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1970-01-01 -
Fernanda Keller disputando uma das etapas 2003 do Troféu Brasil de Triathlon (foto: Fernanda Paradizo)
Fernanda Keller disputando uma das etapas 2003 do Troféu Brasil de Triathlon (foto: Fernanda Paradizo)

Podemos chamá-la de Fernanda Triathlon Keller, sinônimo da modalidade no Brasil, atleta se prepara para chegar aos 40 anos com o jeito de sempre, bela e vencedora.

Fernanda Keller e traithlon são dois nomes que se fundem no Brasil. Uma das pioneiras do esporte, a carioca segue firme como modelo. Modelo de competência beira os 40 anos figurando entre as cinco melhores do Ironman do Havaí. Modelo de dedicação são 21 anos correndo, pedalando e nadando para, em outubro, encarar a 17ª participação consecutiva na prova havaiana, considerada a mais dura da modalidade. Modelo de beleza e saúde os anos, para ela, parecem passar apenas na carteira de identidade.

Não é qualquer atleta que consegue, após 21 anos de carreira, manter o alto nível competitivo. Uma das comprovações de que a triatleta está em plena forma é a conquista do Brasileiro de Longa Distância, realizado em Brasília (DF), em abril. A carioca completou os 2,5 km de natação, 100 km de ciclismo e 25 km de corrida com o tempo de 5h27min22, quase dez minutos à frente da segunda colocada.

Melhor triatleta nacional na atualidade em provas de longa distância, conquistou seis medalhas (1994, 95, 97, 98, 99 e 2000) de bronze no Ironman do Havaí. Na edição do ano passado, ficou em quinto lugar, com o tempo de 9h31min38s, além da conquista do título de “Miss Consistence” por ser a única atleta do circuito mundial a ter participado de 16 edições consecutivas (desde 1987) da competição. “Continuar ficando entre as cinco melhores é maravilhoso, não tenho do que reclamar. Não conheço nenhuma outra atleta que tenha subido ao pódio tantas vezes, sempre entre as dez primeiras”.

Comprovando que a idade não pesa nos ombros, na temporada 2002, além do quinto lugar no Havaí, Fernanda Keller ficou em 6º no Ironman da Nova Zelândia, em 3º no Ironman Brasil, venceu o Campeonato Brasileiro de Longas Distâncias e participou do Extra Distance, um desafio que envolveu quase 4 mil km de ciclismo e sete dias de esforço, entre Fortaleza e São Paulo. Este ano, a triatleta já participou do meio Ironman de Púcon, no Chile (6º lugar) e da 1ª etapa do Troféu Brasil (3ª colocada). Para dar conta do ritmo intenso de competições, chega a treinar por semana cerca de 30km de natação, 100km de corrida e 500km de ciclismo, sob o comando do técnico Marcelo Borges, que a acompanha há mais de 10 anos.

A estréia no Ironman como profissional aconteceu em 89, quando foi quarta colocada. Nos anos anteriores participou como amadora. Para quem sonha triunfar como um ‘triatleta de ferro’, uma dia de quem entende do assunto. “A experiência ao longo destes anos foi me ajudando a ter uma melhor performance no evento. É importante entrar na prova sabendo o que vai encontrar, se adaptando e corrigindo sua preparação a cada ano. Mas fundamental é ter uma meta. Na primeira vez que competi no Havaí, meu objetivo era cumprir a prova sem andar e consegui.” E fala com orgulho da modalidade que abraçou. “Me especializei em uma das mais importantes provas do mundo. Desde o começo senti que tinha facilidade para competir e talento. Outro ponto que me atraiu para o ironman é o fato de que só depende de mim para participar. Claro que preciso de apoio e boa preparação, mas não dependo de convocação.”

Fernanda Keller entrou para o triathlon quando cursava a faculdade de Educação Física, no início da década de 80. A esportista disputou o segundo evento da modalidade no Rio de Janeiro, quando a modalidade começava a invadir as terras brasileiras. A nostálgica triatleta confessa que, apesar de toda a evolução do esporte no Brasil, sente saudades das primeiras competições. “Na atualidade, o investimento é maior, as atletas têm mais experiência e o material que usamos tem mais qualidade e são específicos para o triathlon. A Internet trouxe acesso às melhores provas do mundo e o intercâmbio entre atletas. Com certeza tudo isso é muito bom. Mas a sensação de desbravar um novo esporte ficou somente para quem foi pioneiro como eu. Antes havia uma união maior entre os praticantes, não que hoje não haja, mas atualmente a relação é muito profissional. Na época em que comecei, as viagens para competir pareciam excursões, levávamos a sério, no entanto era novidade e todo mundo se ajudava”.

Pizza – Sucesso no esporte, um belo corpo e qualidade de vida são o resultado da soma treinamento + alimentação adequada. Controle rigoroso do que entra na boa não significa necessariamente uma dieta radical. A carioca afirma que não passa vontade, no entanto segue uma alimentação saudável baseada em legumes, verduras e grelhados. Fritura não entra no cardápio e nem refrigerante (não gosta), mas doces são permitidos com moderação. “Eu como massa, sorvete, chocolate. Não faz parte da minha dieta de atleta, mas eu posso comer de tudo. Se sair para comer pizza e estiver com fome, chego a comer até três pedaços. Mas não faço isso com regularidade. Apenas evito exageros. Não sou aquela chata radical que não põe nada na boca. Mas não dá para negar que um dos segredos para ter um corpo bonito é se alimentar de forma equilibrada, comer mais verduras e menos gorduras, praticar um esporte”.

No total são cinco refeições ao longo do dia e a dieta é complementada complexo de minerais e vitaminas, repositor energético e carbogel. A integrante da equipe Pão de Açúcar/Nike tem preferência pelas barras de cereal após o treino e não passa mais de três horas sem se alimentar. A saúde e conseqüente boa aparência são resultados de cuidados diários e prevenção. “Vou a dermatologista com regularidade, pois o ponto fraco do triatleta é a pele em razão da exposição ao sol. Semanalmente faço tratamentos no rosto com uma esteticista. Além disso tenho acompanhamento de uma geriatra, que me orienta nos cuidados com a saúde. É um trabalho de prevenção. Isso não é só para depois dos 60, quem puder tem que se cuidar logo cedo”.

Se para muitos atletas a marca dos 40 é sinônimo de aposentadoria, a regra não vale para Fernanda Keller. Ela afirma que enquanto tiver condições de se dedicar ao esporte estará participando de campeonatos. “Minha modalidade é de superação e nunca marquei data para nada na minha vida, tudo sempre aconteceu naturalmente. Então, não sei quando vou parar.” A quinta colocação na edição 2002 do Iroman do Havaí é motivação de sobra para Keller brigar pelo pódio nesta temporada e a preparação está toda voltada para este evento. Além dos treinos físicos, Fernanda faz aula de yoga duas vezes por semana (trabalhos de alongamento, flexibilidade e respiração) e sessões de shiatsu.

O bom desempenho em competições longas e o regulamento não deixam espaço para a “sedução” das provas olímpicas. “Deixei o triathlon olímpico porque as provas começaram a permitir vácuo, o que não me favorece. Meu ponto forte é a corrida e o ciclismo, já prova com vácuo dá chances na natação. Então, escolhi ficar apenas com ironman. Participo do Troféu Brasil como preparação e também porque não permite vácuo.”

Quando não está concentrada nos treinos, Fernanda Keller cuida do projeto social que leva o seu nome e atende 700 jovens, de 7 a 17 anos, há 5 anos em Niterói. O esporte ensinado à garotada não poderia ser outro além do triathlon. Ela também apoia a Escolinha de Esportes da Viradouro, a qual reúne diversas modalidades. “Sempre tive o sonho de poder ajudar as pessoas. Não adianta de nada ter troféu na parede. Então joguei a sementinha para dar uma oportunidade para essas crianças e jovens terem acesso ao esporte e, quem sabe, serem os novos campeões”.

Pra quem passou praticamente metade da vida revezando três atividades em busca da vitória, nada melhor que três regras cimples para cruzar a linha de chegada na frente. “Lrgar forte, continuar forte na prova e chegar ainda mais forte.”

Perfil:
Fernanda Keller
39 anos
54 kg
1,68m

Resultados:

5º lugar Ironman do Havaí, 3º lugar Ironman Brasil, em Florianópolis/2002, 2º lugar Ironman Brasil, em Florianópolis/2003.
Seis vezes medalha de bronze no Ironman do Havaí 1994, 95, 97, 98, 99 e 2000
Hexacampeã do Troféu Brasil – 1991, 92, 93, 94, 95, 96
Tetracampeã Triathlon Porto Seguro – 1991, 92, 94, 97
Recordista sul-americana do Ironman do Havaí, com o tempo de 9h24m30.

Este texto foi escrito por: Renata Rondini (*)- Revista SuperAção