1964 – Jogos Olímpicos de Tóquio

Redação Webrun | Atletismo · 19 ago, 2002

Tóquio iria sediar os Jogos de 1940, coincidindo com o aniversário de 2.600 anos do Império Japonês, mas o Japão renunciou a sede após eclodir a guerra Sino Japonesa. A Olimpíada de 1964 ficou conhecida como “Happy Games” (Jogos Felizes) e na época foi considerada a maior da era moderna. No encerramento, que ficou marcado pelo “Sayonara” escrito no placar eletrônico, o clima era de tristeza pois o ambiente havia sido ótimo, com grande participação da população japonesa que adotou os Jogos como uma festa nacional. Destaque para a grande participação nas competições e os US$ 3 bilhões gastos para a reconstrução de Tóquio, adaptando-a para sediar o evento, incluindo o belo estádio National Gymnasium para as provas aquáticas e basquete, triplicando os espaços nos hotéis, construindo 8 milhas de monorail, entre outros investimentos. A cerimônia de abertura teve público de 82.000 pessoas. Mesmo nos dias de chuva, o público permanecia presente com chapéus e guarda-chuvas. O único problema político foi a realização dos Jogos das novas nações emergentes, pela Indonésia do Ganefo, sem a autorização do COI, o que acarretou na proibição da participação de Indonésia e Coréia do Norte. Participaram 94 países com 5.140 atletas, sendo 683 mulheres. Os EUA obtiveram 36 medalhas de ouro, enquanto a URSS obteve 30 e o Japão 16. O Brasil participou com 69 atletas e obteve apenas 1 medalha de bronze com o basquete. Entre os atletas da Seleção Brasileira de vôlei estava Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do COB.

A Olimpíada teve cobertura de TV ao vivo para diversos países, sendo que EUA e Japão assistiram em cores. Devido ao fuso horário, muitos países assistem vídeo tapes.

Os japoneses, sempre dando o máximo de si, realizaram 5 ensaios gerais da cerimônia de abertura, inclusive um com o mesmo número esperado de atletas participantes. O japonês Yoshimori Sakai, que foi o encarregado de acender a pira olímpica, era nascido no mesmo dia da bomba atômica de Hiroshima. O que trazia a lembrança e a simbologia da Guerra Mundial

Os japoneses usaram tecnologia para a organização, com muitos computadores.

Foi a última vez que as mulheres competiram sem fazer o exame de feminilidade pois suspeitavam de 3 campeãs: a romena Iolanda Balas, vencedora do salto em altura, e as irmãs soviéticas Irina e Tamara Press, vencedoras do pentatlo, lançamento do disco e arremesso do peso.

Pela 1ª vez foi disputado o judô, com 3 vitórias japonesas. Destaque para o gigante holandês Antonius Geesink. Também foi a estréia do vôlei, que no feminino teve a vitória do Japão e no masculino da União Soviética.

Das 12 jogadoras da seleção japonesa de vôlei, 10 trabalhavam na mesma empresa e treinavam 6 horas diárias. O Japão imprimia a marca de esporte praticado por e pelas empresas, uma marca que caracteriza o esporte japonês até hoje

O húngaro Imre Polyak, numa demonstração de perseverança, ganhou a medalha de ouro na categoria peso-plumas de luta greco-romana, após ter obtido as medalhas de prata em 52, 56 e 60.

No boxe, o americano Joe Frazier, que mais tarde seria campeão mundial dos pesados, ganhou o ouro. Frazier havia ido a Tóquio como sparring de Buster Mathias, que acabou fraturando o dedo indicador e foi substituído por Frazier, que também fraturou um dedo na luta semifinal, mas venceu a final mesmo sentindo fortes dores.

A ginástica passou a ser um dos destaques nas transmissões de TV e teve a tcheca Vera Caslavska como a rainha, com 3 medalhas de ouro, inclusive na classificação individual geral. As soviéticas Larissa Latynina, com 4 medalhas, inclusive ouro no solo, e Polina Astakova, com 3 medalhas, sendo ouro nas barras assimétricas, se destacam.

A australiana Dawn Fraser, que 7 meses antes havia sofrido lesões em um acidente automobilístico no qual sua mãe faleceu, venceu pela 3ª vez consecutiva os 100m nado livre. Fraser desejava levar uma bandeira dos Jogos como souvenir e tentou tirá-la do Palácio Imperial. Foi detida pela polícia e depois de identificada foi liberada com a bandeira desejada como lembrança. Fraser, que em sua carreira bateu 39 recordes mundiais, acabou suspensa por 10 anos pela Federação Australiana pelo episódio.

Don Scholander, dos EUA, foi o grande destaque olímpico de Tóquio tendo conquistado 4 medalhas de ouro (100 e 400 metros nado livre e nos revezamentos 4 x 100 e 4 x 200). O detalhe é que nas 4 vitórias obteve 4 recordes olímpicos e 3 mundiais.

O etíope Abebe Bikila conquistou o bicampeonato na maratona, desta vez correndo de tênis e chegando mais de 4 minutos à frente do 2º colocado. Bikila havia sido operado de apendicite 2 meses antes dos Jogos Olímpicos. O tempo foi de 2:12.1.2 novo recorde mundial. O australiano Ron Clark que já havia corrido os 5.000 e os 10.000 metros liderou até a metade da prova mas não resistiu. O japonês Kokichi Tsubaraya foi medalha de bronze com 2:16.22 e era esperança de medalha em 1968, mas adoesceu e ficou com deficiências para voltar a competir e se suicidou deixando um bilhete “Nunca mais correrei”. O britanico Basil Heatley foi prata com 2:16.19.2. Bikila, bi campeão olímpico ainda tentou a façanha do tri na Maratona de 1968 no México mas teve que abandonar devido a uma fratura no km 17

Peter Snell, que havia ganho a medalha de ouro em Roma nos 800m rasos, em Tóquio venceu novamente os 800m e também os 1.500 metros. As suas vitórias são atribuídas ao emprego de táticas de corrida perfeitas.

Nos 5.000metros a vitória coube ao americano Robert Bob Schull com 13:48.8 surpreendendo e derrotando os favoritos Ron Clark, Michel Jazy e Bill Deliinger. O tempo foi de 13:48.8 e o medalha de prata foi o alemão Harald Norpoth com 13:49.6 seguido de Dellinger e Jazy ficando o queniano Kipchoge Keino em 5º

Nos 3.000 metros com obstáculos vitória do nosso conhecido campeão de São Silvestre e recordista mundial da prova Gaston Roelants da Bélgica com 8:30.8

O americano Al Oerter venceu pela 3ª vez o lançamento de disco, superando dificuldades por ter se contundido numa queda e ter tomado injeções para aliviar a dor.

O americano Bob Hayes venceu os 100m rasos em 10s0, novo recorde mundial.

A australiana Betty Cuthbert, que em Melbourne havia ganho os 100 e 200m rasos, ganhou mais um ouro olímpico, desta vez nos 400m rasos.

Uma das vitórias mais surpreendentes foi a do americano Billy Mills, descendente de índios sioux, nos 10.000m rasos, derrotando os favoritos Mohamed Gamoudi, da Tunísia e Ron Clark, da Austrália, com o tempo de 28min24s4, novo recorde olímpico. Mills arran- cou de forma espetacular nos últimos metros para ultrapassar os adversários. Esta foi a última vez que se disputou os 10.000 sem eliminatórias, pois os retardatários acabaram por prejudicar os líderes, bloqueando suas ultrapassagens, tendo sido o australiano o mais prejudicado. Gammoudi foi prata com 28:24.8 e Clark bronze com 28:25.8 eo Etíope Mamo Wolde em 4º com 29:31.8

O Brasil participou nas seguintes modalidades: atletismo (Aida dos Santos obteve um expressivo 4º lugar no salto em altura, com 1,74 metro), natação, pentatlo moderno, pólo aquático, iatismo (destacando-se Joerg Bruder, que foi o 7º colocado na geral e 2º na 7º regata), hipismo (Nelson Pessoa obteve um excelente 5º lugar montando Huipil), boxe, judô (Lhofel Shiozawa foi o 1º colocado no seu grupo tendo sido eliminado na fase final), futebol, vôlei (que obteve a 7ª colocação na classificação geral) e basquete.

No basquete, no qual obtivemos a medalha de bronze, uma vez mais o árbitro Renato Righetto esteve atuando. A Seleção Brasileira foi 2ª colocada no grupo B, perdendo para os EUA. Na disputa pelo 3º lugar, o Brasil derrotou Porto Rico por 76 a 60. A Seleção era respeitadíssima internacionalmente e disputava com URSS e Iugoslávia, a 2ª posição no cenário mundial, sendo os EUA absolutos. Entre os nossos jogadores tí- nhamos Wlamir Marques, Edson Bispo, Amaury Passos, Ubiratan, Edvar Simões, Victor, Mosquito, Jatyr, Rosa Branca e Sucar.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!