
Valdenise Souza presenciou as explosões em Boston (foto: Adriano Carrapato/ Webrun.com.br)
A festa e confraternização que a maratona mais antiga do mundo proporciona foram manchadas por <a href=/maratona/n/duas-explosoes-fazem-vitimas-na-chegada-da-maratona-de-boston/14646 target=_blankduas explosões que causaram a morte de duas pessoas, além de deixar mais de 20 feridos.
Cerca de duas horas após os atletas de elite completarem a 117ª edição da Maratona de Boston, a linha de chegada se tornou um local caótico. Toda a confraternização e emoção que marcam o fim de uma maratona deram lugar a cenas aterrorizantes e desesperadoras.
Dados da Boston Athletic Association apontam que mais de 21 mil pessoas estavam inscritas para os 42 quilômetros de corrida que marcam as comemorações do Patriots Day (feriado patriótico que celebra as primeiras batalhas da guerra de independência dos Estados Unidos).
Desse número, 131 eram brasileiros e a engenheira de segurança Valdenise Souza foi uma das corredoras do país que cruzaram a linha de chegada. Mas ao invés de realizar um sonho, viveu momentos de terror.
Caos e desespero– Valdenise deixou as ruas da Universidade de São Paulo tradicional ponto de treino dos corredores paulistanos com a marca de 3h35min para os 42 quilômetros. Porém, uma lesão pouco antes de embarcar para Boston a deixou sem as condições ideais de buscar sua marca pessoal mais rápida.
Apesar de estar machucada, a paulistana conseguiu cumprir todo o percurso de Boston, mas com um tempo acima do esperado. De acordo com o cronômetro de punho de Valdenise, ela levou 4h17 para correr a maratona, tempo que colocou a corredora e sua mãe, que havia participado da corrida de cinco quilômetros, em momentos de desespero.
Eu tinha acabado de chegar. Estava pegando a medalha, daí eu ouvi a primeira explosão. No começo eu achei que fosse um transformador explodindo, pois o som foi muito parecido. Logo em seguida veio a segunda explosão e só aí que eu vi a fumaça, lembra, ainda atordoada com o ocorrido.
Apesar de ter visto a bola de fogo subir pelas arquibancadas e ter ouvido o forte estrondo, Valdenise só recebeu informações sobre o que tinha acontecido quando já estava distante da região da maratona. Na hora a gente não teve orientação, não teve nada. Antes do começo do corre-corre passaram-se quatro, cinco minutos e ninguém nos orientou. A gente continuou no mesmo ritmo de final de corrida, andando para sair da muvuca, relata.
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| Duas bombas explodiram próximas à linha de chegada da Maratona de Boston Foto: Reprodução/ Youtube |
Coração partido– A manhã do dia 15 de abril estava agitada em Boston, mas em clima de confraternização, conta Valdenise. Em função de a maratona ser uma festividade, um grande número de pessoas se deslocou até o percurso para torcer por familiares, amigos ou apenas acompanhar uma das mais tradicionais e importantes corridas de rua do mundo.
É uma festa linda. As pessoas daqui, moradores, ficam na calçada torcendo por você, dando força. Têm grupos de meninas oferecendo beijos, as crianças te dão a mão, é lindo. E o que aconteceu aqui parte meu coração, lamenta.
Após a segunda explosão, enquanto a brasileira deixava a região da maratona, viu cenas de guerra, que a deixou em estado de choque. Eram pessoas mutiladas passando por mim. Corredores sem perna. Foi algo horrível. Na hora eu só pensava na minha mãe, que estava ao meu lado, diz, com a voz entristecida e embargada. “Nós demos muita sorte, porque eu tinha acabado de chegar”, completa.
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| Valdenise Souza relata que presenciou explosões e caos ao terminar sua maratona Foto: Reprodução/ Youtube |
Medidas de segurança– Hospedadas a aproximadamente dois quilômetros de onde aconteceram as explosões, Valdenise a sua mãe notaram alterações na segurança do hotel em que estão. Uma das medidas foi um controle mais rígido para o uso dos elevadores. Além disso, a rua também está bloqueada para o tráfego de veículos.
Logo após as explosões, a cidade de Boston fechou todas as linhas de metrô e também cancelou as demais festividades previstas para o dia, entre elas um jogo do time de baseball local e uma apresentação da orquestra sinfônica.
A expectativa de Valdenise agora é de conseguir encontrar o aeroporto aberto nesta terça-feira (16/04), já que ela e sua mãe têm um voo marcado para Nova York, onde passarão o restante da semana. A gente volta domingo (21/04) para o Brasil. É uma pena, porque é uma festa linda na cidade. Já chorei um monte, encerra, ainda sem conseguir assimilar direto o que acabara de viver.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda

