As revistas sobre corrida estão sumindo

| · 29 set, 2017

Nas últimas semanas chegou a notícia do fim de mais uma revista sobre corrida. A vitima da vez é a SportLife, publicação tradicional, trazida da Espanha e produzida pela editora Alto Astral (nos últimos anos de Brasil). Agora só ficará disponível o site, com mesmo conteúdo.

As revistas sobre corrida estão sumindo, mas não é culpa do conteúdo e sim do formato. Tanto que o site de SportLife continua, assim como aconteceu com outras publicações do gênero, como WRun, há cerca de 5 anos atrás. Nosso Webrun também mantém ótima audiência. (Obrigado, aliás!).

O veículo impresso foi a primeira fonte de conteúdo relevante sobre corrida no Brasil, em especial no início dos anos 2000. Antes dos sites (como este aqui que estamos), eram elas as primeiras a formar opinião, reunir especialistas e sim, impulsionar as pessoas em direção à uma vida mais saudável.

Lembre-se que duas das maiores organizadoras de provas têm sua origem na produção de conteúdo: tanto a Norte como a Iguana Sports são originárias da sobrevivente revista O2 e ainda mantêm forte DNA jornalístico, também em suas plataformas digitais.

O que acontece nesse segmento é natural e acompanha a tendência do mercado de impressos, que vem em uma baixa significativa ano após ano. Basta observar o que aconteceu com a Editora Abril, que já foi um dos maiores grupos de comunicação do mundo, mas ficou refém do formato e afundou junto com a ascensão do conteúdo gratuito trazido pela internet, fenômeno que durou duas décadas e está absolutamente consolidado.

Runner’s, Contra Relógio, O2, SportLife, WRun, The Finisher, Go Outside. As que ainda possuem versão impressa estão sofrendo com baixa circulação, fechamento de pontos de venda, diminuição no número de assinantes. Será que sobrevivem?

Mas não é só sobreviver, tem também o custo de acabar. Não é tão simples fechar uma revista, em especial com assinantes. Você tem uma baita dívida para pagar, com todo mundo que confiou que sua revista sobreviveria. Não é fácil também perante o mercado publicitário, já que há muitos contratos com períodos dilatados entre veículo e anunciantes.

As verbas publicitárias porém são cada vez mais enxutas e capilares. Em resumo, tem muito veículo recebendo pouca verba e dividindo atenção com microblogs, instagramers e influencers (palavras em inglês para “gente que faz sucesso na internet”). Essas personagens não tem custo nenhum para existir, nem sequer pagam salários.

As revistas – em geral – não vão sumir. É um ato cultural, de conveniência e entretenimento. Mas é um business caro e em muitos casos insustentável. Para mercados segmentados, mais difícil ainda. Você tem um palpite para a próxima vitima?

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