Para um corredor, treinar é parte do seu dia a dia, seguir planilhas, cuidar do seu pace. Mas o excesso de treino pode ir além do físico levando ao esgotamento mental. O que afeta a motivação e o prazer de correr.
Mas por que isso acontece? Vivemos hoje numa cultura onde a superação precisa ser constante, e descansar parece fraqueza, e o silêncio parece perda de tempo. Mas o corredor deve ter em mente que descanso é parte da performance. Para consolidar o aprendizado, processar emoções e restaurar energia, a mente precisa de pausas. Sem isso a fadiga emocional surge e consequentemente o prazer de correr enfraquece.

A origem da fadiga emocional começa na exigência excessiva e busca da perfeição. Quando o comprometimento se torna autocobrança. A mente erroneamente passa a acreditar que descansar é regredir. A exigência constante ativa o sistema do estresse o que eleva os níveis do cortisol e reduz a capacidade de recuperação emocional. E o treino passa a ser uma obrigação.
Depois temos a falta de pausas mentais. Mesmo quando o corpo descansa, a mente do atleta pode não desligar. Pois seus pensamentos estão constantemente ligados aos fatores dos treinos, seus resultados. Como se a mente continuasse no modo desempenho sempre. A ausência de descanso impede a reposição dos neurotransmissores ligados ao bem-estar, serotonina e dopamina, o que leva ao cansaço mental e a desmotivação.
A comparação e validação externa também é um outro fator da fadiga emocional. As redes sociais e os apps de corrida cercam o atleta de estímulos comparativos o tempo todo. A dopamina se torna dependente de curtidas e comentários. E aos poucos o prazer intrínseco, a corrida por si, dá lugar ao prazer extrínseco, correr para mostrar. Essa dependência afasta a motivação aumentando o risco de frustração.
Podemos perceber também a fadiga emocional acumulada, que diz respeito a todo o estresse que temos no nosso dia a dia, nosso trabalho, relacionamentos, sono, preocupações, ações que já consomem parte da nossa energia emocional, e aí falta energia para o sistema nervoso lidar também com o estresse do treino e das competições. E o resultado é a fadiga sistêmica, física, emocional e mental.
A desconexão com o propósito acontece quando o foco sai do prazer para o desempenho, o sentido inicial se perde. A desconexão entre o que faz e por que faz é um dos gatilhos mais silenciosos do esgotamento mental.
Preste atenção aos sinais que antecedem a fadiga emocional:
1. falta de entusiasmo
2. irritabilidade
3. impaciência
4. sensação de vazio
5. dificuldade de concentração
6. alterações do sono
7. vontade de desistir mesmo amando a corrida
Quando o atleta perde o equilíbrio entre esforço e pausa, exigência e prazer, foco e presença, o overtraining aparece.
O problema não é treinar demais, é recuperar menos, físico e emocionalmente. Lembre-se a mente exausta rouba do corpo a energia necessária para a corrida.