Onde treinar corrida de montanha dentro de São Paulo

Priscila Garcia | · 29 maio, 2018

Todas as vezes que conheço alguém e a conversa se envereda para o mundo da corrida, essa pergunta aparece: se você mora em São Paulo, como treina pra corrida de montanha?

Pensando nisso, resolvi fazer um apanhado com algumas dicas de onde treinar Trail Running dentro da selva de pedra. (No próximo post, vou falar sobre os locais de treino em trilhas de verdade).

Durante os treinos de semana, não tem jeito, acabo indo para o asfalto ou esteira mesmo. Esses geralmente são mais curtos ou de velocidade, então dá para encaixar na rotina. Pelo menos uma vez por semana faço o ‘longão e tanto eu como a maioria dos corredores vamos em busca de locais específicos.

Geralmente busco simular algo parecido com o objetivo ou prova alvo. Se a próxima corrida é muito técnica, com altimetria, ou se é mais de estradão, com bastante rodagem, uso determinada informação como base para escolher o local de treino, para que quando chegue a prova, eu esteja com o corpo respondendo direitinho ao terreno instável.

Não tem tempo durante a semana? Gasolina está cara? Melhor buscar as ladeiras bosques que temos em São Paulo. Aqui vão algumas das opções que utilizo sem ter que sair do perímetro urbano.

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Rua do Matão – a famosa subida da Biologia da USP
Uma ladeira de asfalto arborizada, com aproximadamente 900m de comprimento e 55m de ganho altimétrico. Não é muito, para quem já faz provas casca grossas, mas é uma ótima opção para quem está começando a treinar subidas. Tem gente (eu) que às vezes fica subindo e descendo por mais de duas horas.

A melhor parte de treinar na Cidade Universitária é o volume reduzido de carros, os longos quarteirões e quase ausência de faróis de trânsito.

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Bosque da Física
Ainda na Cidade Universitária, para sair um pouco do asfalto, tem o Bosque da Física. Percurso curto de quase 900m, com um pequeno desnível de 17m, mas em terreno de terra batida.

Ficar dando voltas de menos de 1km não é o treino mais divertido do mundo, mas às vezes é bom para o lado mental, né? Gosto muito desse bosque, úmido e sombreado.

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Parque Alfredo Volpi
Também conhecido como Bosque do Morumbi, tem terreno estável, se comparado a trilhas, mas não é plano. Na volta de 1 km, se acumula 23 m. A área é bem gostosa e é possível também misturar o percurso dando uma volta por fora do parque, na Circular do Bosque, a rua é asfaltada e com uma subidinha respeitável de quase 50m de altimetria. O parque em si tem alguns pontos de abastecimento de água, o que é bom pra não ter que correr muito carregado.

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Trilha do Ibirapuera
Eu não adoro o Ibirapuera. Cheio demais, na minha opinião, mas de vez em quando, é a única opção possível. A trilha que circunda o parque tem 6 km, é quase inteira de terra batida e bastante rodável. Aqui, a ideia é fazer um treino offroad, sem necessariamente treinar subida.

Fugindo dos horários de pico, dá pra fazer uma boa rodagem. Por ser o parque mais movimentado da cidade, o lado prático é não ter que se preocupar com hidratação ou alimentação pós-treino. O que não faltam são opções de coisas pra se comprar.

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Volta externa do Parque Villa Lobos
Aqui, também é possível fazer uma volta externa no parque, por uma trilhazinha. Ela não dá a volta completa em terra, então é preciso usar um pedaço da ciclovia e do asfalto mesmo, mas é provavelmente um dos lugares mais planos de se treinar. A volta de 3,47 km tem 4 m de ganho altimétrico. Bom pra treinar ritmo em terreno mais natural, ou mesmo misturar com algumas voltas internas das áreas de corrida do parque em si.

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Parque Ecológico Tietê
Conheci recentemente essa área, que fica um pouco distante pra quem não mora próximo à região Nordeste da cidade. Mas achei uma excelente opção para longões. Trata-se de uma volta interna de 5 km e uma externa de quase 9 km. A volta externa tem ganho altimétrico de 60 m, mas quase não se sente.

O terreno é todo de estradinha de terra em meio à mata, beirando o Rio Tietê e com algumas represas. É possível cruzar com macacos e guaxinins. Aos sábados de manhã, muitos corredores utilizam o parque, o que sempre aumenta a segurança, mas em dias de semana, me informaram que é melhor utilizar somente a volta interna.

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Pico do Jaraguá
O local mais técnico sem sair muito da cidade. A Trilha do Pai Zé tem quase 2 km com 289 de altimetria e um trecho bastante íngreme no topo. Chegando lá em cima, uma boa opção também é subir as escadarias da antena, voltar por onde veio, ou descer pelo asfalto. Dependendo do treino.

Falei aqui dos locais que costumo treinar dentro de São Paulo, mas tenho certeza que existem muitos outros que ainda não conheço. Quem souber de mais opções, deixem nos comentários pra eu testar!

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Priscila Garcia

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Priscila Garcia é motion designer freelancer para agências de publicidade e voluntária em uma ONG de resgates de gatinhos. Encontrou pertencimento na corrida em 2014. De lá pra cá, varia entre fases de treinos muito pesados pra alguma prova em algum lugar remoto e fases de muito trabalho em que não consegue nem sair pra um trotinho. Também pratica Sanda e dança de vez em quando. Quer compartilhar situações da vida de corredora amadora, a busca por resultados dentro de sua realidade, aprendizados que surgem no meio do caminho e relatos de provas. Instagram: @prigarcia

 

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