Aulus Sellmer

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEU

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pos graduado no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo; pos graduando no curso Fisiologia aplicada à clínica pela UNIFESP; proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM 107,3 e revista Contra Relógio.

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Coluna do Aulus: ano novo, tênis novo

Que tal começar 2015 pelos pés? Os pares de tênis especiais para corrida são tão importantes quanto estar bem treinado para enfrentar as planilhas e as provas que nos desafiarão este ano. Mas antes, gostaria de compartilhar uma pesquisa divulgada no ano passado.

O Laboratório de Biomecânica da Universidade de São Paulo (USP) comprovou o que até então era polêmico no bate-papo dos corredores. Tênis “amacia”? De acordo com a pesquisa, sim. Com o tempo, o calçado encaixa mais nos pés. Ou seja, nem novo, nem muito velho, ele distribui melhor a pressão na planta do pé.

A pressão é a forma como o impacto é distribuído na planta do pé. Quanto maior a área, menor a pressão. Em média, a área de contato entre uma palmilha rodada e o pé são 5,6cm² maiores em relação às mais novas. Portanto, o tênis amaciado reduz a pressão. Com o tempo de uso, o tênis melhora a resposta biomecânica, diminuindo pressão e aumentando o desempenho do atleta.

. Com o tempo de uso, o tênis melhora a resposta biomecânica, diminuindo pressão e aumentando o desempenho do atleta Foto: Ram/Fotolia . Com o tempo de uso, o tênis melhora a resposta biomecânica, diminuindo pressão e aumentando o desempenho do atleta Foto: Ram/Fotolia

Porém, não quer dizer que você tenha que usar um tênis para sempre ou fazer daquele seu par que completou uma maratona ou uma prova importante o seu xodó.

Por isso, volto ao assunto “tênis novos”. Já que começamos o ano, um bom presente para você é ter mais que um par de deles. Mesmo comprovada à teoria do calçado amaciado, eles ainda precisam de descanso, pois os sistemas de amortecimento que utilizam espumas tecnológicas precisam de pelo menos 24 horas para recuperar o formato original. Assim, o impacto da pisada será amortecido com mais eficácia. Além disso, a quilometragem recomendada pelos fabricantes é cerca de 800 quilômetros. Passou disso, a probabilidade de se lesionar aumenta exponencialmente.

Dicas:
1. Antes de correr até a loja, verifique se seus pés estão bem cuidados, principalmente, as unhas. Corte-as bem retas para impedir que encravem. Não arredonde os cantos, pois é o local onde ocorre atrito com o tênis e pode causar infecção.

2. Os tênis mais bem avaliados por uma revista podem não ser os que se encaixam com sua corrida. O melhor é aquele que se adapta melhor aos seus pés.

3. Opte por um número maior. Se você calça 38, a sua corrida pede 39. Ao calçá-lo, aperte a ponta do tênis com o indicador. Este espaço é a folga necessária para que seu dedão não tenha atrito, correndo o risco de formar bolhas.

4. Desconfie de calçados com preços muito baixos, pois podem ser falsificados. Estudos confirmam que o impacto sofrido pelo pé é de 15% maior do que nos originais.

5. Ao lavá-los, nunca coloque na máquina de lavar ou secar. A composição química dos produtos de limpeza resseca as partes de couro e reduz bastante a vida útil do seu calçado. Use sabão neutro, pano úmido e pouca água. Seque o tênis à sombra, com a sola voltada para baixo, não deixe o tênis de molho e nem o pendure no varal.

Agora que tem todas as informações para adquirir novos companheiros de corrida, divirta-se na loja e bons treinos!

Corridas de Rua · 09 jan, 2015


A corrida muito além do físico

Quando corremos existem detalhes importantes que não percebemos e afetam no desempenho geral. Podem parecer coisinhas mínimas, mas para quem busca a melhora e se sente estagnado, quem sabe se aguçar um pouco mais a percepção você poderá levar sua corrida a outro patamar?

Destaco quatro fatores para que fique atento a partir de agora, seja nos treinos, em provas ou até no seu dia a dia. O foco da visão, o que está em sua mente, a concentração e o início da prova.

Foco da visão

Direcionar o foco da visão durante a prova pode determinar o seu desempenho. Cada corredor reage a estímulos externos de maneiras diferentes, que podem ser compreendidos de maneira positiva ou negativa. Por exemplo, ter competidores à sua frente. Para alguns, essa visão serve de motivação para superar um a um. Para outros, é encarado como um gasto enorme de energia para ultrapassá-los e ainda manter-se bem até a chegada. Faça um exercício: avalie provas anteriores e como foi sua reação para cada um dos estímulos visuais que lhe foi exibido. Guarde para si o foco da visão que motivou sua corrida e trabalhe para descartar aqueles que o desviam e provocam reações negativas.

Com a concentração você estará 100% ligado em cada movimento que seu corpoFoto: Flavio Rossato/Fotolia Com a concentração você estará 100% ligado em cada movimento que seu corpoFoto: Flavio Rossato/Fotolia

A mente
É muito frustrante quando o corpo bem treinado e preparado fisicamente entra em choque com emoções fortes, colocando tudo a perder. Por isso, é importante saber: quem comanda o corpo é a mente. Todas as emoções são, em essência, impulsos para agir. É importante cuidar da mente, assim como cuidamos do corpo. A necessidade em aprender técnicas, tática e preparo físico, devem ser consideradas tão importantes quanto o aprendizado em levar inteligências às emoções e chegar a um equilíbrio físico-mental, a excelência do esporte. Isso pode determinar uma largada focada em seus objetivos ou uma cheia de ansiedades, falta de sono, agitação, insegurança e falta de confiança geradas por fatores alheios.

Concentração

É um tema bastante comentado e conversado, porém não é comum encontrar corredores que treinam e executam a concentração com maestria. Como abordado no item acima, o que você carrega na mente antes e durante a prova afeta na concentração do atleta. Concentrado, você dificilmente sofrerá influências externas e sua mente, durante todo o tempo, irá colocar em prática o que treinou. Em nenhum momento pensará em parar ou, caso isso aconteça, em fração de segundos esse pensamento irá se apagar. Você estará 100% ligado em cada movimento que seu corpo deve executar em cada momento da corrida. A qualquer sinal de desequilíbrio, estar concentrado lhe permitirá corrigir ou improvisar para voltar ao estado equilibrado.

Início de prova

Seja iniciante ou veterano, esse é um dos campeões de audiência entre o que se deve evitar numa prova. O início de uma corrida é fator determinante. O corredor pode colocar meses de treinamento por água abaixo se, ao ouvir o tiro de largada, sair feito um louco, num ritmo muito acima do que está acostumado. Forçando dessa maneira você pagará com o decréscimo do rendimento no final da prova. É inevitável. Dificilmente o corredor percebe que força, pois no começo da prova, a sensação de queimação nos músculos das coxas, um sintoma de estar acima do ritmo, não aparece com tanta intensidade.

Estamos tão focados em nosso físico que às vezes não desenvolvemos outras competências da corrida. Parecem detalhes, mas se você somar seu bom preparo físico com a mente concentrada e foco de visão motivador, tenho certeza que sua corrida passará para outro nível. É a chave que irá abrir novas portas dentro do mundo da corrida.



Corrida de Montanha · 26 dez, 2014


Relato: Desafio 600k SP- RJ uma prova inesquecível!

Praticamente um mês depois, os participantes do Desafio 600K, prova que aconteceu entre os dias 22 e 24 de outubro, ainda lembram do evento que marcaram suas histórias de corrida. Veja o relato do treinador e colunista do Webrun, Nelson Evênico.

São Paulo - No começo de julho fui ao lançamento do Desafio 600k SP-RJ. Ao ver o vídeo do percurso e entender um pouco mais a magnitude deste evento e o impacto que ele deveria causar no mundo da corrida, confesso, que assim como a maioria que lá esteve, fiquei com grande vontade de participar.

No primeiro semestre do ano já havia corrido várias provas de 5 a 10 quilômetros, duas meias maratonas importantes e dois trechos difíceis da tradicional Volta à Ilha de Florianópolis. Mas confesso que ainda sentia falta de um grande desafio. Faltava uma prova que me fizesse treinar com o comprometimento de tempos atrás, que me fizesse sentir aquele misto de respeito e medo, que por algum período me fizesse treinar como se fosse uma das coisas mais importantes de minha vida.

Mantinha minhas quatro corridas na semana, além dos meus treinos de musculação, quando em um belo domingo recebi o irrecusável convite de meu amigo Daniel Neves, do marketing da Nike, para ser um dos 12 felizardos a fazer parte da equipe Nike Corre. Esta era formada por funcionários da empresa e mais alguns ilustres convidados.

Aceitei o convite de imediato e alguns instantes depois lá estava eu planejando meus treinos, revendo todos os meus horários e pensando em todos os detalhes que teria que acertar para as próximas cinco semanas. Foi um período de treinos que passou rapidamente, mas que foi muito proveitoso.

Como sabia que cada integrante da equipe teria que correr três trechos por dia, com distâncias médias de sete quilômetros, por três dias consecutivos, não foram poucos os dias em que treinei em dois períodos, além daqueles em que treinei nos mais diversos horários, climas e encarando muitas subidas. Afinal a informação que obtive da organização é que os percursos tinham subidas assustadoras. Também mudei a dieta e somada à aplicação nos treinos lá se foram três quilos facilmente!

4h20 da manhã, debaixo de muita chuva, lá estávamos: Marcio, Virgínio (Leão da Montanha), Neide, Karina, Vivi, Xavi, JP, Daniel, Tiago, Rapha, Toshiu, Paulão e eu, além de Aulus Sellmer, nosso treinador responsável. Todos em frente ao Obelisco do Ibirapuera, esperando a largada às 5h, assim como os integrantes das outras 20 equipes e as centenas de outras pessoas envolvidas no evento.

No primeiro dia minha equipe cumpriu 10h28min entre São Paulo e São Sebastião, 16h30min no segundo dia entre São Sebastião e Angra dos Reis e no terceiro dia, este com temperatura batendo os 38ºC e com os trechos mais difíceis e quentes, 13h36min de Angra até a bela praia da Barra, completando 590 quilômetros em uma das mais emocionantes e esperadas chegadas que já havia visto.

Já no domingo, que seria o quarto dia e fecharíamos os 600k com os 10 quilômetros da prova Human Race, o cansaço dos três longos dias anteriores era aparente nos rostos de cada um e as normais dores musculares exigiam uma corrida mais cautelosa. Porém, dava para perceber que aqueles últimos 10k teriam um sabor especial, assim como a famosa “cereja do bolo”, pois fechariam com chave de ouro os 600. Corri cansado tentando seguir os blocos de corredores rápidos e amenizar o sofrimento curtindo o belo percurso. O sol estava de rachar e aquela subida de São Conrado estava mais longa do que nunca. Com 42min30seg lá estava eu chegando todo feliz e sorridente e minutos depois esquecendo todo o cansaço, dando um belo mergulho na praia de Ipanema.

Lembranças - Correr na Via Anchieta com a pista do meio interditada foi algo inacreditável. Corri também na Praia de Bertioga e na Rio-Santos, tendo de um lado lindas montanhas do outro lado a bela Angra e em cima um céu lindo e sem nenhuma nuvem. Houve um trecho de oito quilômetros que corri só em descida, com garoa e frio, no qual chamei de “presente de convidado”, final correr oito quilômetros nessas condições foi a maior moleza.

Em compensação em outro corri lá pelas 12h40 em uma estrada em reforma com muitos caminhões baforando fumaça em meu rosto e com um calor acima de 35ºC. Felizmente consegui chegar à prova em excelente forma física e mental, fiz uma boa hidratação e consegui completar todos os meus trechos que somaram cerca de 52 quilômetros, em ritmo bem mais rápido do que havíamos planejado.

Particularmente já havia participado de centenas de corridas no Brasil, de duas maratonas, das maiores de revezamento e de duas das maiores e mais famosas maratonas do mundo nos EUA, mas cumprir o Desafio 600k SP-RJ, em uma equipe tão bacana, foi uma sensação fabulosa, que ficará marcada para sempre em minhas muitas histórias de corredor.

Superação, suor, solidariedade, espírito de equipe, contemplação de belas paisagens, contato com a natureza, posse do espaço, liberdade, frio na barriga, alegria, choro, emoções das mais diversas e sensação de dever cumprido, tudo isso fez parte do grande Desafio 600k SP-RJ, uma experiência muito intensa e que deixou todos com aquele famoso “gostinho de quero mais!”

Ultra Maratona · 20 nov, 2009