
Lia estava entre os quilômetros 34 e 36 quando as bombas explodiram (foto: Luiz Jampolsky/ Webrun.com.br)
Dia 15 de abril a médica Lia Penteado concluiria a sua quarta maratona WMM (World Marathon Majors, principal circuito de maratonas do mundo). Depois de ter enfrentado os 42 quilômetros de Nova York (2010), Berlim (2011) e Chicago (2012), <a href=/maratona/n/duas-explosoes-fazem-vitimas-na-chegada-da-maratona-de-boston/14646 target=_blankBoston seria sua quarta medalha. A partir daí, bastaria para Lia completar os percursos de Londres e Tóquio para terminar o circuito.
Porém, quando a amadora estava entre os quilômetros 34 e 36, uma mulher vestindo a camiseta da organização da Maratona de Boston parou-a e informou que ela não precisava mais correr, pois a prova havia sido cancelada.
A frustração tomou conta de Lia. Eu fiquei muito brava com aquela mulher. Sabia que alguma coisa tinha acontecido, porque ouvi muitas sirenes passando por mim, mas eu só pensava na medalha e na corrida que eu tinha acabado de perder, afirma.
Longe de tudo– No momento em que Lia foi orientada a desviar de seu percurso e caminhar até uma escola a poucos metros de onde estava, a fluminense radicada em São Paulo há cerca de 30 anos não imaginava que <a href=/maratona/n/brasileira-presencia-explosoes-em-boston-e-relata-caos/14648 target=_blankduas bombas tinham sido detonadas próximas à linha de chegada da corrida, matando três pessoas e ferindo cerca de cem.
Os dois artefatos explodiram quando o cronômetro fixado ao pórtico de chegada marcava <a href=/maratona/n/videos-mostram-o-momento-das-explosoes-na-maratona-de-boston/14649?pag=1#exibir target=_blank4h09min de prova, aproximadamente o tempo médio que grande parte dos maratonistas amadores gasta para percorrer o percurso de Boston (em 2012 a média geral foi de 4h18min, de acordo com a Boston Athletic Association, organizadora da prova).
![]() |
| A médica Lia Penteado não chegou a ver o cenário devastador na chegada da prova Foto: Reprodução/ Youtube |
Alheia ao caos e aos acontecimentos a apenas seis quilômetros mais adiante, a fluminense decidiu seguir o percurso da prova, pois por já estar próxima de seu hotel, chegaria mais rápido em um local que pudesse se proteger do frio.
Eu perguntei para um policial que estava na rota da prova e ele me disse que não sabia o que tinha acontecido, mas parecia que uma bomba tinha explodido, por isso seria melhor eu ir até uma escola de onde estava saindo ônibus para transportar os atletas, relembra.
Às cegas– A orientação policial acabou parecendo pouco convincente para a médica. Se guiando pelo celular, a brasileira viu que estava cada vez mais perto do seu hotel, por isso decidiu continuar seguindo o percurso da prova. Tinha gente na rua, porque não tinha ônibus, táxi ou metrô e com o celular eu fui segundo meu caminho, explica a médica.
Porém, pouco tempo após ter descartado a orientação policial, Lia se viu sem mapa pelas ruas de Boston. Por motivos de segurança e também por desconfiar que mais ataques pudessem acontecer, os sinais de celulares foram interrompidos na cidade americana.
A sorte é que todo mundo já sabia o que tinha acontecido, então me ajudaram a chegar ao hotel. Até café de graça eu ganhei em uma cafeteria.
Pedido de desculpas– Lia descreve que a atmosfera em Boston é de extrema tristeza e luto. A cidade já estava funcionando normalmente desde terça-feira, mas segundo ela muitas pessoas ficaram em casa com medo. Meus irmãos moram aqui e me disseram que muita gente que mora nos subúrbios não foi trabalhar, e o número de policiais andando pelas ruas é enorme, ressalta.
Para a médica, que acabou não presenciando as cenas devastadoras da última segunda-feira, uma coisa chamou muito a sua atenção: a preocupação de alguns americanos com a segurança de corredores de outros países. Quando cheguei ao meu hotel, conversei com dois casais e as quatro pessoas estavam muito abaladas, mas fizeram questão de pedir desculpas por tudo que aconteceu, encerra.
![]() |
| Apesar de Lia dizer que a cidade voltou ao normal, muitos policiais ainda estão pela cidade Foto: Xinhua / Imago / Fotoarena |
Este texto foi escrito por: Renato Aranda

