Corridas de Rua · 17 dez, 2009
O último dia do ano para muitas pessoas é sinônimo de pressa para aprontar a ceia de reveillon, de correria para comprar o peru e a farofa antes que o supermercado feche e de muita festa e comemoração para o ano que chega. Enquanto isso, para muitos corredores, sejam eles de elite ou amadores, também há correria e comemoração, mas de um jeito diferente: nas ruas de São Paulo para a disputa da São Silvestre.
Duas corredoras de ponta, Sirlene Souza de Pinho e Zenaide Viera, comentam suas impressões sobre a prova e o porquê de tanto glamour e interesse, já que este ano 20 mil pessoas se inscreveram. É uma prova que todo mundo sonha em correr, já que é uma das mais antigas do Brasil e reúne muitos atletas bons, conta Sirlene. Os amadores que eu conheço sempre treinam para chegar na são Silvestre e encerrar o ano com chave de ouro.
A fundista passou por uma fase complicada este ano, já que trocou de técnico e teve que deixar o calor das ruas de Santos e passou a treinar em São Paulo, a terra da garoa, ou selva de pedra como é conhecida. Mesmo assim, graças a Deus consegui a liderança do Ranking Brasileiro de Maratona e para a São Silvestre espero chegar entre as 10 melhores colocadas.
Ao todo são 15 quilômetros de percurso, entre subidas e descidas íngremes, curvas fechadas e outros desafios, que culminam na temida subida da Brigadeiro Luiz Antônio, trecho final da corrida. Temida só se for para os iniciantes, já que Sirlene não se intimida com os 2,5 quilômetros de morro acima e elege outro trecho como o mais complicado. Acho o começo da prova difícil, pois você larga forte, vem uma descida e logo no quilômetro dois tem uma subida. Se o atleta não estiver bem, vai complicar, tem que dosar para chegar bem ao final.
Zenaide - Já para Zenaide Vieira, que após a parceria entre o Clube Pinheiros e a Rede Atletismo, passa a ser colega de treinos de Sirlene, a disputa do próximo dia 31 é especial devido ao alto nível técnico. As melhores corredoras estarão lá. Em algumas provas você encontra uma ou outra brasileira e queniana, mas na São Silvestre todo mundo estará lá. Ainda segundo ela, a mídia também dá uma atenção maior a este evento.
Especialista em provas de pista, especificamente os 3.000m com obstáculos, ela tem mesclado algumas corridas na rua como complemento dos treinos e até agora obteve bons resultados, como o título da Sargento Gonzaguinha no último dia 13. Esse período eu faço muita rodagem e aproveito para correr na rua. Vou entrando aos poucos e futuramente devo entrar de uma vez, relata.
Na Gonzaguinha, uma prova com a mesma distância da São Silvestre, ela chegou com sobra em relação às adversárias, mas sabe que terá um páreo duro pela frente na hora de enfrentar as estrangeiras. Lá vou encontrar um cenário mais forte, mas vou tentar ir junto até onde agüentar. A expectativa é sempre o pódio, se ele vier, seja em qual lugar for, será bem vindo.
Corridas de Rua · 13 dez, 2009
Neste domingo (13/12) aconteceu em Santana, zona norte de São Paulo, a edição 2009 da Corrida Sargento Gonzaguinha, prova de 15 quilômetros que serviu como última seletiva para a São Silvestre. Sob forte chuva, Franck Caldeira venceu a disputa masculina, enquanto no feminino Zenaide Vieira chegou com sobra.
São Paulo - O domingo amanheceu chuvoso e com baixas temperaturas na zona norte da capital paulista, condição que não desanimou os milhares de corredores que logo cedo se aqueciam na Avenida Cruzeiro do Sul, em frente à Escola de Educação Física da Polícia Militar. Os primeiros a saírem foram os cadeirantes, logo em seguida a elite feminina e depois, às 8h, a elite masculina e pelotão geral.
A chuva não deu trégua durante todo o trajeto, o que obrigou os corredores a desviar de poças dágua e procurar a melhor tangência nas curvas com cuidado para não escorregar. Logo no começo da disputa masculina um grande pelotão se formou com vários atletas, entre eles Franck e alguns de seus companheiros da equipe do Cruzeiro.
A partir do quilômetro 10 o mineiro abriu em relação aos adversários e não foi mais alcançado até cruzar a linha de chegada em primeiro com o tempo de 45min40. Tirando a chuva e a umidade, fiz uma marca legal, comenta. Corri visando a preparação para a São Silvestre. Passei muito tempo longe das competições e meu tempo de treino é curto, então tenho que girar as pernas para chegar bem, completa.
Ainda segundo Franck, empolgação e motivação não vão faltar no último dia do ano para tentar o bicampeonato de umas das mais tradicionais prova do calendário nacional. Vou vestir a camisa da São Silvestre, ou seja, ter coração, alma, espírito e mais do que tudo preparação. Já são dois domingos que corro com chuva e nada melhor do que um dia 31 chuvoso, assim eu posso disfarçar as lágrimas caso vença novamente.
A segunda colocação ficou com Cristiano Machado, também do Cruzeiro, ao marcar 46min23, enquanto a terceira colocação ficou com outro integrante da equipe azul e branca, Marcos Elias, com 47min08. Foi uma prova muito boa, já que na Pampulha não corri bem e hoje consegui um pódio, relata o vice-campeão. Já Marcos, mesmo com dores na panturrilha, se superou para chegar em terceiro. Corri aqui pela primeira vez e gostei do percurso e da organização. Não estou treinando muito forte devido à dor, mas espero sarar logo e começar com tiros rápidos.
Mulheres - No feminino a disputa não foi tão acirrada, já que Zenaide dominou praticamente de ponta a ponta e não deu chances às adversárias, até cruzar com o tempo de 52min52. A chuva prejudica um pouco, mas o sol também seria ruim, então temos que nos adaptar, comenta a especialista em provas de 3.000m com obstáculos que competiu pela primeira vez um trajeto de 15 quilômetros. Usei a prova como teste, mas não consegui dar meu máximo, pois corri sozinha e fiquei com medo de quebrar. No quilômetro cinco passei muito rápido e fiquei preocupada, então cheguei com um pouco de gás no final.
A representante da equipe Rede Atletismo conta ainda que vai correr a prova do último dia do ano e algumas outras corridas de rua, mas não pretende abandonar as pistas de atletismo. Tenho meu foco maior na pista, até porque quero estar na Olimpíada. Na São Silvestre, pretendo correr com as meninas até onde der e tentar um ritmo mais forte do aqui na Gonzaguinha. Já que a ideia é estar bem preparada, as guloseimas no natal terão que ser sacrificadas. Vou ter que comer frutinha, peito de peru e só, brinca.
A segunda colocada foi Edielza Alves dos Santos com 53min52, enquanto a terceira foi Adriana Aparecida da Silva, com 54min01. Corri bem, estou melhorando cada vez mais e espero chegar bem na São silvestre, estou treinando para isso, relata a segunda colocada que também representa o Cruzeiro. Já Adriana, do Clube Pinheiros, acredita que pode melhorar. Hoje foi um teste para a São Silvestre e deu para ter uma noção de como mais ou menos será no dia. Acho que estarei bem, mas ainda tenho alguns dias para treinar e conseguirei correr junto com as primeiras.
A Sargento Gonzaguinha do ano que vem já começa a ser planejada pela Yescom desde agora, já que além de servir como seletiva para a São Silvestre como tem acontecido nos últimos anos, outro fato marcante deixará a prova ainda mais concorrida. Trata-se do centenário da Escola de Educação Física da Polícia Militar.
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