Corridas de Rua · 05 nov, 2007
Que eu me lembre jamais tive uma heroína. Uma mulher que eu idolatrasse seus feitos. Heróis tive aos montes, deste os irreais, como os do desenho animado Super Dínamo e seu atrapalhado comparsa o Robocop, o Batman e o Superman.
Dos desenhos animados passei a idolatrar os de carne e osso, mas ainda sob o manto de um roteiro, como aconteceu com John Travolta que em minha adolescência me embalou muito mais do que um sábado à noite. O tempo passou, as fantasias se foram e vieram os ídolos reais. E foram esses que fizeram minha cabeça. Sem dúvida meus maiores ídolos são três canadenses que atendem pelos nomes de Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart, que me encantam com seus acordes desde janeiro de 1982 quando escutei pela primeira vez Bastile Day.
No campo esportivo, talvez Ayrton Senna foi quem idolatrei com mais intensidade, mas também não posso renegar nem colocar em segundo plano o grandioso, problemático e indisciplinado Serginho Chulapa, que nos tempos que vestia a camisa 9 do meu tricolor me deu inúmeras alegrias, as quais vivi intensamente.
Mas ontem ganhei uma heroína. Ela é inglesa e se chama Paula Radcliffe. É atual recordista mundial da maratona e considerada por muitos a maior corredora de todos os tempos. Mas acredito que esse atributo seja o fim e não o meio, o efeito e não a causa. Para se conquistar esses feitos e ter um final grandioso ela me mostrou como se deve portar uma heroína.
Foi uma pequena lição que durou pouco mais de 2h23min repleta de garra, disciplina, foco e suor que jamais vou esquecer.
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