Dia de verão e ventos na USP: mais um 70.3 completo e cheio de histórias

1kdecada | Ironman · 25 set, 2025

Neste domingo participei do meu segundo 70.3! A etapa na capital paulista reúne o maior número de participantes (e torcida) no mesmo metro quadrado: a cidade universitária, também conhecida como USP.

Depois de completar em abril minha primeira prova desta distância (nada 1.900, pedala 90km e corre 21km), fiquei tão animada que logo fui atrás para participar, ainda este ano, de outra etapa e quando vi já estava inscrita em São Paulo.


Foram muitos treinos com temperaturas baixas, chuvas e muita força de vontade durante um inverno que se estendeu e dificultou as chances de manter a positividade em dia. Mesmo assim tive uma baita evolução e me senti super preparada para enfrentar mais um desafio.

Além dos treinos, nesse ciclo tive uma companhia importante, a Lu, uma amiga especial e que foi uma das grandes responsáveis por viver tudo isso. Ela que me deu a primeira pulseirinha de Ironman como um convite e caminhou lado a lado em treinos fáceis e difíceis.

Foto: Divulgação

A única coisa que nenhuma de nós duas esperávamos é que o dia 21 de setembro seria escolhido para ser uma grande oportunidade do sol brilhar, contradizendo todo o ciclo friorento que tivemos.

Largamos às 6h em um dia lindo, depois da Lu me falar que tinha esquecido todas as garrafinhas da bike dela. Eu fiquei em choque. Ela mais ainda. E acabou que não largamos juntas como planejado, mas rezei tanto para que as coisas se resolvessem e logo no fim da natação encontrei o marido dela que me tranquilizou que tudo tinha dado certo. O problema é que só fui ver a Lu de novo durante a corrida, algo que me deixou muito angustiada e ainda mais focada na oração rs.

Voltando pra natação, é uma modalidade em que me sinto segura e confortável. Treino diariamente longas distâncias e a metragem não me assusta. Não sou uma nadadora incrível, mas também não passo vergonha, então sigo firme no propósito de entregar o meu melhor.

A transição número 1 foi bem tranquila, fiz tudo com calma (depois percebi que até demais) e segui pro ciclismo com uma ótima sensação. O início do percurso é bem truncado, cheio de desníveis, buracos e túneis, dessa forma você tem que ficar mais atento ao chão e a movimentação de outros atletas. A prova só fica mais fluída chegando na Marginal, onde temos mais espaço para pedalar (ou pelo menos deveria ser assim).

Foto: Divulgação

Além do calor de +35 graus, um vento maluco resolveu aparecer durante o ciclismo. Além de muita gente voar (e ser atingido por cone voador) fazer força virou algo inevitável, então enquanto eu aproveitava o vento a favor, cadenciava no retorno o vento contra para também não gastar todas as minhas fichas no ciclismo, afinal ainda faltavam 21km correndo.

Segui dando o meu melhor sem me deixar enfraquecer 100% e terminei aliviada os 90 quilômetros retornando pra USP ainda com pernas pra corrida. Só que quando fui para a última parte da prova, apesar da mente estar bem, as pernas já não concordavam mais. O interno das minhas coxas tinham tipo uma semi cãimbra, onde precisei gerenciar a energia de sorrisos pros familiares que estavam torcendo e aliviados que tinha dado tudo certo na bike, com aquela confusão mental que sempre aparece de: “nem ferrando você vai conseguir correr 21km”.

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O primeiro posto de água chegou e junto com ele derramei água no corpo, o que aliviou bastante aquela sensação e ali percebi que não daria só pra passar correndo nos postos, seria necessário fazer uma hidratação extra com boné na água pra refrescar a cabeça, copos na mão pra beber e pra se ensopar.

E essa foi a minha estratégia durante os 21km.

Nesta prova fizemos três voltas de 7km. Na primeira precisei convencer minha mente que conseguiria completar aquilo. Apesar de estar correndo rápido, o corpo estava gritando e eu levemente preocupada com o pace, porque sabia que seria cobrada nos quilômetros finais. Administrei a respiração, postura. Encontrei amigos, meu treinador disse que estava ótima. Eu estava mesmo, assim fui ganhando confiança.


Depois da minha primeira volta completa e passagem pela família e amigos ganhei energia extra, a segunda volta teve um gostinho especial, parece que renasci das cinzas e consegui sentir a energia entrando em mim. Me concentrava pra sorrir  e agradecer a torcida no lugar onde o público estava, nas partes silenciosas e vazias eu abaixava a cabeça e me concentrava, lembrando que cada passada me deixava mais perto do final. Pra mim andar não era uma opção, porque ficaria desestabilizada e ainda mais cansada, então segui.

Na terceira e última volta só pensava na pulseira rosa, a última entregue para cruzar a linha de chegada. Meu pace abaixo de 6 minutos por quilômetro me abraçava mostrando que todo treinamento valeu a pena. Quando recebi a pulseira quis chorar, agradeci a Deus e caminhei pro final da prova. Segui parando nos postos de água pra me ensopar e refrescar, fiz isso pela última vez.


Nesse momento já tinha encontrado a Lu e vi que estava calma, nossas amigas também estavam no percurso ajudando-a e fortalecendo a mente, então sabia que não ia desistir. Agora era a hora de fechar a minha parte.

Parti pra reta final da torcida, muita música, gritos, minhas amigas falando o quanto eu era forte. Desconhecidos elogiando o sorriso que não saiu do rosto. Surpresa das minhas familiares que apareceram na prova. Meu namorado a cada volta gritando por mim. O match perfeito, a conquista perfeita. Eu já não olhava o tempo, só queria cruzar a linha de chegada.

Cruzei e achei que ia chorar, mas não chorei. Me senti realizada, feliz, cansada claro, mas percebi que aquilo já não era impossível, mas sim uma realidade treinável. Jamais deve ser menosprezada pela sua dificuldade, mas meu corpo gostou daquilo.

Não bati RP, na verdade fiz exatamente o mesmo tempo de Brasília. Um gostinho salgado na boca de um tempo que achei que seria melhor, mas as condições infinitamente mais difíceis em SP não permitiram. Além disso, cada prova é uma prova.

Melhorei minha natação – de média de 1’58 fomos pra 1’55 – a corrida também, fizemos 21km sub 2h (inacreditável) – com média de 5’43, ao distantes 6’08 que fiz em DF. Apenas a bike a média ficou de 30km/h não batendo a primeira prova onde encaixamos um belíssimo 32km/h, mas as adversidades influenciaram muito nessa prova.


De qualquer jeito, olhar o que foi feito agora e me comparando comigo mesma, é incrível ver e entender o poder da evolução do corpo de um ser humano. O quanto é possível melhorar quando queremos e fazemos acontecer, treinando pra isso.

O mais legal de tudo é que vejo um gap IMENSO de melhorias e isso me deixa ainda mais animada e com o coração quentinho pra continuar construindo minha história nesse esporte que sou completamente apaixonada.

Vamos para a próxima?

Chris Volpe é santista, triatleta, corredora e faladeira - não necessariamente nessa ordem: "Se pudesse faria todos os esportes ao mesmo tempo, enquanto isso não é possível vou fazendo um de cada vez". Passou por veículos como Webrun, Sua Corrida e WRun, além de participar e cobrir de diversos eventos do mundo running. No Instagram: @volpechriss