Os 50 hoje são os novos 50

A vida depois dos 50 | · 29 jan, 2018

Meu nome é Yara Achôa e tenho 51 anos. Sou jornalista, mãe de dois filhos (Fernanda, 29, e Antônio 16). Corro desde os 39 anos (já conto como tudo começou). Completei nove maratonas e uma infinidade de outras provas de variadas distâncias. Não ligo de falar minha idade. Quando falo, algumas pessoas até se surpreendem. Talvez muita gente ainda pense em uma mulher de 50 anos começando a ter cara de vovó, fazendo tricô,  saindo de cena… ou em uma mulher que não usa determinado tipo de roupa ou que não tem tanta energia para algumas atividades. É aquela fase “nebulosa” da vida, quando muitas mulheres dizem se sentir invisíveis. Eu não faço nada para parecer mais jovem. Eu simplesmente continuo a fazer o que gosto – correr, pedalar, fazer musculação, pilates e o mais que me der na telha.

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Certa vez minha filha me mandou um texto com um título assim: “Os 50 são os novos 30”. Na hora respondi: “não acho isso. Para mim, os 50 são os novos 50”.  Acredito que estamos formando uma nova geração de mulheres que não se deixam limitar pela idade. Que estão vivas, ativas, confiantes.

Adorei o convite para escrever para o Webrun com essa pegada de mostrar que a gente pode fazer o que quiser, em qualquer fase da vida. Pode começar aos 20 ou aos 60; pode pegar leve ou querer performance; pode postar foto – e de top e biquíni, sim – nas redes sociais… A vida depois dos 50 pode ser a consolidação de uma trajetória que você começou a trilhar lá atrás ou pode ser o começo de uma nova era. Pode ser boa em todos os sentidos, com qualidade de vida, energia, ousadia.

Tudo começou às vésperas dos 40

Mas que fique claro: nem sempre fui assim, toda atleta. E esse é o barato da história.  Até os 39 anos fui sedentária. Já havia tentado algumas atividades – e nada me encantava. Foi em uma viagem a trabalho, para cobrir um evento de esportes de aventura para deficientes auditivos, para uma revista de saúde que eu trabalhava, que teve início minha paixão pela corrida. Um dos organizadores, que é corredor e virou meu amigo, falou com tanto entusiasmo do esporte, que achei que poderia ser legal. Optei pela corrida, inicialmente, pelo brilho nos olhos que vi nesse amigo. Juro que nem pensava em emagrecer (e eu estava acima do peso) ou melhorar a qualidade de vida quando dei os primeiros passos.

Esse amigo sugeriu que eu fizesse um check-up para saber das minhas condições de saúde e procurasse um treinador. Entre a decisão de correr, a consulta ao médico, os resultados dos exames e a minha avaliação com o professor, lá se foram dois meses. Tempo suficiente para eu desistir – quem nunca? Mas algo me fez ir em frente – minha vida estava começando a mudar ali. Nessa época se alguém dissesse que um dia eu iria correr uma maratona, acharia uma loucura.

Resgate da auto-estima

Só sei que nesses 12 anos de corrida foram dezenas de provas de 10 km, mais de 25 meias maratonas, nove maratonas (2x Porto Alegre, Nova York, Curitiba, Buenos Aires, Rio de Janeiro, 2x Mizuno Up Hill Marathon na Serra do Rio do Rastro, Berlin), três SP>Rio, duas Volta à Ilha, corridas de montanha… Tanta coisa boa!

A corrida foi um divisor de águas na vida. Passei por uma série de mudanças, além do lado físico. Em 2006, seis meses depois que comecei a correr, me separei. Não foi a corrida que me fez separar (vou contar sobre isso em um outro post). Mas o esporte ajudou a resgatar uma Yara que estava adormecida, que gosta de um desafio, que quer melhorar sempre.

Aos 51, sou resultado do primeiro passo que dei lá atrás, da persistência, da insistência. Não digo que todos os dias estava (ou estou) morrendo de vontade de correr. Claro que não. Mas o esporte entrou de tal maneira no meu dia a dia, que virou uma necessidade. Não sei viver sem. Hoje é meu estilo de vida.

Espero compartilhar aqui nesse espaço um pouco das minhas histórias no esporte, minhas conquistas e até inseguranças. E, com isso, mostrar que é possível começar, reiniciar, se reinventar, fazer o que você quiser e quando quiser. Vem comigo?

*No Instagram você me acha como @yaraachoa e @avidadepoisdos50 😉

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Yara Achôa, jornalista, mãe de dois filhos, começou a correr às vésperas dos 40 anos – acima do peso e sem histórico esportivo. Hoje, aos 52, já correu 10 maratonas (entre elas Boston 2018) e está melhor do que nunca (de corpo e alma), colhendo os frutos da atividade física e mostrando que idade pode ser apenas um número na carteira de identidade. Aqui no blog quer mostrar que sempre é tempo de começar, se reinventar e que a vida depois dos 50 pode ser ativa e muito divertida! No Instagram @yaraachoa e @avidadepoisdos50.

 

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