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1970-01-01 -
Felipe já fez natação  hidroterapia  capoeira e corrida (foto: Alexandre Koda/ Webrun)
Felipe já fez natação hidroterapia capoeira e corrida (foto: Alexandre Koda/ Webrun)

Amor de mãe é um só, mas cada uma tem a sua forma especial de demonstrar. Por isso, o Webrun entrevistou mães que não medem esforços para acompanhar o ritmo de seus filhos esportistas!

Ser mãe não é fácil. Carregar um bebê na barriga por nove meses, aprender a identificar choros e manhas, se desdobrar em duas para conseguir fazer a criança comer os legumes e estar sempre presente em suas conquistas requer muita energia.

Para Gilberta Diogo, esse desafio veio em dobro. Depois que seu filho, Felipe Augusto Diogo, nasceu com deficiência visual e a mãe não sabia o que esperar. “Eu nem sabia se ele iria conseguir andar ou falar. Sei que a deficiência não o impediria, mas eu não tinha conhecimento algum sobre o assunto”, revela.

Porém, foi da necessidade que veio o começo do amor pelo esporte. “O médico sugeriu que eu o colocasse na natação, então o matriculei quando ele tinha cinco anos. Foi bem legal, porque o professor nunca tinha ensinado um deficiente a nadar e ele se esforçou bastante para conseguir”, relata a mãe.

Depois de ter aprendido algumas braçadas, Felipe desenvolveu epilepsia e teve que deixar as aulas. Gilberta decidiu não desistir do esporte aquático e colocou o filho para fazer hidroterapia. “Não há desenvolvimento na parte da natação, mas eu queria que ele melhorasse a postura”, explica.

É comum que deficientes visuais tenham problemas na coluna, pois frequentemente ficam com a cabeça voltada para baixo. A equoterapia (com montaria) e hidroterapia (na água) reforçam as habilidades motoras relacionados ao caminhar e ao equilíbrio.

Felipe Diogo é corredor de rua há cinco anos. Foto: Rafaela Castilho/ Webrun
Felipe Diogo é corredor de rua há cinco anos. Foto: Rafaela Castilho/ Webrun

No ritmo – Desde pequeno, Gilberta conta que acompanha o filho em todas as atividades e, em raras exceções, deixa o filho ir com familiares. “Às vezes eu acho que ele até enjoa de mim, mas sempre foi assim porque o meu marido trabalhava e não tinha como levá-lo. É cansativo, porque tenho que tomar conta da casa e acompanhar a rotina dele, mas eu gosto bastante”, conta.

Além de natação e hidroterapia, Felipe já chegou a se aventurar a fazer capoeira com o grupo Capoeirando na Metô, um projeto da Universidade Metodista de São Paulo coordenado pelo Mestre em Educação Física-Pedagogia do Movimento, Eduardo Okuhara. Junto de outros alunos, o projeto promove a inclusão social, a educação, cultura e cidadania.

Voando no Asfalto – Com 28 anos, Felipe é praticante da corrida de rua há cinco anos e não é difícil encontrá-lo com sua equipe de corrida, a ONG Força no Pé, em diversas provas. “Se ele gosta, eu estarei lá”, afirma.

A mãe fica emocionada ao falar do desempenho do filho pelas ruas. “A alegria é imensa. Ele concluiu a faculdade, corre e faz uma série de coisas que me deixam orgulhosa. Para mim, é um sentimento de realização”, conclui.

Este texto foi escrito por: Rafaela Castilho