Separação: Agosto de 2005. Casada. Filhos com 16 e 4 anos. Uns 10 quilos acima do meu peso ideal. Nem tinha começado a treinar, encarei uma prova de 10 km – não repita isso! Eu já estava matriculada em uma assessoria esportiva e ia começar os treinos em breve quando apareceu a oportunidade de correr uma Track&Field. E fui. Terminei entre os últimos colocados, seguida da ambulância, em 1h20. Cheguei em casa com dor no corpo todo, mas feliz com minha medalha e uma adrenalina absurda. Com filho para cuidar e feira por fazer, só não ouvi um “parabéns” do maridão pelo meu feito – será que teve?
E então vieram os treinos – aquele caminhada e trote no início -, as primeiras corridinhas, as primeiras provas de fato… Dois meses e meio depois, meu tempo nos 10 km já era 1h11m. À medida que eu me dedicava, meu peso e meus tempos baixavam. E os elogios aumentavam – sempre fora de casa. A corrida estava me mostrando um novo universo e eu gostando cada vez mais daquilo e das minhas conquistas.
Em fevereiro de 2006, seis meses depois que dei os primeiros passos, me separei. Não foi a corrida a culpada. Também não foi um crush que arrumei nos treinos. O que o esporte fez foi ajudar a resgatar uma Yara que estava adormecida, que gostava de um desafio, que queria melhorar.
Separei, ok, bola pra frente. Mas como iriam ficar os treinos já que, quando eu saia para correr cedo, quem ficava com meu filho era meu marido? Antonio tinha 4 anos na época. Não podia deixá-lo sozinho. Meu treinador aconselhou que fizesse os treinos na hora que fosse possível, mas não abandonasse. Ainda mais naquele momento, em que estava tão feliz com minha evolução.
Com ajuda de um e de outro, mesmo não conseguindo cumprir fielmente as planilhas, levei a corrida adiante. Não foi um período fácil, mas passou.
PARA AJUDAR A CURAR CORAÇÃO PARTIDO

Buenos Aires 2010: 3h53m para acalmar meu coração
É engraçado que minhas duas marcas sub 4h na maratona vieram em períodos de decepção amorosa e rompimento. Em 2010, após o fim de um namoro relâmpago e intenso, me inscrevi para a Maratona de Buenos Aires. Pra dispersar a tristeza, eu treinava. Corri focada pelas ruas da capital argentina e cruzei a linha de chegada em 3h53. Ao abraçar uma amiga no final, chorei, mas chorei tanto… Adrenalina e emoção agindo, mas também a certeza de que tinha deixado as mágoas pelo caminho e que começava ali um novo tempo com o coração em paz.
O coração ficou em paz por um bom período. Foi então que, em agosto de 2016, terminei um namoro de quase seis anos. Mesmo querendo e sabendo que era necessária a separação, sofri. Uma amiga me apresentou ao mantra “quanto mais forte eu sou, mais forte eu fico”. E me agarrei a ele. Toda vez que pensava em não ir treinar, eu repetia: “quanto mais forte eu sou, mais forte eu fico”. Voltava fortalecida. Comecei a gabaritar as planilhas e iniciei o pilates. Emagreci. Fiquei loira. Me reinventei profissionalmente. Coloquei como meta correr outra maratona sub 4h. E saiu melhor do que esperava: 3h40m01 em junho de 2017, em Porto Alegre. Sabe aquela corrida feliz do primeiro ao último passo? Foi assim. E sem vontade de chorar – ao contrário, só sorrir.
A corrida não resolve os problemas, nem cura coração partido. Mas promove um encontro com você mesma, faz olhar para dentro ver o quanto é forte e capaz, dona do seu destino. Ajuda a deixar a tristeza para trás, abrindo espaço para a autoestima, confiança, determinação, alegria.
Desejo uma nova maratona sub 4, mas espero que não seja preciso outra separação para isso. Não, péra… Tô solteira 🙂

Maratona de Porto Alegre 2017: as 3h40m01 que me trouxeram novos horizontes
* No Instagram você me acha como @yaraachoa e @avidadepoisdos50 😉