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Spray, gel, creme…afinal, os anti-inflamatórios cutâneos funcionam?

Atletismo · 14 ago, 2013

Com promessa de alívio imediato da dor, os anti-inflamatórios cutâneos chamam a atenção de quem não vê a hora de se livrar do desconforto que as lesões causam. Os produtos, que muitas vezes contam com mentol e cânfora na formulação, trazem uma sensação de conforto no local, mas será que funcionam?

Segundo o fisioterapeuta e colunista do Webrun, Claudio Cotter, o medicamento presente em sprays, géis, cremes ou emplastros não conseguem chegar até o músculo. “A penetração desses anti-inflamatórios é muito pequena, por isso não é comum os profissionais receitarem o seu uso”, explica.

O que é melhor na hora da lesão? Bolsa de gelo ou água quente?

Porém, muitos atletas consideram a ação do produto excelente e afirmam que a sensação de alívio de fato acontece. “As pessoas utilizam por conta da sensação que têm na pele, de gelado ou calor, e não pela reação no músculo. É um efeito placebo, mas existe”, comenta o fisioterapeuta.

Além disso, o fisiologista e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Roberto Correia, alerta para as consequências do uso. “Esses produtos são vasodilatadores, significa que ele fará com que a circulação naquela região sejá exarcebada. Portanto, ao invés de diminuir o edema, ele irá aumentar, fazendo o local ficar mais roxo e inchado do que deveria”, diz.

Medicamentos presentes em anti-inflamatórios cutâneos não alcançam o músculo. Foto: Vullioud Pierre-André/ stock.xchng
Medicamentos presentes em anti-inflamatórios cutâneos não alcançam o músculo. Foto: Vullioud Pierre-André/ stock.xchng

Diferença entre os produtos - De acordo com Claudio, a única diferença entre a embalagem dos anti-inflamatórios é a praticidade e o preço. “Os sprays normalmente são utilizados por atletas, que não terão como lavar a mão em seguida. Os cremes, mais baratos, podem ser aplicados em casa mesmo”, conta.

O medicamento encontrado nos emplastros é o mesmo, mas a ação costuma ser um pouco diferente. “Esses produtos concentram a ação das substâncias no mesmo local por mais tempo, mas não fazem diferença no músculo. A única coisa que irá acontecer é o atleta ter a sensação de conforto na pele por mais tempo”, argumenta Cotter.

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Solução - Não importa a atividade física, o mais indicado a fazer quando a dor aperta é parar e colocar gelo no local. “Quando você faz uma compressa de gelo está diminuindo o edema e impedindo que uma lesão pequena se torne grande. Quanto mais inchar, mais difícil será cicatrizar o tecido muscular”, discorre o fisioterapeuta.

Continuar praticando a atividade também pode aumentar a gravidade da lesão. “É necessário parar e fazer uma compressa de gelo por 20 ou 30 minutos para não danificar ainda mais o músculo”, fala Claudio.

O profissional também dá uma dica aos esportistas que não querem abandonar as competições: “sprays de gelo podem ajudar momentaneamente, sem necessidade de pausa”. Porém, o fisioterapeuta completa: “deve-se tomar muito cuidado para aplicá-los pois, de tão gelado que são, podem queimar a pele. Além disso, o efeito não será o mesmo da compressa de gelo”.


Spray, gel, creme…afinal, os anti-inflamatórios cutâneos funcionam?

Atletismo · 14 ago, 2013

Com promessa de alívio imediato da dor, os anti-inflamatórios cutâneos chamam a atenção de quem não vê a hora de se livrar do desconforto que as lesões causam. Os produtos, que muitas vezes contam com mentol e cânfora na formulação, trazem uma sensação de conforto no local, mas será que funcionam?

Segundo o fisioterapeuta e colunista do Webrun, Claudio Cotter, o medicamento presente em sprays, géis, cremes ou emplastros não conseguem chegar até o músculo. “A penetração desses anti-inflamatórios é muito pequena, por isso não é comum os profissionais receitarem o seu uso”, explica.

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Porém, muitos atletas consideram a ação do produto excelente e afirmam que a sensação de alívio de fato acontece. “As pessoas utilizam por conta da sensação que têm na pele, de gelado ou calor, e não pela reação no músculo. É um efeito placebo, mas existe”, comenta o fisioterapeuta.

Além disso, o fisiologista e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Roberto Correia, alerta para as consequências do uso. “Esses produtos são vasodilatadores, significa que ele fará com que a circulação naquela região sejá exarcebada. Portanto, ao invés de diminuir o edema, ele irá aumentar, fazendo o local ficar mais roxo e inchado do que deveria”, diz.

Medicamentos presentes em anti-inflamatórios cutâneos não alcançam o músculo. Foto: Vullioud Pierre-André/ stock.xchng
Medicamentos presentes em anti-inflamatórios cutâneos não alcançam o músculo. Foto: Vullioud Pierre-André/ stock.xchng

Diferença entre os produtos - De acordo com Claudio, a única diferença entre a embalagem dos anti-inflamatórios é a praticidade e o preço. “Os sprays normalmente são utilizados por atletas, que não terão como lavar a mão em seguida. Os cremes, mais baratos, podem ser aplicados em casa mesmo”, conta.

O medicamento encontrado nos emplastros é o mesmo, mas a ação costuma ser um pouco diferente. “Esses produtos concentram a ação das substâncias no mesmo local por mais tempo, mas não fazem diferença no músculo. A única coisa que irá acontecer é o atleta ter a sensação de conforto na pele por mais tempo”, argumenta Cotter.

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Solução - Não importa a atividade física, o mais indicado a fazer quando a dor aperta é parar e colocar gelo no local. “Quando você faz uma compressa de gelo está diminuindo o edema e impedindo que uma lesão pequena se torne grande. Quanto mais inchar, mais difícil será cicatrizar o tecido muscular”, discorre o fisioterapeuta.

Continuar praticando a atividade também pode aumentar a gravidade da lesão. “É necessário parar e fazer uma compressa de gelo por 20 ou 30 minutos para não danificar ainda mais o músculo”, fala Claudio.

O profissional também dá uma dica aos esportistas que não querem abandonar as competições: “sprays de gelo podem ajudar momentaneamente, sem necessidade de pausa”. Porém, o fisioterapeuta completa: “deve-se tomar muito cuidado para aplicá-los pois, de tão gelado que são, podem queimar a pele. Além disso, o efeito não será o mesmo da compressa de gelo”.