termoregulação

Exercício e termorregulação

O corpo se vale de alguns mecanismos para regular sua temperatura central. Esta fica geralmente na casa dos 37ºC, tanto quando esta temperatura estiver mais baixa em virtude do frio, como quando ela for mais alta em função do calor. E como se comporta o nosso corpo para tentar ficar sempre nessa marca? E quando estamos nos exercitando?

Calor - No calor a nossa circulação sofre uma vasodilatação e o sangue é levado facilmente a todos os tecidos. É devido a essa vasodilatação que normalmente sentimos pés e mãos inchados no verão. Por exemplo, o anel fica mais justinho no dedo.

Quando nos exercitamos, a temperatura central, que já estava por volta dos 37ºC, tende a subir e o organismo precisa perder calor para manter esta temperatura no nível aceitável. O calor corporal é perdido por irradiação, condução, convecção e evaporação, sendo esta última a principal defesa fisiológica contra o superaquecimento.

Funciona assim: quando começamos a fazer exercício, o corpo começa a suar. Este suor evapora e esta evaporação faz abaixar a temperatura da pele, que por sua vez diminui a temperatura do sangue que estava ali. Esse sangue com a temperatura resfriada vai sendo levado para o centro do corpo, de onde vem o sangue com a temperatura mais elevada e o ciclo continua.

Existem, contudo, alguns fatores que podem modificar a tolerância ao calor, como:

  • aclimatação: quem está acostumado a só treinar em ambientes de temperaturas mais amenas, se não fizer uma aclimatação antes de uma prova no calor, com certeza vai sofrer bastante. Por exemplo, quem só treina à noite, é capaz de não conseguir completar uma prova como a Meia Maratona do Rio, onde o calor é bastante grande e a largada por volta das 10h.

    Após 10 dias de exposição ao calor o indivíduo já está aclimatado, mas é bom saber que os principais benefícios da aclimatação são perdidos depois de duas ou três semanas de treinos em temperaturas mais amenas.

  • hidratação: sem uma hidratação adequada, a circulação e a transpiração ficam comprometidas. Ou seja, não adianta só jogar água na cabeça numa prova (apesar de ser bem agradável), mas é importante também ingerir esta água. Bebidas isotônicas também são aconselháveis, pois ajudam a repor os sais que perdemos durante a atividade. Só fique atento para não tomar numa prova algo que nunca tenha experimentado antes. O resultado pode não ser muito agradável.

    Dica: saches de carboidrato devem ser tomados sempre com água. Ao tomá-lo com algum isotônico (a concentração dos dois vai ficar muito alta), você pode ter uma diarréia osmótica, ou seja, se estiver numa academia, até consegue chegar ao banheiro, mas se o ambiente for uma prova, você dificilmente conseguirá ir muito mais longe.

    Além disso, outras características fisiológicas acontecem com nosso corpo no calor como:

  • Normalmente no calor a nossa FC fica mais alta, principalmente para quem não está aclimatado;

  • Se vai competir no calor, precisa treinar nele;

  • Quando a umidade relativa do ar está muito alta, o suor produzido pelo corpo não evapora, ele só escorre pelo corpo e cai no chão. Neste caso, não ocorre o ciclo do esfriamento pela evaporação e é muito mais difícil o organismo perder calor;

  • Depois de treinar é aconselhável continuar suando um pouco mais antes de tomar banho, pois se a temperatura central ainda não tiver abaixado o suficiente, mesmo depois do banho, você vai continuar suando;

  • Treinar com plástico em volta da cintura para emagrecer é balela! Você só perde água e não gordura, não acontece evaporação, o organismo fica desidratado e pode até sofrer uma hipertermia grave;

  • Secar o suor a toda hora prejudica a evaporação do mesmo e só faz você suar mais;

  • Trocar de camisa no meio de um treino prejudica a perda de calor, pois até que a roupa fique úmida novamente, o esfriamento por evaporação é retardado.

    Já no frio, a circulação sofre uma vasoconstrição, ou seja, ela fica mais concentrada nos órgãos vitais (localizados no tronco) e mãos e pés sentem mais frio. Notem que no frio, pés e mão ficam mais “magrinhos” e o anel fica mais solto no dedo.

    O corpo é muito menos capaz de se adaptar fisiologicamente ao frio do que ao calor prolongado. Por outro lado, usando roupas adequadas, podemos suportar climas bastante frios. Notem:

  • No frio, usamos algumas peças de roupa para treinar e, conforme vamos aquecendo, vamos tirando o excesso;

  • Lembre-se sempre de levar uma troca de roupa para voltar seco para casa depois do treino. Assim ficará mais difícil adoecer;

  • Um gorro contribui consideravelmente para a conservação do calor, pois a cabeça pode perder cerca de 30 a 40% do calor corporal, por ser altamente vascularizada;

  • Devido à vasoconstrição proporcionada pelo frio, pés e mãos costumam ficar gelados mesmo durante os treinos. Como, quando corremos, os pés já estão calçados, é interessante cobrir as mãos com luvas;

  • Mesmo no frio precisamos nos hidratar.

    Diferenças entre homens e mulheres - Para homens e mulheres de mesmo nível de condicionamento e aclimatação, elas são tão eficientes quanto eles quando o assunto é termorregulação durante o exercício.

    Entretanto, as mulheres tendem a produzir menos suor que os homens, enquanto mantêm a mesma temperatura central. Ou seja, neste quesito, provavelmente somos mais eficientes do que eles.


  • Exercício e termorregulação

    Atletismo · 01 mar, 2007

    O corpo se vale de alguns mecanismos para regular sua temperatura central. Esta fica geralmente na casa dos 37ºC, tanto quando esta temperatura estiver mais baixa em virtude do frio, como quando ela for mais alta em função do calor. E como se comporta o nosso corpo para tentar ficar sempre nessa marca? E quando estamos nos exercitando?

    Calor - No calor a nossa circulação sofre uma vasodilatação e o sangue é levado facilmente a todos os tecidos. É devido a essa vasodilatação que normalmente sentimos pés e mãos inchados no verão. Por exemplo, o anel fica mais justinho no dedo.

    Quando nos exercitamos, a temperatura central, que já estava por volta dos 37ºC, tende a subir e o organismo precisa perder calor para manter esta temperatura no nível aceitável. O calor corporal é perdido por irradiação, condução, convecção e evaporação, sendo esta última a principal defesa fisiológica contra o superaquecimento.

    Funciona assim: quando começamos a fazer exercício, o corpo começa a suar. Este suor evapora e esta evaporação faz abaixar a temperatura da pele, que por sua vez diminui a temperatura do sangue que estava ali. Esse sangue com a temperatura resfriada vai sendo levado para o centro do corpo, de onde vem o sangue com a temperatura mais elevada e o ciclo continua.

    Existem, contudo, alguns fatores que podem modificar a tolerância ao calor, como:

  • aclimatação: quem está acostumado a só treinar em ambientes de temperaturas mais amenas, se não fizer uma aclimatação antes de uma prova no calor, com certeza vai sofrer bastante. Por exemplo, quem só treina à noite, é capaz de não conseguir completar uma prova como a Meia Maratona do Rio, onde o calor é bastante grande e a largada por volta das 10h.

    Após 10 dias de exposição ao calor o indivíduo já está aclimatado, mas é bom saber que os principais benefícios da aclimatação são perdidos depois de duas ou três semanas de treinos em temperaturas mais amenas.

  • hidratação: sem uma hidratação adequada, a circulação e a transpiração ficam comprometidas. Ou seja, não adianta só jogar água na cabeça numa prova (apesar de ser bem agradável), mas é importante também ingerir esta água. Bebidas isotônicas também são aconselháveis, pois ajudam a repor os sais que perdemos durante a atividade. Só fique atento para não tomar numa prova algo que nunca tenha experimentado antes. O resultado pode não ser muito agradável.

    Dica: saches de carboidrato devem ser tomados sempre com água. Ao tomá-lo com algum isotônico (a concentração dos dois vai ficar muito alta), você pode ter uma diarréia osmótica, ou seja, se estiver numa academia, até consegue chegar ao banheiro, mas se o ambiente for uma prova, você dificilmente conseguirá ir muito mais longe.

    Além disso, outras características fisiológicas acontecem com nosso corpo no calor como:

  • Normalmente no calor a nossa FC fica mais alta, principalmente para quem não está aclimatado;

  • Se vai competir no calor, precisa treinar nele;

  • Quando a umidade relativa do ar está muito alta, o suor produzido pelo corpo não evapora, ele só escorre pelo corpo e cai no chão. Neste caso, não ocorre o ciclo do esfriamento pela evaporação e é muito mais difícil o organismo perder calor;

  • Depois de treinar é aconselhável continuar suando um pouco mais antes de tomar banho, pois se a temperatura central ainda não tiver abaixado o suficiente, mesmo depois do banho, você vai continuar suando;

  • Treinar com plástico em volta da cintura para emagrecer é balela! Você só perde água e não gordura, não acontece evaporação, o organismo fica desidratado e pode até sofrer uma hipertermia grave;

  • Secar o suor a toda hora prejudica a evaporação do mesmo e só faz você suar mais;

  • Trocar de camisa no meio de um treino prejudica a perda de calor, pois até que a roupa fique úmida novamente, o esfriamento por evaporação é retardado.

    Já no frio, a circulação sofre uma vasoconstrição, ou seja, ela fica mais concentrada nos órgãos vitais (localizados no tronco) e mãos e pés sentem mais frio. Notem que no frio, pés e mão ficam mais “magrinhos” e o anel fica mais solto no dedo.

    O corpo é muito menos capaz de se adaptar fisiologicamente ao frio do que ao calor prolongado. Por outro lado, usando roupas adequadas, podemos suportar climas bastante frios. Notem:

  • No frio, usamos algumas peças de roupa para treinar e, conforme vamos aquecendo, vamos tirando o excesso;

  • Lembre-se sempre de levar uma troca de roupa para voltar seco para casa depois do treino. Assim ficará mais difícil adoecer;

  • Um gorro contribui consideravelmente para a conservação do calor, pois a cabeça pode perder cerca de 30 a 40% do calor corporal, por ser altamente vascularizada;

  • Devido à vasoconstrição proporcionada pelo frio, pés e mãos costumam ficar gelados mesmo durante os treinos. Como, quando corremos, os pés já estão calçados, é interessante cobrir as mãos com luvas;

  • Mesmo no frio precisamos nos hidratar.

    Diferenças entre homens e mulheres - Para homens e mulheres de mesmo nível de condicionamento e aclimatação, elas são tão eficientes quanto eles quando o assunto é termorregulação durante o exercício.

    Entretanto, as mulheres tendem a produzir menos suor que os homens, enquanto mantêm a mesma temperatura central. Ou seja, neste quesito, provavelmente somos mais eficientes do que eles.