Aulus Sellmer

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEU

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pos graduado no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo; pos graduando no curso Fisiologia aplicada à clínica pela UNIFESP; proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM 107,3 e revista Contra Relógio.

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A importância de planejar suas metas e desafios

Um objetivo sem um plano não é nada mais do que um mero desejo. Esse desejo se perde facilmente em nossa rotina atarefada. O querer perder peso, por exemplo, é sempre adiado. Às vezes é até colocado em prática, porém sem nenhum planejamento. A pessoa perde um pouco do peso, mas e depois? Como manter o ritmo e a motivação?

O sucesso do seu programa de corrida, está relacionado de forma direta com a capacidade de planejar e organizar as nossas vidas, profissional e pessoal (se for casado(a) não podemos esquecer que temos mais uma pessoa para dividir, com filhos então a complexidade aumenta). Sim, é um grande comprometimento que dará qualidade de vida à sua rotina.

Foto: psdesign1/Fotolia Foto: psdesign1/Fotolia


Um bom planejamento é aquele que nos mantém motivado a cada etapa. Para isso, não é nada melhor do que estabelecer metas reais e possíveis. Alcançar cada uma delas dentro de um tempo razoável, mantém a chama acessa e a vontade de sempre seguir em frente. Assim, seu planejamento deve abranger todos os momentos de sua vida e deve estar intimamente ligado à sua motivação.

Em um contexto geral, há dois tipos de motivação: a auto-motivação, gerada internamente e deriva de uma série de razões como estar saudável, condicionado e relaxado e a motivação externa, que é influenciada pelos amigos, grupo de treinamento e profissionais da área envolvidos. Dependendo do ambiente externo, podem trazer aspectos negativos ou positivos.

Em meus anos de experiência como treinador, no momento que um corredor iniciante é fisgado, dificilmente abandona o seu programa de corrida. Seja para conseguir caminhar ou correr por 30 minutos, uma prova de 5 km e assim cada pequena meta vai sendo alcançada.

A motivação com a corrida alcança patamares altíssimos. O estado psicológico ideal para quem pratica exercícios físicos, quando acontece, retira da nossa mente qualquer dúvida a respeito do potencial e capacidade em alcançar metas. Gerando assim autoconfiança e segurança. Mas e a vida com a família? E a rotina no escritório?

O foco total nos treinos não é ideal. Esse processo pela busca na qualidade de vida não é somente física. Não se pode cair em uma rotina onde a busca pela perfeição física, torne-se neurótica. O seja perfeito, para os psicólogos, é uma ordem interna que neurotiza nossas ações e isso não é bom.

Por isso, como disse no começo, devemos planejar nossa vida com a família e trabalho também. A rotina de treinos não deve interferir na qualidade de tempo que passamos com nossa esposa, filhos, pais etc. Também não deve interferir na qualidade de trabalho que entregamos no escritório. Pelo contrário, a disciplina com o plano de corrida pode agregar e muito à vida pessoal e profissional.

Foto: william87/Fotolia Foto: william87/Fotolia

Tenha certeza que estar de bem com o corpo, deve influenciar positivamente tanto a qualidade de tempo com a família, como a qualidade do trabalho realizado. O segredo, é estabelecer para si mesmo objetivos específicos e fáceis de cumprir. Grandes metas são boas, mas pode-se obter maior sucesso se seguir a teoria de mini objetivos tanto nos treinos como também na vida em família e no trabalho. Essas metas são mais realistas e mais alcançáveis, desta forma você terá mais chance de continuar trilhando o caminho que levará à realização de um grande objetivo.

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O problema dos objetivos excessivamente ambiciosos, é que eles levam tempo para serem alcançados e algumas pessoas ficam desencorajadas, se não percebem resultados tangíveis nos estágios iniciais. Com relação a vida pessoal, sua meta de atingir determinado objetivo na corrida pode até acabar com o seu casamento ou relacionamento pessoal.

Com a sua vida mais organizada e treinos bem distribuídos durante a semana, você irá influenciar positivamente as pessoas ao seu redor, com qualidade de vida. Correr é muito bom, mas quando vira uma obsessão pode te tornar uma pessoa chata, ou conviver com pessoas que esquecem de outros detalhes importantes da vida.

Pense nisso e bons treinos

Corridas de Rua · 06 jun, 2017


Existe uma hora certa para trocar o tênis?

Costuma se dizer que a corrida é um dos esportes mais fáceis de praticar, já que para começar você só precisa colocar um tênis no pé e partir para as ruas. Mas engana-se quem acha que o pisante não precisa de cuidados e atenção especial de quem o utiliza.

O bacharel em esporte e proprietário da assessoria 4any1, Aulus Sellmer afirma que sim, existe hora certa para trocar seu tênis. “Muitos fabricantes recomendam entre 400k e 500k, mas na minha opinião nessa quilometragem o tênis ainda possui todos os sistemas de distribuição de impacto sem alterações significativas”. O treinador alerta que um modelo costuma durar no máximo dois anos, já que o desgaste e as ações do meio ambiente fazem com que o tênis perca sua capacidade e vá se deteriorando, mesmo que não tenha completado a quilometragem.

“É importante que o corredor observe o gasto da sola, estado do cabedal e perceba se há alguma sensação diferente da solta intermediária ao correr. Além da preocupação com a performance, o mais importante é que o corredor fique atento a prováveis lesões que podem acabar prejudicando a performance pelas interrupções, tudo isso devido a um modelo antigo”, explica Aulus.

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Foto: Divulgação Foto: Divulgação

Tatiana Abreu, sócia fundadora e fisioterapeuta da FisioRun, alerta que para a hora certa de trocar o tênis, o indivíduo deve observar quanto corre por semana e o seu tipo físico. “Deve-se trocar um modelo avaliando mais a quilometragem do que o tempo de uso. Mesmo visualmente bonito e bem conservado por fora, pode ser um grande perigo. Você deve sentir o momento certo de aposentá-lo”.

A principal dica da fisio é que o corredor sinta-se confortável. “O melhor tênis depende do atleta. Existem alguns modelos que eu me adapto e outra pessoa não consiga nem usar, então isso é algo muito pessoal. O importante é que exista um sistema de amortecimento eficiente independente do modelo”.

“Se o corredor não troca o tênis na hora certa podem surgir várias lesões por sobrecarga de impacto nas articulações como, por exemplo, canelite, fratura por stress, algumas compensações na patela, instabilidade do joelho, tendinite por sobrecarga, lesões de quadril e outras lesões por impacto repetitivo. Também pode haver uma mudança na forma que o corredor pousa o pé na hora da passada, tornando-o mais suscetível a ter lesões”, explica.

Lembre-se sempre que é melhor investir em um tênis melhor, do que ter que investir em sua recuperação por um possível dano.

Corridas de Rua · 03 out, 2016


Dor e prazer combinam em uma maratona?

Mais uma maratona ou a sua primeira experiência em uma prova de 42,195km pela frente? Este é o desafio de muitos corredores que depois de correr provas menores resolvem obter o título de maratonista. Minha missão neste texto foi conversar com vários maratonistas (iniciantes e intermediários) para investigar a relação entre dor e o prazer, sensações vividas intensamente por quem tem este esporte como estilo de vida.

Antes de ir fundo no assunto dor e prazer, acho importante definir o significado desta corrida, a maratona, que desafia milhares de corredores mundo afora. O desafio de superar os limites do corpo e da mente é algo muito presente em uma prova como esta, que coloca atletas frente a frente com seus próprios limites e obstáculos.

Foto: Warren Goldswain/Fotolia Foto: Warren Goldswain/Fotolia

O principal desafio é vencer o cansaço, medos e assim comemorar a conquista dos 42k. Depois da largada a prova passa a ser um desafio, onde o segredo do sucesso depende de uma excelente estratégia com variáveis de difícil controle, onde a força de um competidor está no equilíbrio do seu ser, fazendo da maratona uma prova para poucos.

Como qualquer atividade física intensa não há como deixar a dor de lado. Ela pode ser definida como a percepção psicológica de uma agressão física ou química. Essa percepção é considerada uma enorme proteção na evolução do homem. São vários os momentos em que a dor passa a influenciar as decisões de um maratonista, fazendo com que fatores psicológicos fossem responsáveis pelos milhões de pensamentos negativos e positivos na mente de todos os atletas que participam de uma prova como esta.

A maioria dos maratonistas associa a melhora do desempenho na prova com a presença da dor. A dor costuma ser uma companheira constante e você acaba se habituando a conviver com ela ao extremo, ainda que dando menos importância do que deveria. Um fator muito importante é o limiar de dor que varia muito, apesar de ser alto e praticamente impossível de ser determinado. Quanto maior a capacidade se suportar a dor, maior será a chance de sofrer lesões.

Participe da Corrida e Passeio Histórico Rios e Ruas Centro Histórico. Inscreva-se aqui!

Foto: underdogstudio/Fotolia Foto: underdogstudio/Fotolia

A dor durante a prova é sinal de que algo está errado e sempre é necessário ficar atento a ela, o que geralmente não acontece. A duração, a intensidade e a localização são fatores que melhoram e pioram a dor e tudo isso deve ser avaliado, não para simplesmente combatê-la, mas para interpretá-la, traduzir o que esta querendo dizer e assim tomar uma atitude que pode determinar todo o destino do seu desempenho em uma prova.

Chegou à vez do prazer. A chave para o prazer é o autoconhecimento e a autoaceitação. Quando estamos em sintonia com nossa exclusividade e peculiaridades, simplesmente manifestamos o que somos, sem medos, bloqueios, moralismos e nem limitações conseguimos viver o momento presente e sentir o prazer acontecer em diversas etapas da maratona.

Nossos hormônios também estão presentes em todo este processo, responsáveis por aquela sensação de bem-estar e prazer. A serotonina está intimamente ligada aos transtornos do humor presente do lado positivo e negativo que afeta todos os atletas em todo o percurso. Um fato é verdadeiro. Quanto maior a quantidade de esforço, maior a liberação de endorfina, chegando a um ponto em que é preciso mais exercício para atingir a mesma sensação de bem-estar. Maratonista é um dependente de atividade física, pois seu corpo solicita movimento, seja com dor ou prazer. O caminho para chegar até esse estágio varia de pessoa para pessoa.

Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia

Um fator que muitos atletas relataram é que ser um maratonista é um grande instrumento para a formação da personalidade. Sendo uma modalidade esportiva complexa que exige logística, estratégia, força de vontade e valores de grande importância para a formação de um indivíduo independente, além da autoconfiança que ajuda a acreditar na própria capacidade de conquista.

São com essas pessoas que convivo no meu dia a dia, como responsável pelo treinamento físico. Com certeza a cada maratona sempre aprendo mais um pouco de como ir atrás de meus objetivos para sempre crescer e estar pronto para a próxima corrida. Para terminar, uma frase que ouço bastante: “A dor é passageira e o prazer é uma história de vida”. Pense nisso e quem sabe a sua primeira maratona esta batendo a sua porta. Bons treinos!

Corridas de Rua · 16 set, 2016


Dor e prazer combinam em uma maratona?

Mais uma maratona ou a sua primeira experiência em uma prova de 42,195km pela frente? Este é o desafio de muitos corredores que depois de correr provas menores resolvem obter o título de maratonista. Minha missão neste texto foi conversar com vários maratonistas (iniciantes e intermediários) para investigar a relação entre dor e o prazer, sensações vividas intensamente por quem tem este esporte como estilo de vida.

Antes de ir fundo no assunto dor e prazer, acho importante definir o significado desta corrida, a maratona, que desafia milhares de corredores mundo afora. O desafio de superar os limites do corpo e da mente é algo muito presente em uma prova como esta, que coloca atletas frente a frente com seus próprios limites e obstáculos.

Foto: Warren Goldswain/Fotolia Foto: Warren Goldswain/Fotolia

O principal desafio é vencer o cansaço, medos e assim comemorar a conquista dos 42k. Depois da largada a prova passa a ser um desafio, onde o segredo do sucesso depende de uma excelente estratégia com variáveis de difícil controle, onde a força de um competidor está no equilíbrio do seu ser, fazendo da maratona uma prova para poucos.

Como qualquer atividade física intensa não há como deixar a dor de lado. Ela pode ser definida como a percepção psicológica de uma agressão física ou química. Essa percepção é considerada uma enorme proteção na evolução do homem. São vários os momentos em que a dor passa a influenciar as decisões de um maratonista, fazendo com que fatores psicológicos fossem responsáveis pelos milhões de pensamentos negativos e positivos na mente de todos os atletas que participam de uma prova como esta.

A maioria dos maratonistas associa a melhora do desempenho na prova com a presença da dor. A dor costuma ser uma companheira constante e você acaba se habituando a conviver com ela ao extremo, ainda que dando menos importância do que deveria. Um fator muito importante é o limiar de dor que varia muito, apesar de ser alto e praticamente impossível de ser determinado. Quanto maior a capacidade se suportar a dor, maior será a chance de sofrer lesões.

Participe da Corrida e Passeio Histórico Rios e Ruas Centro Histórico. Inscreva-se aqui!

Foto: underdogstudio/Fotolia Foto: underdogstudio/Fotolia

A dor durante a prova é sinal de que algo está errado e sempre é necessário ficar atento a ela, o que geralmente não acontece. A duração, a intensidade e a localização são fatores que melhoram e pioram a dor e tudo isso deve ser avaliado, não para simplesmente combatê-la, mas para interpretá-la, traduzir o que esta querendo dizer e assim tomar uma atitude que pode determinar todo o destino do seu desempenho em uma prova.

Chegou à vez do prazer. A chave para o prazer é o autoconhecimento e a autoaceitação. Quando estamos em sintonia com nossa exclusividade e peculiaridades, simplesmente manifestamos o que somos, sem medos, bloqueios, moralismos e nem limitações conseguimos viver o momento presente e sentir o prazer acontecer em diversas etapas da maratona.

Nossos hormônios também estão presentes em todo este processo, responsáveis por aquela sensação de bem-estar e prazer. A serotonina está intimamente ligada aos transtornos do humor presente do lado positivo e negativo que afeta todos os atletas em todo o percurso. Um fato é verdadeiro. Quanto maior a quantidade de esforço, maior a liberação de endorfina, chegando a um ponto em que é preciso mais exercício para atingir a mesma sensação de bem-estar. Maratonista é um dependente de atividade física, pois seu corpo solicita movimento, seja com dor ou prazer. O caminho para chegar até esse estágio varia de pessoa para pessoa.

Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia

Um fator que muitos atletas relataram é que ser um maratonista é um grande instrumento para a formação da personalidade. Sendo uma modalidade esportiva complexa que exige logística, estratégia, força de vontade e valores de grande importância para a formação de um indivíduo independente, além da autoconfiança que ajuda a acreditar na própria capacidade de conquista.

São com essas pessoas que convivo no meu dia a dia, como responsável pelo treinamento físico. Com certeza a cada maratona sempre aprendo mais um pouco de como ir atrás de meus objetivos para sempre crescer e estar pronto para a próxima corrida. Para terminar, uma frase que ouço bastante: “A dor é passageira e o prazer é uma história de vida”. Pense nisso e quem sabe a sua primeira maratona esta batendo a sua porta. Bons treinos!

Corridas de Rua · 16 set, 2016


Não perca os momentos de corrida nas redes sociais

Não temos como escapar das redes sociais. Várias formas de relacionamento acontecem diariamente nos diversos conteúdos publicados, novos amigos são adicionados e cada vez mais aumentamos nosso círculo de amizade.

A corrida não escapa de forma alguma desse novo processo de relacionamento entre as pessoas. Você passa por situações muito interessantes, como a que aconteceu comigo depois de uma prova. Nosso grupo de corredores decidiu comemorar o resultado em uma padaria próxima à linha chegada, quando sentamos à mesa e comemorávamos, percebi que todos estavam presentes e ao mesmo tempo não estavam. Seus celulares trabalhavam freneticamente postando fotos e comentários dos acontecimentos daquela manhã. Além da ansiedade pela chegada dos comentários e curtições naquilo que havia sido publicado. Isso me fez questionar a forma com que nossos relacionamentos vêm mudando nos últimos anos e quais serão as consequências em um futuro próximo.

Este novo jeito mostra a relação entre homens e mulheres em todos os aspectos, sejam pessoais, profissionais ou familiares, onde as redes sociais, em especial o Facebook, criam e também terminam relacionamentos, afinal uma mensagem mal escrita pode prejudicar aspectos importantes no círculo de amizade. A rede social é uma ferramenta tecnológica importante, mas o cuidado é altamente recomendável.

Escolha entre os 5k e 10k e participe da 13ª Corrida Santos Dumont!

Precisamos estar sintonizados com o nosso grupo, que tem diversos tipos de personalidades com diferentes objetivos Foto: nenetus/Fotolia Precisamos estar sintonizados com o nosso grupo, que tem diversos tipos de personalidades com diferentes objetivos Foto: nenetus/Fotolia

E a corrida no meio desse furacão? Nosso mundo também está muito presente nas redes sociais. Nossa vida de treinos, corridas nos fins de semana, resultados em provas, encontros agendados para comemorações, tudo é possível encontrar lá. O que mais curto são os posts com objetivos de trazer informações novas, que acrescentem conhecimento e gerem reflexões.

Não temos mais como voltar atrás em nossa forma de relacionamentos e a corrida não escapa de todo esse processo. Mas, quem está no mundo da corrida deve prestar muita atenção já que em mais de 20 anos como treinador de corredores amadores, sinto o esporte como uma verdadeira forma de socialização, além dos conhecidos benefícios para nossa saúde física.

As relações humanas estão presentes de forma intensa neste processo de treinos, competições e provas. Precisamos estar sintonizados com o nosso grupo, que tem diversos tipos de personalidades com diferentes objetivos. É muito positivo ver os corredores buscarem uma identidade num grupo de corrida e continuarem motivados para treinar. Quando ele não se sentir mais à vontade, partirá para novos objetivos ou grupos, isso faz parte das nossas relações.

Portanto, não seja tão dependente do mundo virtual! Cuidado com os exageros em suas colocações, busque não provocar uma imagem que na verdade não é sua. Já ouvi diversos comentários de corredores que se arrependeram de posts publicados que tiveram consequências desastrosas. Além disso, nunca podemos deixar de lado a socialização, que é um dos principais benefícios da prática esportiva. Somente com esse pensamento iremos nos sentir mais realizados e menos solitários.

Olimpíadas e suas histórias curiosas!

A rede social é uma ferramenta tecnológica importante, mas o cuidado é altamente recomendável Foto: Wisiel/Fotolia A rede social é uma ferramenta tecnológica importante, mas o cuidado é altamente recomendável Foto: Wisiel/Fotolia

Quando for comemorar o resultado de seu desempenho com amigos, dê preferência para uma conversa franca e sincera ao invés de se preocupar com seus posts ou com quem não está lá naquele momento. A impressão que tenho neste contexto é que podemos ter muitos amigos nas redes de relacionamentos, mas ao mesmo tempo estamos cada vez mais sozinhos.

Pense nisso e Bons treinos!

Corridas de Rua · 12 ago, 2016


Olimpíadas e suas histórias curiosas

No início do próximo mês, no dia 5 de agosto, tem início mais uma Olimpíada. Desta vez, será em terras tupiniquins, nosso Brasil. Não vejo a hora de acompanhar as provas de atletismo, que começam no final da segunda semana com o “gran finale” a maratona masculina, no último dia dos jogos Olímpicos.

São muitas provas imperdíveis como os revezamentos, os cinco mil metros, 100 e 200 metros rasos, a maratona e também as provas onde temos poucas chances de medalhas com nossos atletas, mas temos que torcer. Em função desta competição tão importante, resolvi escrever um pouco sobre a história das provas de fundo nas Olimpíadas e no Brasil. Não posso me estender muito, pois temos muitas, mas vou tentar abordar alguns momentos marcantes.

Não sei se vocês sabem, mas o atletismo começou muito antes da primeira Olimpíada organizada pelos gregos em 776 A.C. Várias civilizações já tinham a tradição de atividades atléticas que foram comprovadas através de fontes literárias e iconográficas a mais de cinco mil anos.

Vamos começar com o símbolo das Olimpíadas: o surgimento da maratona através do famoso soldado grego Filípedes que em 490 A.C correu até Atenas para avisar a vitória sobre os persas.

Registros apontam que os gregos já praticavam esse esporte por volta do século 14 a.C Foto: Donostia Kultura/CC BY-SA 2.0 Registros apontam que os gregos já praticavam esse esporte por volta do século 14 a.C Foto: Donostia Kultura/CC BY-SA 2.0

O mais interessante dessa história é o motivo desta corrida de quase 42 quilômetros: os gregos ao saberem da ameaça de combate com os persas deram ordem as suas esposas para, se não recebessem a notícia da sua vitória em 24 horas, matarem seus filhos e, em seguida, suicidarem-se. Como todos sabem os gregos ganharam a batalha, mas a luta levou mais tempo do que haviam pensado, de modo que temeram que elas executassem o plano. Para evitar isso, o general grego Milcíades ordenou ao soldado Filípides, que corresse até Atenas para levar a notícia e assim não provocar uma tragédia com a morte de mulheres e filhos dos soldados em batalha. Seja como for, cerca de 2400 anos mais tarde, em 1896, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Filípides foi homenageado com a criação dessa prova cuja distância era de 40 km, mas que desde 1908 está estipulada em 42,195 km.

Mulheres

Outra curiosidade é o registro da primeira participação das mulheres em uma corrida oficial, que aconteceu no século VII a.C em Esparta, por categorias segunda a idade, em um percurso equivalente a 160 metros. O motivo alegado pelos lideres da época era que as mulheres, como os homens, devem medir entre si a força e rapidez, pois a missão das mulheres livres é procriar filhos vigorosos.

Mesmo assim a participação de mulheres em Jogos Olímpicos só ocorreu de uma forma presente no século XX em 1928, cumprindo um programa de 100, 800 e 4×100 metros, o salto em altura e o lançamento do disco.

A primeira participação das mulheres em uma maratona olímpica aconteceu em Los Angeles no ano de 1984. Foi nesta maratona que a 37ª colocada a suíça radicada nos Estados Unidos Gabriela Andersen-Scheiss que, exausta chegou cambaleante ao estádio e proporcionou uma das cenas mais lindas e marcantes das maratonas de todos os tempos quando deu a ultima volta no Estádio se arrastando. Mas ela atingiu o seu objetivo e concluiu a prova. Todos que já viram esta cena se emocionam.

Brasil

No Brasil, as corridas de fundo foram introduzidas pelos ingleses, no Club Brasileiro de Cricket, no final do século XIX, no Rio de Janeiro, onde se faziam apostas para corridas a pé, realizadas entre jogos de críquete. Em São Paulo, o primeiro clube a ser fundado foi o São Paulo Athletic, em maio de 1888. De acordo com dados da época, em todos esses clubes surgiram no fim do século XIX e o atletismo era praticado de forma descontínua, não obedecendo às normas traçadas na Inglaterra.

Cornelius Horan empurra Vanderlei de Lima para fora da pista em Atenas 2004, quando o brasileiro liderava a maratona Foto: Wikipedia Cornelius Horan empurra Vanderlei de Lima para fora da pista em Atenas 2004, quando o brasileiro liderava a maratona Foto: Wikipedia

A partir de 1918, podemos dizer que tivemos a primeira corrida de fundo oficial com 24 quilômetros de extensão pelas ruas de São Paulo, patrocinada Estadão e denominada ‘Estadinho’, assim o atletismo ganhava novos interessados. Não podemos deixar de falar da São Silvestre, mais tradicional prova de rua do País. Criada pelo jornalista Cásper Líbero, que se inspirou em uma corrida francesa, em 1924. O nome é em homenagem ao Santo do dia.

Já nas Olimpíadas a primeira participação do atletismo brasileiro aconteceu nos Jogos de Paris, França, em 1924. Mas o primeiro resultado expressivo em provas de fundo demorou um pouco e aconteceu nas Olimpíadas da Grécia em 2004 com a medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima. Bronze com sabor de ouro depois que foi derrubado durante a prova pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan.

Estamos ainda muito distante dos países africanos que dominam as corridas de fundo nas Olimpíadas, mas hoje podemos dizer que este é um esporte de grande importância em nossa sociedade. Um dos gestos dessa evolução é sem dúvida o movimento que de forma progressiva se transforma em locomoção. O homem ao longo dos séculos progredido com mais técnica sua forma de se locomover. Não sei onde iremos parar, mas tenho certeza que todos nós corredores estaremos atentos às provas de atletismo nesta próxima Olimpíada que promete muitas surpresas.

Atletismo · 20 jul, 2016


Todas as teorias do esporte funcionam na prática?

Já faz certo tempo que venho pensando em escrever sobre um assunto que gera muita polêmica entre nós treinadores, que convivemos diariamente com a prática, e os estudiosos, que elaboram as teorias para aprimorar a performance dos corredores.

Por que a prática do dia-a-dia, às vezes, é tão diferente da teoria? Eu já passei por diversas situações em que tive de readaptar o que aprendi e assim conseguir melhores resultados. Com a rapidez que as mudanças acontecem hoje, a todo o momento novas teorias aparecem e quando tomamos conhecimento, vemos que precisamos reavaliar o que sabemos naquele momento. Ou até mesmo ignorar essa nova teoria, pois o novo caminho pode estar sem fundamento.

A todo o momento nós treinadores somos questionados sobre diversas teorias e se estas devem ser aplicadas. Nesses últimos anos já passamos por várias polêmicas na corrida. Alongar antes ou depois, se preocupar mais com a intensidade ou volume de treino, se exercícios educativos são importantes para a eficiência do movimento, a importância da zona alvo de frequência cardíaca, os treinos em função da porcentagem da frequência cardíaca máxima, as formas de tratamento de lesões, entre outras teorias.

Certa vez um corredor me perguntou sobre um treino que gostaria de realizar e fui questionado se ele tinha condições de realizá-lo. A minha resposta foi bem simples. Não existe nenhum treino ou exercício proibido desde que esteja fisicamente pronto, e utilize a técnica correta para executá-lo. Você precisa ter uma técnica apropriada e níveis adequados de força, flexibilidade e outras qualidades físicas para realizar o treino ou determinado exercício. Caso tenha todos os pré-requisitos necessários, você nunca terá lesões ou qualquer efeito prejudicial. No entanto, se não está fisicamente pronto ou se não os executa corretamente, então aquele exercício pode ser perigoso para você. Se uma lesão ocorre é por causa da preparação física inadequada ou técnica incorreta de execução. Na verdade, não existe treino ou exercício proibido, e sim pessoas que não se encaixam a determinados exercícios.
Será que a corrida pode virar um vício?

Corredores precisam sempre reavaliar seus objetivos na corrida, não se esquecer que o corpo tem limites Foto: Astrosystem/Fotolia Corredores precisam sempre reavaliar seus objetivos na corrida, não se esquecer que o corpo tem limites Foto: Astrosystem/Fotolia

Um exemplo bem interessante é a teoria de correr com a ponta do pé, técnica utilizada pelos maratonistas quenianos. Ela consiste em não aterrissar com a base do pé, colocando todo o impacto na ponta do pé. Num treino fui abordado por um corredor que gostaria de ser adepto dessa nova teoria, na qual fui totalmente contra, pois toda a maneira como os africanos correm é um processo desenvolvido desde a base, isto é, o momento em que tiveram o primeiro contato com a corrida. E no caso, o corredor tinha apenas cinco anos de corrida, mais de 40 anos de idade, estava acima do peso e com uma performance regular. Reunidos, são fatores que não justificam uma mudança radical na sua eficiência na corrida. O resultado final seria, com certeza, uma lesão ao invés de um ganho de desempenho.

Outro exemplo interessante aconteceu com o calçado que simula o ato de correr descalço. Em uma coluna anterior já abordei esse assunto onde descrevi todo o processo de adaptação que passei levando quase dois anos para utilizar este tipo de tênis. Depois dessa análise e muitas horas de estudo, a conclusão é que o uso desse tênis depende de quantos anos de corrida, do peso corporal, da eficiência de movimento, dos objetivos nesse esporte, das lesões passadas, entre outros fatores.

Podemos resumir esta questão Teoria x Prática em uma única frase: Toda e qualquer teoria existe apenas para aperfeiçoar a prática. A rigor, toda e qualquer teoria comprovada serve para facilitar os caminhos, nos fazer evitar ou minimizar erros, nos guiar, nos dar o norte, nos fazer melhores. Mas não podemos ficar totalmente focados em uma única linha de trabalho, precisamos estar cientes do que acontece ao redor.

Portanto, nós treinadores precisamos nos atualizar através de muita pesquisa e muito estudo sem esquecer a experiência adquirida através da prática. Do outro lado, os corredores precisam sempre reavaliar seus objetivos na corrida, não se esquecer que o corpo tem limites importantes e que mudanças radicais nem sempre se traduzem em ganho de desempenho. Novas teorias precisam de um certo tempo para serem confirmadas como um novo caminho.

Cuidado e bons treinos!

Corridas de Rua · 27 nov, 2015


Você sonha em correr uma prova internacional?

Todos nós corredores sonhamos em um dia participar de uma maratona internacional. Temos várias opções pelo mundo, e a cada ano que passa a dificuldade para conseguir uma vaga nas principais maratonas aumenta, sendo às vezes necessários aguardar em frente ao computador o momento que as inscrições são disponibilizadas, pois podemos correr o risco de não conseguir uma vaga. Há também a opção de operadoras de turismo que possuem acordos com os organizadores das provas, bloqueando inscrições. Mas o valor deve ser atrelado ao pacote terrestre ou aéreo para assim conseguir uma inscrição, sempre com um valor um pouco mais caro, mas para muitos não tem problema, pois a vontade de participar da prova supera qualquer valor.

Depois que a vaga está garantida temos que além de treinar, também nos preocupar com muitos detalhes: a esposa vai junto, depois, ou antes da maratona? A viagem será prolongada? Vamos levar filhos? Onde fica o hotel? Qual a temperatura ambiente no período da prova? É necessário visto ou não? Mas sempre o que mais pesa é o valor final que será gasto. Esta conta não pode somente relacionar com a viagem, mas com roupas esportivas, tênis de corrida, suplementos utilizados durante os treinos, avaliações médicas, consultas com o nutricionista além é claro das mensalidades com sua assessoria esportiva que vai dar todo o caminho para que você consiga completar os 42,195 quilômetros. Vale a pena também deixar uma reserva para sessões de massagem, fisioterapia e consultas com ortopedistas. Sempre em uma programação para maratonas temos lesões no meio do caminho e precisamos estar preparados financeiramente e psicologicamente para vencer todos os obstáculos. Como dá para perceber uma boa planilha Excel pode ajudar em todos estes fatores que podem viabilizar ou até mesmo inviabilizar a sua ida para determinada maratona fora do país que você escolheu.

Outro problema muito importante é a famosa síndrome da classe econômica, assim denominada pelos assentos apertados normalmente encontrados nos aviões Foto: Boyarkina Marina/Fotolia Outro problema muito importante é a famosa síndrome da classe econômica, assim denominada pelos assentos apertados normalmente encontrados nos aviões Foto: Boyarkina Marina/Fotolia

Os meses de treinamento foram sendo realizados e agora você esta na véspera da prova nos acertos finais. Suas férias acertadas no trabalho e tudo pronto para embarcar em um avião enfrentando algumas horas de viagem. Hoje viajar significa esperar, e esperar significa comer. Duas horas no terminal de um aeroporto podem significar duas mil calorias extras no seu corpo. A comida que você leva na bagagem é tão importante quanto as roupas esportiva. Uma boa sugestão é sempre ter uma barra energética que apresente pelo menos 20 gramas de proteínas. Sua garrafinha de água também é fundamental para que possa enfrentar bem hidratado o ar muito seco de uma cabine de avião. Quando for escolher a sua alimentação, dê preferência para nozes, castanhas e pratos com carne, e uma variedade de legumes e verduras no lugar de batatas fritas, massas, refrigerantes e bebidas alcoólicas. Por último nunca esqueça que seu organismo precisa de um dia de adaptação para cada hora de fuso. Sei que é difícil acertar este fuso, mas chegar na véspera da prova com muitas horas para se adaptar não é recomendado.

Outro problema muito importante é a famosa síndrome da classe econômica, assim denominada pelos assentos apertados normalmente encontrados nos aviões. Estudos mostram que existe uma relação entre os voos de longa distância e coágulos sanguíneos formados, principalmente nas pernas. Raramente, os coágulos se desprendem e são levados para o pulmão ou coração, mas uma caminhada dentro do avião e o uso de meias compressão são recomendados, pois vão aliviar bem suas pernas no final da viagem, além de uma proteção bem interessante par aquém em breve vai correr uma maratona.

Agora já estamos com a adrenalina a mil por hora, pois chegamos à cidade da maratona e muitas preocupações vão surgindo em nossa mente. Temos a feira da prova, visitas aos museus, parques, compras com os amigos ou família, jantares onde bebida alcoólica não é recomendada etc. Nestes dias o melhor seria descansar o que nunca acontece, pois conheço corredores que caminham tanto que no final do dia os pés estão arrebentados. Tenho uma brincadeira onde pergunto quantas maratonas ela vai correr? Este é um grande erro que pode prejudicar todo o seu sucesso. Sempre tenho como sugestão que todo o aspecto turístico da viagem deve ser, de preferência, depois da maratona. Deixe os dias que antecedem a prova para relaxar, comer nos horários corretos, aproveitar a excelente cama do hotel para realmente descansar. Só assim os riscos de algum problema poderão ser evitados.

Nestes dias recomendo ter uma excelente alimentação, seguir a rotina do fuso horário do local, assim a sua adaptação será mais rápida. Aproveite também para conhecer de carro o percurso da prova. Isto ajuda muito no processo de reconhecimento da altimetria, estratégias montadas com o seu treinador, como também você poderá descobrir pontos da prova que possam ter alguma dificuldade. Outra dica bem legal é conversar com quem já participou, estas informações serão valiosas para não ser surpreendido com imprevistos, como conhecer os procedimentos da largada, onde se posicionar no pelotão em função do seu ritmo, como será a hidratação e toda a suplementação de isotônicos, carbogel, bcaa (caso seja orientado a utilizar pelo seu treinador ou nutricionista) cápsulas de sal.

Depois que a vaga está garantida temos que além de treinar, também nos preocupar com muitos detalhes Foto: Iuliia Sokolovska/Fotolia Depois que a vaga está garantida temos que além de treinar, também nos preocupar com muitos detalhes Foto: Iuliia Sokolovska/Fotolia

Todas estas preocupações são fundamentais para que você consiga completar uma maratona. O turismo esportivo é uma ótima opção, pois acabamos conhecendo lugares no mundo e aproveitando para correr. Mas alguns ajustes são essenciais: nunca esqueça que o a fator financeiro é fundamental, o planejamento é fundamental para assim todos os anos conhecer o mundo participando de corridas, pois a regra é valida para todas as viagens que geralmente realizamos.

Todos dizem que o melhor investimento é viajar. Eu concordo e plenamente com esta afirmação. Sucesso para você em sua próxima prova internacional.

Maratona · 13 out, 2015


Corrida com ou sem música?

A resposta para essa questão é direta e muito particular. Inclusive, você leitor já deve ter respondido. A reflexão se torna ainda mais interessante quando desmembramos suas variáveis. Você, corredor que respondeu “corrida com música, sempre”, chegará naturalmente à outra pergunta: “mas se eu correr sem música, melhora meu desempenho?”.

Estudos apontam que não utilizar os fones de ouvido, aproxima as pessoas dos sons produzidos pelo ato de correr, como respiração, batimentos cardíacos, tensão muscular, impacto das passadas. Essas são informações preciosas, pois fornecem feedback imediato sobre seu esforço. Geralmente, pessoas que optam pela opção “sem música” têm a performance nos treinos e competições como prioridade.

Retornando rápido aos questionamentos iniciais, do outro lado, temos a corrente de quem prefere “corrida sem música”. Logo, o que aconteceria “se eu correr com música? Melhora meu desempenho?”. Estudos que defendem o uso de fones de ouvido colocam a música como um “anestésico”, isto é, a corrida parece mais fácil, reduzindo a percepção de intensidade do exercício em cerca de 10%.

Um estímulo externo como a música é capaz de literalmente bloquear alguns dos estímulos internos que tentam chegar ao cérebro, como mensagens sobre fadiga enviadas por músculos e órgãos do nosso corpo.

A música trabalha na questão emocional do corredor. Foto: gpointstudio/Fotolia A música trabalha na questão emocional do corredor. Foto: gpointstudio/Fotolia

Quando essas mensagens são bloqueadas, a percepção de esforço do corredor é reduzida e você tem a sensação de que pode correr mais rápido e por mais tempo. Por isso, a música pode ajudar no desempenho, já que trabalha na questão emocional do corredor. A música também eleva seu humor, como entusiasmo e felicidade, enquanto reduz aspectos negativos como tensão, cansaço e confusão.

A saber: Só existe uma situação em que a música não exerce nenhuma influência. Em níveis extremos de esforço o organismo trabalha somente com estímulos internos. Nesta situação, que geralmente é a partir de seu limiar anaeróbio, correr com música não é recomendado.

Em minha opinião, depois de toda essa investigação, os benefícios da música tendem a se manifestar em corridas de intensidades leves e moderadas. Minha sugestão é contar com ela em seus dias de treinos mais leves, caso precise de um estímulo. No meu caso, sinceramente, sem música, tenho grandes chances de abortar a corrida.

Nessas ocasiões, a intensidade não é maior que 60% do meu máximo, uma intensidade que não prejudica meu nível de atenção com o mundo exterior. Já para intensidades médias e fortes, sua atenção precisa ser redobrada e a música pode atrapalhar. Ainda mais se for uma corrida na rua, onde os carros transitam livremente o que não aconselho de forma alguma.

Opte em correr com música em parques, na praia ou em locais que o risco de acidentes seja praticamente zero. Outra situação que não recomendo é correr com música quando estiver correndo com um grupo. Aí é uma questão de educação, pois nada melhor que jogar conversa fora em uma corrida leve com seu grupo de amizade. Bons treinos!

Atletismo · 04 set, 2015


Mais uma Sigla na Vida do Corredor: EPOC

Neste terceiro mês do ano muitos corredores planejaram metas e calendário de provas e já estão com volume de treino bem elevado, esquecendo-se de um fator super importante que é o descanso ou a fase de recuperação.

Existem diversos fatores que influenciam a recuperação como idade, tempo de treinamento, personalidade, temperatura, ambiente, alimentação, entre outros. Nesta coluna quero abordar o EPOC – sigla em inglês: Excess Post Oxygen Consumption. São reações que ocorrem quando o organismo continua consumindo oxigênio e calorias acima do normal por vários minutos, ou até mesmo horas, após os treinos.

Esse fenômeno é diferente em cada corpo, pois depende de diversas variáveis como alteração da temperatura corporal Foto: Warren Goldswain/ Fotolia Esse fenômeno é diferente em cada corpo, pois depende de diversas variáveis como alteração da temperatura corporal Foto: Warren Goldswain/ Fotolia

Você deve ter se perguntado: o que o EPOC tem a ver com a recuperação? Essa nova referência está cada vez mais presente no cotidiano do corredor, pois é possível saber o seu consumo extra de oxigênio para seu organismo se recuperar do esforço realizado. Ou seja, você estará melhor preparado para novas sessões de treinos.

O EPOC é constituído por um componente rápido e outro prolongado. O componente rápido ocorre dentro de uma hora onde o organismo, para voltar ao seu equilíbrio, remove lactato, restaura o dano tecidual nos músculos, assim como a restauração do aumento da frequência cardíaca e da temperatura corporal.

O mesmo processo acontece no componente prolongado, porém o retorno ao estado de equilíbrio fisiológico ocorre em um nível mais baixo de energia. Nos dois ciclos, o principal substrato energético utilizado são as gorduras, ou seja, a queima de gordura pode ocorrer por até 15 horas, de acordo com pesquisas.

Ao mesmo tempo, após uma sessão de treinos, o organismo consume oxigênio extra para se recuperar, guardando uma relação direta com o gasto energético - a cada litro de O2 consumido, aproximadamente, cinco calorias são geradas.

Em termos práticos, por exemplo, se você correu 30 minutos, o corpo precisa descansar. Nessa fase, o organismo entra em reequilíbrio e se prepara para o próximo dia de treino, consumindo oxigênio e gerando energia. Caso esse período não seja cumprido, seu corpo entrará numa sessão de treinos em desequilíbrio e cansado e isso só tem a prejudicar sua saúde e desempenho.

Esse fenômeno é diferente em cada corpo, pois depende de diversas variáveis como alteração da temperatura corporal, níveis hormonais, reposição de oxigênio na circulação e no músculo, entre outros fatores.

Hoje existe no mercado relógios que medem o EPOC, e podem ser uma opção a mais para que não fique tão dependente somente dos valores do seu monitor de frequência cardíaca. Ele será um complemento para que dê a devida atenção ao descanso ou fase de recuperação.

Essa é mais uma ferramenta tecnológica para alertar que o importante é respeitar sempre nossos limites, isto é, além de cumprir com o descanso, saber exatamente quando diminuir a intensidade naquele dia em que a sua frequência cardíaca apresenta um comportamento diferente.

Quanto mais referências para monitorar seu nível de cansaço, como o EPOC, melhor será a otimização de seus treinos. Porém, nunca se esqueça que somente você conhece suas reais condições físicas e mentais e pode avaliar o tempo ideal de descanso. Portanto, caso necessário, revise seu planejamento e inclua o descanso na programação de treinos. Tenho certeza que dessa maneira você atingirá suas metas com sucesso e saúde.

Corridas de Rua · 11 mar, 2015