | Atletismo · 08 set, 2002

De17/07 a 01/08/1976

Os Jogos de Montreal enfrentaram alguns problemas políticos e se constituíram num desastre financeiro pois, de uma estimativa inicial de custo de US$ 310 milhões, as despesas atingiram US$ 1,5 bilhão, acarretando o descontentamento da população canadense.

Depois do ocorrido em Munique com a delegação israelense, os canadenses tiveram que reforçar muito o esquema de segurança com a contratação adicional de policiais, helicópteros, segurança nos aeroportos, detector de metais em vários locais, cercas na vila olímpica, enfim, só em segurança o gasto foi superior a US$ 100 milhões.

Dois problemas políticos afetaram os Jogos. O mais simples foi com Taiwan, que queria ser tratada como República da China e não aceitou desfilar como Taiwan, retirando-se dos Jogos. O mais difícil foi a pressão dos países africanos para afastar a Nova Zelândia pelo fato do time de rugby All Blacks ter ido à banida África do Sul participar de alguns jogos. Após a decisão de permitir a participação da Nova Zelândia, 27 países africanos abandonaram Montreal, enfraquecendo sobretudo o atletismo com a ausência de países como Quênia, Etiópia, Uganda (do campeão olímpico Akii-Bua), Tanzânia (do recordista mundial dos 1.500m Filbert Bayi).

Os Jogos tiveram a participação de 7.356 atletas, representando 88 países. No quadro de medalhas, a URSS obteve 47 de ouro, a Alemanha Oriental surpreendeu com 40 medalhas de ouro, enquanto os americanos obtinham 34.

O Brasil ganhou 2 medalhas de bronze (João Carlos de Oliveira no salto triplo e no iatismo, na classe Flying Dutchman). Pela 1ª vez o País sede não ganhou nenhuma medalha de ouro.

Pela 1ª vez 2 atletas são encarregados de acender a pira olímpica. O Canadá escolheu um de origem inglesa e outro de origem francesa para não criar problemas políticos internos.

Na delegação de Israel havia uma atleta que estava presente no terror de Munique, Ester Roth.

O grande destaque de Montreal foi a ginasta romena Nadia Comanecci, de 14 anos, que ganhou 3 medalhas de ouro, 1 de prata e 1 de bronze, conquistando o público de todo o mundo com sua graciosidade, simpatia e perfeição de movimentos. Até para os exigentes jurados da ginástica, Comanecci foi perfeita, obtendo 7 vezes a nota 10 nos diversos aparelhos (nunca havia sido atribuída a nota máxima anteriormente). As 3 medalhas de ouro foram no geral individual, trave e barras assimétricas.

Apesar do brilhantismo da romena, na ginástica feminina ainda destacou-se a soviética Nelli Kim, que teve 3 medalhas de ouro no salto ao cavalo, solo e equipes. Olga Korbut, também da URSS, que havia brilhado em Munique, ganhou o ouro por equipes e a prata na trave.

Na ginástica masculina, o destaque foi Nikolai Andrianov, que ganhou 4 medalhas de ouro, 2 de prata e 1 de bronze.

A Alemanha Oriental dominou a natação feminina ganhando 11 das 13 provas realizadas e tendo em Kornelia Ender o seu grande destaque. Ender venceu 4 provas (100 e 200 metros livre, 4 x 100m em 4 estilos e 100m borboleta. O recorde mundial nos 100m borboleta foi igualado e nas demais provas superado). Outra alemã, Petra Thumer, venceu os 400m e 800m livres com recorde mundial.

A natação masculina foi dominada pelos EUA, que venceram 12 das 13 provas, tendo Jim Montgomery vencido os 100m livres na inacreditável marca de 49s99, novo recorde mundial. Outro americano, John Naber, obteve 4 medalhas de ouro, todas com recordes mundiais: 100m e 200m costas, 4 x 100m em 4 estilos e 4 x 200m livres.

No boxe, o cubano Teofilo Stevenson vence novamente na categoria peso pesado. Normalmente os ganhadores anteriores se profissionalizavam após as vitórias olímpicas. Stevenson, ouro em Munique, não o fez, pois, Fidel Castro não permitiu.

Outros destaques do boxe foram as medalhas de ouro dos americanos Sugar Ray Leonard e dos irmãos Leon e Michael Spinks. Apenas 19 meses após o ouro olímpico, Leon tornou-se campeão mundial dos peso pesados ao derrotar Muhammad Ali por pontos. O reinado de Leon foi curto pois, após 7 meses, foi nocauteado por Ali.

No basquete feminino, a URSS foi a campeã, enquanto os EUA recuperaram o título no masculino ao derrotar a Iugoslávia.

O finlandês Lasse Virem conseguiu o bicampeonato olímpico nos 5.000 e nos 10.000m e ainda foi o 5º colocado na maratona, que foi vencida pelo alemão Waldemar Cierpinski . Nos 5.000 Viren fez 13:24.76 e derrotou o Neozelandês Dick Quax com 13:25.16. Virem era acusado de usar o doping sanguíneo que não era natural, mas não era proibido e consistia em retirar sangue do atleta congelá-lo e o sangue era novamente injetado no atleta antes da competição aumentando a hemoglobina e a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue aumentando a resistência. Viren sempre negou o uso desta pratica se bem que o fato de ser um corredor fenomenal apenas à época de grandes competições sempre alimentaram os comentários. Nos 10.000 metros Viren fez 27:40.38 derrotando o português Carlos Lopes com 27:45.17 ficando o bronze para o americno Brendan Foster com 27:54.92.

Na maratona vencida pelo alemão Waldemar Cierpinski com 2:09.55.0, novo recorde olímpico o campeão de Munich , Frank Shorter dos USA terminou em 2º com 2:10.45.8 ficando bronze para o belga Karel Lismont em 2:11.12.6 terminando Viren em 5] um grande resultado para quem havia ganho o ouro nos 5.000 e 10.000 metros.

Nos 3.000 metros com obstáculos o sueco Anders Garderud venceu em recorde muncial com 8:08.2 deixando o polonês Bronislaw Malinowski em 2º com 8:09.2 e o bronze foi para o alemão Frank Baungart.

Nas provas de meio fundo feminino um doublé da soviética Tatyana Kazankina , sendo que nos 800 com 1:54.94 novo recorde mundial derrotou a búlgara Nikolina Schtereva com 1:55.42.

O cubano Alberto Juantorena venceu os 400 e 800m, sendo esta em recorde mundial de 1mim43s50. Juantorena chegou a Montreal como favorito nos 400 metros mas ainda desconhecido nos 800 metros e venceu em recorde mundial derrotando o belga Ivo Van Damme com 1:44.12 que faleceria meses após, aos 22 anos, em um acidente automobilístico e o favorito americano Richard Wolhunter com 1:44.12.

Nos 1.500 metros ouro para John Walker da Nova Zelândia com 3:39.15 em prova que teve a ausência do favorito Filbert Bayi da Tanzânia que boicotou os Jogos exatamente pela participação da Nova Zelândia do campeão Walker. Nova medalha de prata para o belga van Damme com 3:39.27.

A polonesa Irena Szewinska venceu os 400m em recorde mundial, com 49s29, ganhando assim sua 7ª medalha olímpica nos 4 Jogos que participou.

O americano Bruce Jenner venceu o decatlo com 8.618 pontos, novo recorde mundial.

Edwim Moses, dos Estados Unidos, iniciou a série de vitórias olímpicas nos 400m s/ barreiras com novo recorde mundial de 47s64.

Nas provas de velocidade no atletismo masculino, as vitórias ficaram com atletas do Caribe: Hasey Crawford, de Trinidad, venceu os 100m e o jamaicano Don Quarie venceu os 200m.

João Carlos de Oliveira, mais conhecido como João do Pulo, que havia sido o 4º colocado no salto em distância com 8,00m, conseguiu a medalha de prata no salto triplo com 16,90m, tendo o soviético Viktor Saneiev conseguido o tricampeonato. Nas eliminatórias, foi eliminado Nelson Prudêncio, que havia conquistado medalhas no México e em Munique.

No futebol, que teve a participação do árbitro Arnaldo César Coelho, o Brasil, treinado por Cláudio Coutinho, perdeu na semifinal para a Polônia por 2 a 0 e na disputa pelo bronze perdeu para a URSS, também por 2 a 0.

O Brasil participou também do remo, boxe, esgrima, judô, halterofilismo, vôlei (obtendo a 7ª colocação com o time que tinha Willian, Moreno, Bernard, entre outros), tiro (que em boa atuação conseguiu o 9º lugar com Durval Guimarães na carabina, 9º com Bertino Alves de Souza em pistola e 11º com Marcos Olsen na fossa olímpica), natação e iatismo.

A natação brasileira não trouxe medalhas de Montreal, mas trouxe bons resultados como os 4ºs lugares de Djan Madruga nos 400m e 1.500m livres. Na eliminatória dos 400m, Madruga quebrou o recorde olímpico com 3min59s62 (na final nadou em 3min57s18). Tivemos 2 semifinalistras nos 100 costas (Paul Jouaneau e Rômulo Arantes Jr.) e nos 100m peito (José Silvio Fiolo e Sérgio Ribeiro).

O Brasil obteve outros bons resultados no iatismo: 10º na classe Soling; 11º na classe 470; 4º na classe Finn, com Cláudio Biekarck e medalha de bronze na classe Flying Dutchman, com Reinaldo Conrad e Peter Ficker. A medalha de bronze foi conquistada com uma boa reação nas 3 últimas regatas com uma vitória e dois terceiros.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

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