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1970-01-01 -
Prática do treino em jejum tem seus benefícios (foto: Nick Dolding/ Zuma Press/ Foto Arena)
Prática do treino em jejum tem seus benefícios (foto: Nick Dolding/ Zuma Press/ Foto Arena)

Poucos meses atrás na Revista O2, na seção em que eles colocam dois profissionais defendendo pontos de vistas divergentes sobre o mesmo assunto, perguntaram algo como: podemos correr em jejum?

Por que não? – O que diz o senso comum e a maioria dos treinadores e nutricionistas? “Não”. Por quê? Basicamente o organismo vem de muitas horas sem se alimentar e o corpo não teria reservas suficientes de glicogênio para treinar de forma adequada. E o que diz a prática? Que esse receio teórico é um temor infundado.

<a href=/home/n/correr-em-jejum-certo-ou-errado/14081 target=_blankCorrer em jejum: certo ou errado?

Não lembro o nome do profissional que inclusive defendia alguns treinos em jejum. Ele não cometeu nenhuma irresponsabilidade, ele apenas disse o que a experiência prática e alguns estudos mostram: o treino feito em jejum acaba mobilizando mais gordura sem trazer nenhuma consequência danosa ao organismo.

A explicação não poderia ser mais lógica: com reservas de glicogênio longe de completas, o corpo compensa a situação utilizando mais gordura como substrato energético naquele treino feito em jejum pela manhã. Para quem corre provas mais longas, como meia maratona ou maratona, “ensinar” o corpo a usar a gordura tem enormes vantagens, pois ao final da prova o organismo terá mais glicogênio disponível.

Africanos da equipe brasileira MMC frequentemente treinam em jejum    -  Foto: Divulgação/ Fila
Africanos da equipe brasileira MMC frequentemente treinam em jejum – Foto: Divulgação/ Fila

Então seria só sair correndo todo dia em jejum? – Claro que não. Quando um treinador ou nutricionista diz que faz mal correr em jejum, ou ele está ignorando a ciência, ou está mal informado, ou está sendo preguiçoso em estipular quando se pode correr dessa forma já que não faz mal nenhum ou até faz bem a quem treina frequentemente. Aos temerosos, saibam que há estudos que já tiveram essa ideia antes e a conclusão é que há maior participação da gordura como substrato energético sem maiores perdas.

Recentemente conversava com atletas, antes da Tribuna, em Santos, e descobri que eu não era o único que havia adotado treinos em jejum propositadamente em algumas sessões.

Então eu termino o texto não com uma resposta sobre se é seguro correr em jejum, já que está mais do que claro que há muitas ocasiões na qual essa estratégia é segura e muito bem-vinda, mas termino é com uma pergunta: por que há tanto profissional da Saúde dizendo que não se pode correr em jejum?

Seria desinformação ou preguiça? Não sei. Mas se há situações nas quais você vai ter que treinar em jejum, vá com cuidado, mas vá sem medo, apenas converse antes com algum profissional que possa orientá-lo sem ficar pregando mitos.

Este texto foi escrito por: Danilo Balu