Natália Vasconcelos

Relato pós Nike 600K e Maratona de Nova York: desafios conquistados

Maratona · 18 nov, 2010

A corredora mineira Natalia Vasconcelos aceitou o desafio de encarar o Desafio Nike 600k e a Maratona de Nova York. Integrante da equipe de Belo Horizonte ela conta como foi a experiência de correr duas grandes provas da temporada 2010.

Em 2010 pude viver na minha vida de corredora as duas experiências mais emocionantes e posso dizer que em sete anos de corrida (sim, sou nova, mas comecei cedo!), esse foi meu melhor ano. Após minha última maratona (2007 – Buenos Aires) tive uma fatura por stress que me deixou assustada e um pouco traumatizada com os 42 quilômetros. Passados três anos, repensei e tive vontade de enfrentá-los mais uma vez. No começo do ano recebi um e email de uma agência de turismo com a seguinte propaganda (foto ao lado).

Ao terminar de ler, pensei.... “Será???? NY???” Meu coração se encheu de alegria e empolgação e na mesma hora resolvi : sim! Conversei com meus pais e eles toparam na hora; afinal com tanta antecedência, dava para programar uma viagem bacana com toda a família.

Fechei o pacote da agencia de turismo autorizada (pois, ser sorteada assim na primeira vez seria muita sorte!) e mentalizei... Comecei os treinos específicos em julho...

Até que em agosto surgiu outro convite emocionante: ser sub 25 na Nike 600k! Amei o novo regulamento e topei na hora!!! Nem sabia por qual emoção eu estava mais empolgada... Foi o semestre todo só pensando e falando em maratona e Nike 600k.

Algumas pessoas me perguntavam se não era demais, se não tinha medo de me machucar novamente... Não quis nem saber; se tivesse que machucar, ate aceitava, mas só depois do dia sete de novembro... Queria a todo esforço e suor...viver essas duas experiências!!!

Meus treinos foram mais focados na Maratona do que na Nike 600; afinal esse era meu real objetivo desde o começo do ano. Treinos para maratona são mais longos e de resistência; para a Nike 600 seriam mais de velocidade e intervalados. Abri mão dos finais de semana, de vários aniversários, encontros e festas por essa boa causa: treinos e treinos. Mas isso me dava prazer e não era sacrifício nenhum.

600k - Finalmente chegou o grande dia: Nike 600k! Estava tão empolgada que não me lembrava da maratona. Na minha cabeça eu tinha que viver cada emoção de uma vez, para aproveitá-la ao maximo.
Foi uma experiência maravilhosa. Aproximei-me de amigos corredores que já conhecia há bastante tempo; criamos um vinculo inesquecível. Corrida é um esporte muito solitário. Você treina muito sozinho, tudo dependente do seu esforço, do seu tempo; é um desafio pessoal. Nos 600k a gente vivencia a mesma corrida; mas o foco não é você, mas sim toda a equipe! No nosso caso, uma cidade (BH)!

Por isso era essencial o bom humor, a compreensão, a torcida pelo outro como se fosse por você mesmo; a empolgação independente dos resultados. Nossa equipe era bem variada, pois tínhamos corredores que não eram tão rápidos, mas que adquiriram um papel fundamental. Cada um colaborava com o melhor que tinha...

Na velocidade e em ganhar tempo, mas também em preparar nossos shakes, em nos fazer rir nos momentos mais dolorosos, manter a união, maquiar as garotas (“Gente, blush e saúde”).

A gente pode ficar fedendo, mas feias não! Outros colaboravam com a responsabilidade (cronometrar diferenças de tempo entre as equipes, pesquisar os resultados parciais)... E assim aprendemos a lidar uns com os outros, valorizar o melhor de cada um e incentivar ressaltando o “ponto fraco” de cada um (Falar do filho que aguarda, da mulher que esta assistindo na TV, da rede Globo que esta filmando... E por ai vai).

O desgaste e a dor foram grandes. Lembro-me de uma descida íngreme que peguei, meu treinador disse “Aproveita para treinar para NY, pois a dor e o desgaste que você vai sentir nesses sete quilômetros serão equivalentes aos 42 quilômetros”. Ao sentir a dor e a perna pesada eu pensava. “Acostuma que daqui duas semanas isso repete!”. Por isso, posso dizer que a Nike 600 valeu para mim em todos os sentidos! Tanto físico, quanto psicológico.

Enfim, além do desgaste físico e das grandes emoções a cada largada, a cada troca de corredor, aprendemos muito; experiências que serão úteis em todas as áreas da nossa vida. Aprendemos a manter a alegria e aproveitar a grande oportunidade, felizes, independente dos resultados. Isso foi fundamental.

Passada a grande prova da Nike 600k (maravilhosa, perfeita, super bem organizada, incrível e inesquecível!), tempo de respirar e .... NEW YORK!!!!

Fiquei duas semanas na cidade; cinco dias completamente dedicados à prova: buscar o kit, feira da maratona, corrida da amizade e finalmente: o grande dia!

Já estava bem recuperada dos 600k e me sentia muito bem preparada. Nem o frio e o vento conseguiram me desanimar. Estavam todas as pessoas que mais amo ali para me aplaudir: meus pais, irmãos, namorado que foi de surpresa me assistir e alguns amigos.

E a maratona de NY me provou ser exatamente igual à propaganda que me fez escolher por ela: a mais animada, a mais linda, A MELHOR!!!

Fiz em um tempo bom, 3h26 (12 minutos abaixo do meu melhor tempo que era 3h38). Consegui manter constante meu ritmo ate o quilômetro 39, quando uma câimbra começou a querer fisgar minha panturrilha e eu tive que correr concentrada nisso, para que ela não me pegasse! Fiquei muito feliz com o resultado, afinal três dias depois já estava zerada, nenhuma dor e pronta para meu último treininho de despedida no Central Park (nada mal!).

O que a Nike 600 e a Maratona de NY tiveram em comum? Com certeza o grande sentimento ambíguo de querer chegar e fazer um ótimo tempo e a vontade de começar tudo outra vez!!!


Relato pós Nike 600K e Maratona de Nova York: desafios conquistados

Maratona · 18 nov, 2010

A corredora mineira Natalia Vasconcelos aceitou o desafio de encarar o Desafio Nike 600k e a Maratona de Nova York. Integrante da equipe de Belo Horizonte ela conta como foi a experiência de correr duas grandes provas da temporada 2010.

Em 2010 pude viver na minha vida de corredora as duas experiências mais emocionantes e posso dizer que em sete anos de corrida (sim, sou nova, mas comecei cedo!), esse foi meu melhor ano. Após minha última maratona (2007 – Buenos Aires) tive uma fatura por stress que me deixou assustada e um pouco traumatizada com os 42 quilômetros. Passados três anos, repensei e tive vontade de enfrentá-los mais uma vez. No começo do ano recebi um e email de uma agência de turismo com a seguinte propaganda (foto ao lado).

Ao terminar de ler, pensei.... “Será???? NY???” Meu coração se encheu de alegria e empolgação e na mesma hora resolvi : sim! Conversei com meus pais e eles toparam na hora; afinal com tanta antecedência, dava para programar uma viagem bacana com toda a família.

Fechei o pacote da agencia de turismo autorizada (pois, ser sorteada assim na primeira vez seria muita sorte!) e mentalizei... Comecei os treinos específicos em julho...

Até que em agosto surgiu outro convite emocionante: ser sub 25 na Nike 600k! Amei o novo regulamento e topei na hora!!! Nem sabia por qual emoção eu estava mais empolgada... Foi o semestre todo só pensando e falando em maratona e Nike 600k.

Algumas pessoas me perguntavam se não era demais, se não tinha medo de me machucar novamente... Não quis nem saber; se tivesse que machucar, ate aceitava, mas só depois do dia sete de novembro... Queria a todo esforço e suor...viver essas duas experiências!!!

Meus treinos foram mais focados na Maratona do que na Nike 600; afinal esse era meu real objetivo desde o começo do ano. Treinos para maratona são mais longos e de resistência; para a Nike 600 seriam mais de velocidade e intervalados. Abri mão dos finais de semana, de vários aniversários, encontros e festas por essa boa causa: treinos e treinos. Mas isso me dava prazer e não era sacrifício nenhum.

600k - Finalmente chegou o grande dia: Nike 600k! Estava tão empolgada que não me lembrava da maratona. Na minha cabeça eu tinha que viver cada emoção de uma vez, para aproveitá-la ao maximo.
Foi uma experiência maravilhosa. Aproximei-me de amigos corredores que já conhecia há bastante tempo; criamos um vinculo inesquecível. Corrida é um esporte muito solitário. Você treina muito sozinho, tudo dependente do seu esforço, do seu tempo; é um desafio pessoal. Nos 600k a gente vivencia a mesma corrida; mas o foco não é você, mas sim toda a equipe! No nosso caso, uma cidade (BH)!

Por isso era essencial o bom humor, a compreensão, a torcida pelo outro como se fosse por você mesmo; a empolgação independente dos resultados. Nossa equipe era bem variada, pois tínhamos corredores que não eram tão rápidos, mas que adquiriram um papel fundamental. Cada um colaborava com o melhor que tinha...

Na velocidade e em ganhar tempo, mas também em preparar nossos shakes, em nos fazer rir nos momentos mais dolorosos, manter a união, maquiar as garotas (“Gente, blush e saúde”).

A gente pode ficar fedendo, mas feias não! Outros colaboravam com a responsabilidade (cronometrar diferenças de tempo entre as equipes, pesquisar os resultados parciais)... E assim aprendemos a lidar uns com os outros, valorizar o melhor de cada um e incentivar ressaltando o “ponto fraco” de cada um (Falar do filho que aguarda, da mulher que esta assistindo na TV, da rede Globo que esta filmando... E por ai vai).

O desgaste e a dor foram grandes. Lembro-me de uma descida íngreme que peguei, meu treinador disse “Aproveita para treinar para NY, pois a dor e o desgaste que você vai sentir nesses sete quilômetros serão equivalentes aos 42 quilômetros”. Ao sentir a dor e a perna pesada eu pensava. “Acostuma que daqui duas semanas isso repete!”. Por isso, posso dizer que a Nike 600 valeu para mim em todos os sentidos! Tanto físico, quanto psicológico.

Enfim, além do desgaste físico e das grandes emoções a cada largada, a cada troca de corredor, aprendemos muito; experiências que serão úteis em todas as áreas da nossa vida. Aprendemos a manter a alegria e aproveitar a grande oportunidade, felizes, independente dos resultados. Isso foi fundamental.

Passada a grande prova da Nike 600k (maravilhosa, perfeita, super bem organizada, incrível e inesquecível!), tempo de respirar e .... NEW YORK!!!!

Fiquei duas semanas na cidade; cinco dias completamente dedicados à prova: buscar o kit, feira da maratona, corrida da amizade e finalmente: o grande dia!

Já estava bem recuperada dos 600k e me sentia muito bem preparada. Nem o frio e o vento conseguiram me desanimar. Estavam todas as pessoas que mais amo ali para me aplaudir: meus pais, irmãos, namorado que foi de surpresa me assistir e alguns amigos.

E a maratona de NY me provou ser exatamente igual à propaganda que me fez escolher por ela: a mais animada, a mais linda, A MELHOR!!!

Fiz em um tempo bom, 3h26 (12 minutos abaixo do meu melhor tempo que era 3h38). Consegui manter constante meu ritmo ate o quilômetro 39, quando uma câimbra começou a querer fisgar minha panturrilha e eu tive que correr concentrada nisso, para que ela não me pegasse! Fiquei muito feliz com o resultado, afinal três dias depois já estava zerada, nenhuma dor e pronta para meu último treininho de despedida no Central Park (nada mal!).

O que a Nike 600 e a Maratona de NY tiveram em comum? Com certeza o grande sentimento ambíguo de querer chegar e fazer um ótimo tempo e a vontade de começar tudo outra vez!!!