Como adaptar os treinos para quem tem fibromialgia

Elizama Modesto | Saúde · 11 nov, 2025

Para muitas pessoas que levam uma vida ativa, receber o diagnóstico de fibromialgia pode parecer o fim de uma carreira esportiva. Contudo, especialistas afirmam que a condição não impede a prática de exercícios físicos. Com os ajustes adequados e acompanhamento profissional, é possível não apenas manter os treinos, mas também utilizar o esporte como ferramenta para controlar os sintomas e melhorar o bem-estar.

O impacto dos sintomas da fibromialgia

“Os sintomas mais comuns que interferem diretamente na prática esportiva são: dor muscular difusa, fadiga intensa, rigidez matinal, além de distúrbios do sono e dificuldade de concentração”, explica Dr. Maurício Leite, ortopedista membro da Sociedade Americana de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS).

Especificamente para quem corre, os sintomas da fibromialgia podem ser sentidos como perda de rendimento, dificuldade para manter ritmo, maior tempo de recuperação e maior sensibilidade a impactos.

Além disso, de acordo com Dr. Diego Munhoz, médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho, os efeitos da fibromialgia em quem treina reflete diretamente no período após o treino. “Há maior sensibilidade à dor após treinos intensos, rigidez matinal e dificuldade de recuperação muscular. Em muitos casos, a dor não está relacionada a lesão estrutural, mas sim a uma alteração na forma como o sistema nervoso processa os estímulos dolorosos, o que leva a uma percepção aumentada da dor. Isso pode gerar frustração, queda de rendimento e até afastamento temporário das atividades esportivas”, ressalta o especialista.

Foto: Adobe Stock

Exercício como aliado no controle dos sintomas

Ao contrário do que muitos imaginam, atividade física é fundamental para quem tem fibromialgia. Ambos os especialistas afirmam que a prática regular de exercícios é fundamental.

“Ter uma vida ativa é possível e, em muitos casos, é altamente recomendado. A prática regular de exercício físico, principalmente aeróbico de baixo e moderado impacto, está associada à redução da dor, melhora do humor, do sono e da função física em pacientes com fibromialgia”, afirma o Dr. Maurício Leite. “Para atletas, isso significa que manter os treinos, com os devidos ajustes, pode ajudar a controlar os sintomas, e não piorá-los. O mais importante é respeitar os limites do corpo e evitar picos de esforço desnecessários”, ressalta.

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Para o Dr. Diego Munhoz, também é importante incluir alongamentos, fortalecimento progressivo e técnicas de relaxamento, além de garantir intervalos adequados de descanso. “Treinos devem ser graduais, com aumento lento de volume e intensidade. O acompanhamento multidisciplinar — com médico, fisioterapeuta e educador físico — é essencial para ajustar a rotina e prevenir crises de dor”, recomenda.

O descanso também deve ser planejado, como destaca Dr. Maurício Leite: “O descanso é parte essencial do tratamento. Pacientes com fibromialgia têm uma recuperação muscular mais lenta, e a qualidade do sono influencia diretamente na percepção de dor e fadiga. Dormir mal ou treinar sem repouso adequado amplifica os sintomas e pode levar a crises mais intensas. Por isso, o planejamento de treinos deve incluir dias de descanso real, não apenas redução de volume, e estratégias para melhorar o sono, como higiene do sono, relaxamento e, se necessário, tratamento médico específico”.

De acordo com Dr. Maurício Leite, os principais ajustes que podem ser feitos nos treinos de quem tem fibromialgia são:

  • Intensidade e volume: priorizar treinos moderados, evitando sobrecargas intensas e progressões abruptas.
  • Períodos de recuperação maiores: o tempo de descanso entre treinos deve ser ampliado.
  • Variedade de estímulos: alternar corrida com exercícios de baixo impacto, como bicicleta ou caminhada, fortalecendo musculatura de suporte.
  • Escuta corporal ativa: ajustar treino conforme a resposta do corpo em cada dia — respeitar dias de maior dor ou fadiga.
  • Aquecimento e desaquecimento prolongados: ajudam a reduzir rigidez e dor pós-exercício.

Essas estratégias estão alinhadas com protocolos de manejo não farmacológico recomendados internacionalmente para fibromialgia.

Elizama Modesto

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Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.