Cannabis e corrida: O que precisamos saber sobre o limite entre saúde e doping

Roberto Beck | Corrida · 06 maio, 2026

A imagem da cannabis no esporte mudou drasticamente nos últimos anos, passando de uso recreativo a aliada no tratamento de dores crônicas, ansiedade, insônia e recuperação muscular. Mas, seu uso não é isento de regulamentação se você participa de provas oficiais, por isso o cuidado deve ser redobrado.

Foto: Adobe Stock

Por que algumas substâncias entram na lista da WADA? Entenda os 3 pilares.

São avaliados três critérios fundamentais e se a substância cumpre pelo menos dois deles, ela é banida:

  1. Potencial de melhora de desempenho
  2. Risco à saúde do atleta
  3. Violação do “Espírito do Esporte”

A WADA atualiza sua Lista de Substâncias Proibidas anualmente e, para 2026, a regra permanece a mesma. Por exemplo, o CBD (Canabidiol) isolado é permitido. Não tem efeitos psicoativos e é amplamente utilizado para recuperação muscular e sono.

Já o THC (Tetrahidrocanabinol) tem restrição durante o período de competição, já que é o componente que tem efeitos psicoativos, dose-dependente.

É importante lembrar e entender que existe uma diferença entre o período de preparação e o de competição, já que essa janela de uso é essencial para atletas que utilizam cannabis medicinal, sendo, inclusive, um dos maiores pontos de atenção dentro do esporte de alto rendimento.

A WADA estabelece um limite de tolerância para THC na urina de até 150 ng/mL. Fora do período competitivo, o uso não é punido. Já durante competições, a situação muda: se o atleta for testado no dia da prova e apresentar níveis acima do permitido, pode sofrer suspensão.

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O principal risco está no fato de o THC ser uma substância lipossolúvel, ou seja, armazenada na gordura corporal e liberada gradualmente pelo organismo. Isso significa que, mesmo interrompendo o uso dias antes da competição, um treino intenso no período pré-prova pode mobilizar essa gordura e fazer com que o exame detecte níveis elevados da substância.

É muito importante se atentar as regras, para não passar por problemas em competições oficiais, digo isso tanto para atletas profissionais, quanto amadores, já que as regras têm se expandido e sido também aplicadas para este segundo público também.

Roberto Beck

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Dr. Roberto Beck é médico otorrinolaringologista e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, atendendo na Care Club e na Clínica Gatti. Trabalha com cannabis medicinal e é médico-assistente do Departamento de Otorrinolaringologia do HC-FMUSP. Fez seu fellowship em eletroneurofisiologia da audição e monitoramento intra-operatório de nervos cranianos. É membro da comissão de título de Especialista da ABORL-CCF.