
O companheirismo valeu mais do que o resultado (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
José Virgnio de Morais, tricampeão do Circuito Brasileiro de Corridas de Montanha, resolveu encarar mais um desafio em sua carreira no último domingo (17/03): disputar os 42 quilômetros do Mountain Do Atacama, a 2.500m de altitude no deserto mais seco do mundo. Além das dificuldades climáticas e dos adversários, ele teve que lidar com o extravio de sua mala contendo os equipamentos para a corrida.
A saída do aeroporto de Santiago (Chile) já foi tumultuada, já que o tempo entre a chegada à capital e a conexão ao deserto foi curta o que o obrigou a pegar um voo seguinte ao programado. Ao desembarcar em Calama (a 100 quilômetros de San Pedro de Atacama, local da prova), Zé se deu conta que sua bagagem havia sido extraviada.
Como a maratona só aconteceria dois dias depois, ele ficou tranquilo e na expectativa que seus equipamentos chegassem a tempo. Na véspera da corrida, porém, ele se deu conta que não poderia contar com seu tênis predileto, sua mochila de hidratação, roupas e todos os demais acessórios.
Com o psicológico abalado, ele teve ajuda de alguns alunos de sua assessoria (JVM) que estavam presentes, assim como leitores do Blog Rei da Montanha e pessoas desconhecidas. Em questão de minutos ele já tinha meias de compressão, gel de carboidrato, shorts, óculos escuros, cinta de hidratação e outros equipamentos necessários para correr.
“Tive a colaboração de amigos que eu nem conhecia. Pessoas de vários estados do Brasil me ofereceram tudo quanto é tipo de coisa para que eu não ficasse desfalcado”, relata o competidor. “É isso que eu busco nas corridas de montanha e passo para alunos e amigos: amizade e companheirismo. Eram 22h de sábado e havia pessoas preocupadas comigo”, completa emocionado.
Após 3h23min57, ele cruzou a linha de chegada com a sensação de dever cumprido. “Esse segundo lugar é lucro depois de tudo o que eu passei. Fiz o melhor possível, tanto por mim, quanto por todos que estavam na torcida”, relata.
O trajeto foi composto por diversas dunas, terrenos acidentados, cordilheiras de sal, mas muito interessante tecnicamente na opinião do corredor. “Existem vários trechos onde é possível correr bem, mas é sempre necessário tomar cuidado com a altitude e o ar rarefeito. As dunas são trechos mais complicados, mas nada de outro mundo, e tenho certeza que nos próximos anos os amadores vão poder correr sub três horas”.
E para aqueles que ficaram preocupados com a hidratação, o paulista conta que ficou impressionado com a ótima estrutura encontrada. “Por incrível que pareça, no deserto mais seco do mundo havia água e isotônico gelados em todos os postos. Tenho alunos que finalizaram em mais de seis horas e disseram a mesma coisa”.
Para Euclides S. Neto, o Kiko, organizador do evento, a primeira edição, em 2012, serviu de aprendizado para elevarem o nível da prova. “Sempre corremos atrás de qualidade e buscamos a excelência. Tivemos 300 corredores a mais, conseguimos trabalhar de forma ordenada e acredito que esse deve ser o limite máximo para atender bem a todos”. Ele conta ainda que trabalhar em outro país exige muito mais dedicação da equipe de staffs. “Acompanho pessoalmente todo o processo, desde a saída dos caminhões do Brasil, para ter certeza que os corredores se divirtam”, finaliza.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda