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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)


Histórias de corrida e um pouco sobre qualidade de vida, yoga, saúde e alimentação e, claro, provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat.

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Estilos de corrida - qual o seu tipo?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/03/10 às 17:38 na(s) categoria(s) fail

Este é um post que eu tenho vontade de fazer sempre que vou correr em um local com bastante gente, tipo Ibira no pré-verão quando todo mundo lembra da praia, do biquini, da sunga e da barriguinha de chopp. Vocês já reparam nos estilos no mínimo pitorescos que as pessoas vão desenvolvendo para correr?

Quando você não está dando tiro pra morte, dá tempo de observar e até de pensar nessas coisas. Não vou aqui me meter a julgar as posturas - até porque quando a gente vê o povo de elite correndo, tem váááários que vão entortando assustadoramente ou que têm uma mecânica de corrida que olhando parece bizarra -- até você ver que o cidadão ganhou a maratona tal.

Mas juntei aqui os estilos de corrida que mais vejo (me incluíndo aí no meio, lógico, senão fica só pimenta nos olhos do outros, que alguém sem noção disse que era refresco):

Tiranossauro Rex - quando a pessoa corre com os bracinhos encolhidos e grudadinhos no corpo, estilo Horácio. Me dá um nervoso, confesso, mas não parece incomodar nadica o resto do mundo.

Locomotiva - aquele ser que vc ouve chegando lááááá de longe pelo barulho, que super lembra um trem? Porque de repente aquele bufar e assoprar vai aumentando, aumentando AUMENTANDO até que o corredor chega e antes que vc se preocupe se o indivíduo está prestes a ter um piripaque ele já foi. Soltando fumaça e chiando.

Cartoon style - sabe aquele passinho miudinho de desenho animado onde parece que as pernas só se movimentam do joelho para baixo mas o personagem se locomove super rapidinho? Pois é. Tem muitas senhorinhas que usam esse passo. Você não dá nada e quando vai ver, está comendo poeira.

Passada 7 Léguas - para quem tem passada Quenia style, vulgo aquela passada enooooorme, que dá de 2 a 4 das minhas e faz vc, pobre mortal, se sentir correndo em câmera lenta.

Playmobil - lembra como é o bracinho do playmobil? Tipo duro? O braço mexe ao correr, mas só articula na altura do ombro, dali pra baixo do jeito que começou a correr fica. Essa sou eu - e quanto mais força eu faço, mais trava o braço. Hoje to tentando melhorar, que a Cris ensinou esses dias um lance de soltar o antebraço durante a corrida que está fazendo maravilhas. Quando eu pegar melhor o jeito explico aqui.

Enxaqueca - essa não é nem postura de corrida, é uma postura de vida mesmo. Vc está treinando calmamente, super na sua, e de repente surge aquela pessoa mal humorada, cheia de ódio no coração, que esbraveja, esbarra em vc de propósito, tem certeza absoluta que todo mundo tem obrigação de intuir para onde ela vai e abrir caminho e ainda faz um som de reprovação e algum comentário desagradável depois. Eu costumo sorrir e desejar mentalmente que o ser entre em combustão espontânea. Espontânea, ouviram? Pra eu não ter nada a ver com isso.

Indeciso - ah, este é o corredor que não tem certeza. De nada. Se vai passar pela esquerda ou pela direita. Se vai dar tiro ou só um trotinho. É aquele povo que quando vem na sua direção te obriga a fazer aquela dancinha ridícula de vou-passar-pela-direita-não-pela-esquerda-não-pela-direita-mesmo. Ou então que para abruptamente e quase faz vc quase sair voando. Sei lá, gente assim tinha que ser obrigada a usar seta.

Big Brother - sabe aquela pessoa que tem certeza que está num reality show e todo mundo está acompanhando cada movimento dela e fazendo comentários? Sim, é o moço meio Johnny Bravo que enche o peito, encolhe a barriga e dá um jeito dos músculos parecerem mais. Ou a moça que corre de um jeito para o cabelo balançar corretamente e usa roupas pensadas para parecer que ela tem barriga tanquinho e glúteos de aço. Aquela gente que sorri para o nada, ou melhor, para a platéia de telespectadores invisíveis que só eles sabem que existem. Ignorância às vezes é uma bênção mesmo.

Pé de chumbo - ah, esse vc sabe que está chegando pq vc ouve e se tiver mais de um, fica em dúvida se tem alguma diligência do velho oeste chegando. Pq parece a cavalaria passando, cada passo é o próprio Homem de Ferro treinando. Aliás, eu estou nesse grupo também e vou contar: é dureza mudar. Quando vc começa a cansar ou está num dia mais distraído o passo pesado volta e vc só se toca quando ouve um barulho estranho - oops, sou eu mezz!

Pé de algodão - quase um felino correndo, vc até toma susto pq não ouve a pessoa se aproximar. Normalmente é o povo que corre bem e bonito (pq lógico, quando vc não é pé de chumbo corre muito mais rápido) e ainda por cima acelera e faz parecer que é um passeio no parque.

E vcs? Que outros tipos já observaram?

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Cruce parte final - Yes we can!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/02/10 às 20:19 na(s) categoria(s) fail
Pronto pessoas, juro que essa é a parte final desse relato, senão vcs vão ter que me abater a tiros. Aliás, vcs devem ter notado que o post anterior quase não tem fotos - isso porque no meio da desgraceira, na chuva, com seu cérebro parcialmente congelado, ninguém se arrisca a soltar um "que tal uma fotinho?", que era capaz de juntar uma matilha de corredores mal humorados e repolhar o autor da idéia (repolhar: aquilo que faziam com seu caderno de escola e que o deixava com cara de repolho, totalmente imprestável).

Mas ah, o 3º dia foi outra categoria de dia. Primeiro que de manhã parou de chover (exatamente como a previsão dos sites de esqui tinha dito, gente, acreditem na internet). Mesmo tendo que vestir uma outra peça de roupa úmida, a perspectiva de um solzinho já é outro papo. E olha que nós, refugiados do campo 1, mais conhecido como Acampamento do Vale da M*** (leiam post anterior para entender), tivemos que percorrer 5K para poder largar, já que a largada foi super estrategicamente posicionada no Refugiados 2. Ou seja, ao invés dos 37K prometidos para o dia, foram 42K, uma maratona na Patagônia, tudo o que vc queria depois de dois dias se acabando nas trilhas.

Ao chegar no acampamento amigo, de novo aquele enrolation para poder largar (desaquece tudo de novo, põe fleece, luva, gorro, a rotina das filas). A essa altura ninguém mais respeitava nada, a organização estava com moral zero e as pessoas só queria largar logo e pronto. Para não quebrar a rotinha, 2K da largada ela, a sua, a nossa... fila! Mas foi a única do dia e demorou só 40min, pois era uma ponte moderna onde podiam passar até 10 pessoas por vez, uma verdadeira multidão.

A partir dali, foi só alegria. Uns 22K de plano - e dessa vez era plano mesmo, e não aquilo que costumam chamar de plano da Patagônia. Só que, ao contrário de um trecho planão de cidade, não era nada monótono: era lindo e mudava completamente a cada 30 minutos. Primeiro vc corria por uma planície aberta, enorme, que se perdia no horizonte e tinhas tons terracota. Aí vc fazia uma curva e ia parar numa trilha pantanosa e cheia de arbustos, com vista para umas corredeiras verde esmeralda. Aí vc chegava num riozinho de águas transparentes e muitas pedras verdes (gente, tem MUITA pedra verde ali). Que vc tinha que atravessar, lógico. Dica: diga bem alto "ah, que bom, aproveito para fazer gelo nas pernas!" e vai com fé.

Aí vc passa por dentro de trilhas da Floresta Encantada, esperando encontrar animais míticos, elfos, orcs, hobbits e quiçá um pote de ouro sem duendes. Quando chega a subida vc já está tão em êxtase que conseguiu correr sem parar até ali que nem liga e sobe feliz e saltitante (tá, talvez só feliz).

Um hora vc chega numa ponte que é o próprio portal para a Terra Média de Tolkien. Sei lá, o 3º dia para mim foi tão bacana que eu estava a própria Pollyana Moça da corrida de aventura, achando que tudo tinha um lado bom e belo. Correndo e comendo pelas trilhas, com o sol marcando presença a ponto de colocar boné.

Aliás, uma parada para falar da alimentação no Cruce: se planeje bem que ela não vai te deixar na mão. Depois de várias experiências (comer de 1h em 1h, comer de 45min em 45min) no 3º dia nosso ponto de equilíbrio foi comer uma merrequinha de 30min em 30min. A dica é: OUÇA SEU CORPO, que ele sabe o que vc precisa a cada momento. Se vc prestar atenção, vai ver que uma hora ele pede salgado, outra hora doce, que as vezes só um gel passa e outras ele quer algo mais substancioso. Outra coisa que a Cris e a Vivi insistiram muito (para nossa sorte): não pare para comer, coma caminhando - pode ser devagar, mas não pare, que parar abre uma diferença de tempo GIGANTESCA da qual vc vai se arrepender depois.

Mais uma dica - super obrigada Zé - é, na hora que seria mais ou menos hora do almoço, coma algo com mais "sustância". No meu caso, uma bisnaguinha recheada de peanut butter. É, eu amo peanut butter, a de verdade, não aquela coisa cristalizada que vendem na maioria dos supermercados nacionais. Mas se vc não for alien como eu, pode comer a bisnaguinha com polenguinho (só lembre que o recheio vem na caixa e tem que ser algo que não estrague fora da geladeira, aliás nada do que vc trouxer).

Algumas coisas que levamos para comer:
  • castanhas salgadinhas
  • damascos secos
  • bananinha (que qualquer loja de bairro de doces vende)
  • gel (no nosso caso GU chocolate, devidamente dentro da garrafinha que não pode levar sachê na prova)
  • sanduiche c/ pão de fácil digestão (no nosso caso, achamos a bisnaguinha recheada perfeita)
  • barra de proteína (corte em uns 4 pedaços e vá comendo aos poucos senão não desce)
  • isotônico (no Cruce tinha Gatorade a vontade na largada e chegada, então dava para encher as garrafinhas)
  • sal
Ah, e deixe tudo isso nos bolsos laterais da mochila e nos bolsos, nada que vc tenha que parar ou abrir a mochila para pegar. E pessoas, não subestimem a alimentação, tem que comer mesmo se não sentir fome, que a prova acaba para muita gente por não comer e beber água direito.

Mas voltando ao dia 3: e então uma hora começou a ficar com cara de que estava chegando. Vc começa a ver pessoas caminhando com suas famílias. Pessoas com o abadá da prova batendo um pratão paradas no acostamento. Aí vc tem certeza de que chegou. Ainda bem que uma gentil alma feminina nos previniu: "está quase chegando, mas tem uma subida IMPORTANTE e aí chegou", ela disse. Quando uma corredora diz que a subida é importante, se prepara mermão. Que aí vem casca.

Dito e feito. Faltando tipo 2K para a chegada, tem um paredão que vcs não têm NOÇÂO. Daquele tipo que se vc ficar reto cai pra trás, sacumé? Imagina depois de tudo aquilo ainda ter que passar aquela coisa vertical. Tive muita dó de quem estava meio machucado e tinha se segurado até ali. Porque depois de subir o paredão tinha, óbvio, que descer o mesmo paredão do outro lado. Precisava MESMO gente?? Jura?

Mas OK, depois disso realmente era a chegada. E nessa hora as endorfinas bombam, vc chega num estado de euforia de dar inveja em personagem de desenho animado. Vc perdoa tudo, esquece o perrengue do dia 2, a chuva, o cansaço, o mundo é belo e vc conseguiu TERMINAR O CRUCE! É uma sensação sem igual e nessa hora ter uma dupla é tudo, porque é um momento uuhuuuuuuu que vc TEM que dividir com alguém. E eu dividi, com a minha dupla nota 1000, que resumiu nossa conquista de forma brilhante em uma frase Obama style que eu pego emprestado para batizar esse post: CRUCE: YES WE CAN!

Eu adoraria terminar o relato aqui. Porque seria o ponto final lindo. Só que não foi bem assim. Porque passada a chegada, tiradas as fotos, dados os gritos de vitória, tinha a parte da emigração. E começou a chover. Resultado: vc tinha que ficar na chuva enquanto o povo examinava, assinava e carimbava LEN-TA-MEN-TE seu passaporte. Eles não pareciam se importar de ficar na chuva, nem de deixar a tinta escorrer pelos documentos, mas eles não tinham fechado 100K (porque os 90K originais com os adendos viraram 100K) em 3 dias.

Mas OK, passou essa etapa. Aí vc tinha que andar (numa subida) até o local onde iam te levar de volta para o hotel quentinho para vc tomar um banho quente e gostoso e comemorar com seus amigos. Seria a chave de ouro do evento. Mas isso se as vans tivessem vindo nos buscar. Porque sabe quanto tempo tivemos que esperar NA CHUVA, ACABADOS, CANSADOS, NO FRIO? Duas horas. MAIS DE DUAS HORAS! Gente, é muito! Porque nessa hora sua resistência acabou. Mesmo trocando de roupa seu tênis tá encharcado, continua a chover, não tem onde se abrigar e a droga da van não vem - e vc sabe que a volta é um percurso de MAIS de 2h.

Isso foi a falha que considero realmente imperdoável da organização. Porque eles SABIAM quantas pessoas estavam inscritas, logo sabiam quantas vans iam precisar. E olha que teve um monte de desistências einh? Essa logística não tem desculpas. Porque sabe tudo aquilo que eu falei da alegria de terminar, da euforia onde vc começa a planejar voltar ano que vem, do momento em que vc perdoa tudo? Pois é, ele só vale até aquele momento em que vc termina. Pisar no tomate depois disso é estragar a experiência do cliente, e logo num momento em que ele estava disposto a esquecer erros passados e começar a se programar para a próxima.

Passamos tanto frio que foi ali que usamos nossos cobertores térmicos de sobrevivência: na espera da van. Ridículo né? O pior foi chegar ao hotel as 23h30, não ter mais restaurante aberto e vc ter que jantar batata e atum em lata no quarto do hotel. Ah sim, e seu avião sai no dia seguinte de manhã e vc tem que tirar suas coisas da caixa. Que está lá abandonada, sem nenhum controle, no mesmo campinho. Não tinha ninguém da organização lá nem as 11h da noite nem no outro dia de manhã quando pegamos nossas coisas. Se alguém quisesse arrombar sua caixa e levar tudo, beleza, não ia ter ninguém para ver ou impedir.

Uma pena isso, porque o final da parada deu uma azedada - mas não o suficiente para tirar o gostinho de vitória que eu sou uma pessoa zen, né? E com amigos de prova como os nossos - daqueles que comem palhacitos de manhã e fazem vc rir o resto do dia- nenhum perrengue é intransponível.

Pesando tudo, se vale a pena? VALE! Vale MUITO. Porque a adversidade faz parte, tem muita coisa ali que não tem como controlar, outras que foram falhas gravíssimas de organização, mas o prazer da prova é só seu, ninguém tasca!

Então pense nisso antes de desistir. A Cris falou bastante com a gente sobre o preço de desistir de uma prova e vou guardar isso pra sempre, porque é muito verdade: se vc tiver se machucado de verdade é uma coisa. Aí parar é uma questão de responsabilidade, tem que parar SIM. Agora se vc está sentindo uma dor que sabe que não é de lesão, se vc está cansado, quebrou na subida, não aguenta mais chuva, perrengue, dor muscular, cansaço, fila e erros da organização, não para não. Senão vc vai sempre ficar com aquela dúvida: e se? E se eu tivesse terminado? Será que dava? Será que não dava? Como seria? É um preço alto a pagar. E o ganho de terminar é gigantesco. Vc se sente gigante. Vc vira gigante. Porque vc conseguiu, não importa em que condições nem em quanto tempo. Yes, you can :-)

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Cruce parte III - O Vale da M....


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 16/02/10 às 16:39 na(s) categoria(s) fail
Dia 2 do Cruce, o grande divisor de águas da prova. Porque qualquer pessoa que tivesse tido o trabalho de acompanhar online as previsões das estaçoes de esqui mais próximas (fica aqui a dica) sabia que no sábado ia chover. E muito.

Isso ficou claro já na noite de sexta, quando a água começou a castigar as barracas de madrugada. Como a nossa era alugada, no melhor estilo é-o-que-tem-para-hoje, havia o inquietante risco dela nao aguentar chuva forte. Já havia até um plano B de para quais barracas a gente ia correr se a danada alagasse. Que reconfortante, nao? Mas eu dormi tão pesado - apesar do ronco estilo Globo da Morte de Certa Pessoa que negou ser autor de tão doce melodia depois - que só fui me preocupar com isso pela manhã, ou seja, a barraca resistiu firme e forte.

A complicaçao começou com a largada, que ficou sendo muito, mas MUITO mais tarde do que eu pensava: quase 10h. Na boa, quem não é elite e não termina a prova em 3h não deveria ter que largar depois das 8h, pq chega muito tarde. E NUNCA consegue pegar o almoço pelo qual pagou, então fica a dica: pessoas não-elite, pensem bem antes de gastar seus dolarzinhos suados reservando os almoços, porque nós nao vimos nem a cor dessa refeição, poderíamos ter pago só o jantar e ter gasto o resto com chocolate e vinho que teria sido muito mais bem pago.

Largar na chuva nunca é bom. Largar na chuva, no frio e sabendo que ia pegar fila e a pior pirambeira da prova é infinitamente pior. Mas vambora que faz parte. Já no comecinho, adivinha? Acertou, fila de novo. Dessa vez pq a trilha estava um lamão e o povo passava devagar, tateando bastante antes de decidir onde passar, com medo de escorregar logo no comecinho da prova. Anota aí, mais 50min de piadas e gritaria do nosso grupo, só que debaixo de chuva. Um mimo.

Daí pra frente só foi piorando, como esperado. Mesmo fazendo um percurso alternativo - o que foi um ponto positivo nesse dia péssimo- porque o principal ia ficar inviável na chuva, foi uma subida só. Nesse dia eu conheci o trekking pool, aquele bastão moderninho de caminhada. Olha, tenho que confessar: não nos demos muito bem.

No começo, como em todo relaconamento, eram tudo flores. Ele me salvou de morrer afundada na lama movediça das encostas encharcadas, evitou que eu escorregasse e basicamente foi essencial para esses trechos lamacentos. Mas aí a lama diminuiu, a subida ficou mais íngreme e nossa relação começou a ficar desgastada. Eu juro que nao consegui me acertar com ele. Porque meu jeito de subir ladeira da morte pressupoe uma certa mecanica, com as maos se movendo no mesmo ritmo que as pernas e ajudando na subida, estilo curvada-para-frente-mao-no-músculo-da-coxa-a-cada-passada, sabe como é? Pois com o danado do trekking pool nao dá para fazer isso, seus braços tem que seguir um ritmo bem diferente das pernas e nao podem encostar nas pernas. 

Teoricamente eu deveria estar distribuindo meu peso com o 3º apoio e fazendo menos força para subir, como as pessoas afortunadas que sabiam o usar o bastão infernal. Não foi o meu caso, me senti fazendo o dobro da força que normalmente faria, me sentia desengonçada, simplesmente não conseguia subir. Tipo péssimo.

Minha sábia dupla, habilidosa e faceira com seu trekking pool que só, não estava acreditando na minha dficuldade. Quero dizer, não que ela duvidasse de mim, é que parecia bizarro demais para ser só um problema de relacionamento com um objeto inanimado. Ela me garante que era algo mais que isso, mas juro, eu não estava me sentindo mal, nem fraca, nem com dor. Eu só não conseguia subir como uma pessoa normal, estava mais para zumbi escalador, sabe aquele andar lento e desengonçado de quem já morreu e esqueceram de avisar? Era eu.

Mas uma hora eu consegui começar a ignorar aquele equipamento desconcertante e voltar a acelerar. Tá, eu basicamente comecei a parar de usá-lo, até que a lama acabou ao ponto de eu poder devolve-lo. Um dia quem sabe revemos nosso relacionamento, quando eu superar meu bode e fizer as coisas direito, ou seja, treinando com ele antes para pegar o jeito como fizeram as pessoas mais espertas.

Enquanto isso, a trilha seguia rumo ao céu. O lugar mais lindo do dia para mim, disparado, foi a Trilha do Abismo, um caminho estreito tão no alto que vc corria acima das nuvens. PÁRA TUDO E IMAGINA: vc correndo e do seu lado direito a encosta da montanha e do lado esquerdo um abismo, com as nuvens paradas ABAIXO de vc. Inesquecível.

As coisas complicaram quando começamos a nos aproximar do fim. A chuva apertou muito e mesmo um bom impermeável uma hora joga a toalha, pq vc já cozinhou por dentro e pq esse entra e sai dos rios gelados + o temporal já conseguiu te encharcar até a alma. Aí nós fizemos algo que vcs nunca devem fazer: perguntar a alguém da oranizaçao quanto fatava para a chegada. O carra disse com muita convicção: un quilometro e medio. BELEZA! Mamão no açucar, estamos chegando, nem precisa mais comer. Acreditou? Dançou playboy. Faltavam mais de 5K. O que é ridículo no Ibirapuera, mas é uma vida no final do pior dia do Cruce.

Teve uma hora que comecei a correr de puro desespero. Tremia tanto de frio que achei que ia congelar ali mesmo e um dia, no futuro distante, iam me achar presa dento do bloco de gelo, tipo vejam a anta pré-histórica que acreditou na información do cabrón.

Aí vc finalmente chega e descobre que algo mais deu errado. Mais da metade das caixas, os banheiros e coisas do camping não chegaram nem vão chegar. Com a chuva uma ponte quebrou e só alguns caminhões conseguiram passar. Então, se sua caixa está lá, vc fica ali mesmo, se não, entra num caminhão de campo de concentração, anda 500m, desce dele e anda mais 5K até o acampamento 2, passando por um rio geladésimo.

Acharam péssimo ir até o acampamento 2? Isso porque vcs não ficaram no acampamento 1 como eu. Por que esse acampamento ficava num lugar batizado de.. Vale da Merda. Aliás, antes que alguém reclame, este é um blog fino e de família, que não usa de palavras de baixo calão. O termo, neste caso, é apenas a descrição literal da verdade. Quase um termo técnico. Porque o chão desse acampamento era feito de.. bem, não tem um jeito delicado de dizer, excremento de vaca. Nao estou exagerando, nao dava para ver nem um pedacinho de grama molhada ali, era esterco puro. E os lugares que não estavam assim digamos, decorados, estavam alagados.

Daí vem a pior tarefa da noite: montar a barraca na chuva, no cocô, tremendo de frio, encharcada e a um passo da hipotermia (pelo menos era essa a sensaçao). Nosso amigo francês de alma bondosa que se dispôs a ajudar a montar a barraca deve ter ficado impressionado, no pior sentido possível. Já sentiram o cérebro congelar? É assim: alguem te fala "pega aquela estaca ali" e seu cérebro fala "estaca? o que é uma estaca?" e durante esse processo vc fica imobilizada, tremendo, com cara de ã, tipo protetor de tela com janelas Windows voando. As pessoas falam com vc e na sua expressão as janelas continuam voando. Aí quando vc consegue processar a informação e pega a tal estaca, não consegue colocá-la onde devia, pq seus dedos estão duros de frio e vc treme tanto que erra o alvo diversas vezes. Uma delícia, especialmente se vc lembrar que vc PAGOU para ter essa experiância. Palmas para vc. Gênio.

Aí vc entra catatônica na barraca, se troca e o cérebro começa a descongelar, junto com as roupas quentinhas. Nao fica ótimo, pq afinal nao pára de chover, vc está literalmente na merda, seu abadá está encharcado, assim como a mochila, impermeável, luvas e manguito. E vc vai ter que usá-los no dia seguinte. Oba!

Somando isso ao fato de que no Campo de Refugiados 1 (o nosso) não teve banheiro, a comida chegou as 20h, tudo na barraca estava úmido e nao tinha ninguém da organizaçao p/ vc se informar, nao foi assim um final de dia gostoso. E consta que o povo do Refugiados 2 foi quem se rebelou, dizem que houve gritaria, palavras de baixo calão, pitís e muitas muitas desistências, já que a organizaçao estava toda lá. E olha que no camping deles tinha até banheiro, alem do chão ser de grama com apenas eventuais presentinhos das vacas aqui e ali. Tem gente que era feliz e não sabia.

Eu entendo o povo que desistiu. Dava vontade mesmo. Quem tinha ido no clima um-passeio-mais-longo-entre-lindas-paisagens viu a casa cair. Mas por outro lado, na montanha CHOVE, gente. Pontes caem. O que pegou foi a falta de informação nos campings e um preparo mehorzinho para a chuva, já que sabendo que ia cair o mundo podiam ter pensado pelo menos numas loninhas de cobertura e numa logística de largada melhor.

Mas afinal, depois de dormir no Vale da M**** vc acha que a gente ia desistir? ÓBVIO QUE NÃO, NÉ? Porque a lógica diz que piorar não podia, entao o dia 3 só podia ser ótimo. E foi!


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Cruce parte II - Permiso! Permiso!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 12/02/10 às 12:16 na(s) categoria(s) fail
Eu sei, eu devia ter postado isso ontem, mas me deem um descontinho que eu ainda estou meio slow motion, sabe aquela tirinha do Calvin quando ele era atacado pela câmera lenta e só conseguia fazer as coisas leeennnnnntaaaaaamennnnnttttte? Pois é, me pegou também. Mas senta que lá vem a história. Cruce de los Anes 2010, dia 1.

Primeiro a dúvida cruel: afinal, larga cedo, médio ou tarde? Porque tem mais de 1h de busão para chegar até a largada. Super cedo dava medo de ter que ficar horas esperando a elite largar. Muito tarde vc pega todos os caminhantes. E o seu tempo no 1º dia vai definir o horário de largada dos próximos. Tentamos o meio termo, mas na prática ficou tarde e acabamos pegando muito trânsito de pessoas. Conclusão: larga cedo e se tiver que esperar, espera lá.

Na largada, muita emoção, WOW COMEÇOOOOOU! Trilha adentro, logo começa a pirambeira. Só que uma prova de aventura com 1.500 pessoas tem suas desvantagens: faz fila. Isso mesmo, vc acha que deixou Sampa para trás com suas filas para tudo e ali, em plena Patagônia, adivinha: uma fila! Que delícia. E nos trechos de trilhas estreitas, nem tem como ultrapassar ninguém, ou seja, vc tem que esperar quem for mais lento conseguir subir ou atravessar um trecho mais difícil.

Aliás, a ultrapassagem merce um comentário a parte. Todo mundo que fez o Cruce aprendeu que para passar alguém é assim: vc grita "Permiso! Permiso! Por la esquerda! Por la esquerda!" e sai cotovelando e se enfiando na frente que quem for. O primeiro que me passou desse jeito delicado como um hipopótimo com dor de dente quase me joga montanha abaixo, um exemplo de urbanidade. E tem também as pessoas que não te dão o tal permisso nem que a vaca tussa, bata palmas e cante Aída. Tipo de picuinha mesmo, abrem bem os braços, colocam seus trekking pools em posição de ataque (aquela que se vc tentar passar de qualquer um dos lados vira literlamente espetinho) e brincam de surdinhos, mesmo quando dava para passar uma pessoa de cada lado com folga.

Mas enfim, vc aprende que gritar "Permiso! Permiso!" é a senha para sai-da-frente-senão-eu-passo-por-cima. Claro que também tem muita gente educadinha que fala "Permiso!" sem trincar de dentes nem olhos injetados e que percebe que em alguns lugares não tem como dar passagem, porque só passa um, espera a 1ª abertura e ainda solta um gentil "Gracias!" quando consegue passar. E vc que achava que a aventura da corrida de aventura era só porque não era asfalto né?

O grande mico do 1º dia foi também a grande beleza. O mico leão dourado premium desse dia 1 foi ela, a fila. Imagina que vc está aquecido, finalmente passou aquele bolão de caminhantes e pessoas mais lentas que vc, trotando feliz e contente pela Patagônia adentro quando de repente... vc pára. E vê na sua frente uma fila de umas 80 pessoas. Todas paradas e pelo jeito há um tempo. É tipo estar a 110KM na estrada e de repente surge aquela fila do pedágio.

E sabe por que a fila? Porque tinha uma ponte láááá na frente onde só se podia passar de 2 em 2. Façam as contas, 750 duplas (tirando o povo de elite que era, sei lá, chutando umas 100 pessoas) tendo que passar civilizadamente em duplinhas - e a próxima dupla só passa depois que a primeira pisar o último pé fora da ponte. É ÓBVIO que ia empirulitar o trânsito né? Claro que são normas de segurança e precisam ser seguidas, mas valia um fracionamento melhor de quantidade de pessoas largando para não embolar desse jeito né não? Pisada no tomate da organização. E chuta quanto tempo a gente ficou nessa fila? 1h30. É, leu certo, uma-hora-e-meia.

Deu tempo de comer, esfriar completamente, vestir o fleece, luvas e gorro, fazer amizade com todo mundo próximo a vc na fila, contar piadas biligues e trilingues, fazer xixi no matinho, sentar no chão de pernas cruzadas, passar umas 3 ondas de ÔLA pela fila, tirar tudo de novo e guardar na mochila.

Só que quando chegou nossa vez de passar na ponte, ficamos até sem fala. Pessoas, que visual era aquele?? Foi de longe o ponto mais lindo do dia. Porque debaixo dessa ponte passava un rio caldaloso verde esmeralda com uma queda d´água majestosa logo acima que juro, era de tirar o fôlego e perdoar na hora o tempo de espera.

O duro é voltar a correr depois que vc já esfriou totalmente. Mas enfim, faz parte e continuamos. O percurso desse dia era assim: piramba, descidinha, piramba, descidinha, alguns metros de planinho, outra piramba. No meu caso isso signifcou anda-corre-anda-corre, o que eu gostei.

Mas quando vc achava que toda essa coisa de fila estava no passado, aconteceu de novo. Parou tudo. Isso porque dessa vez a promessa era que seríamos levados de barco para atravessar um trecho do lago lindo (de onde vc já ouvia os sons de pessoas felizes que chegaram muuuuito antes de vc ao acampamento, tipo aquele trecho da meia do RJ onde vc passa pela chegada no aterro do Flamengo). Ah, ok, vamos passear de lancha, uhuuu! Daí, uns 40min depois, novo aviso: gente, cancelamos os barcos! Tá demorando muito e ficou decidido que vcs vão fazer esse trecho a pé.

Traduzindo: vai andar 4K a mais que o resto e ainda voltar boa parte do trecho e contornar o lago, pegando, lógico, subidas. Teve gente que chorou ali. Eu só fiquei com um mau humor do cão e saí correndo e fazendo cara de serial killer para qq pessoa de fleece vermelho da organização. No final, a parte ruim dessas esperas todas é que a fila foi um grande unificador de tempos. Se vc saiu mais forte, no final chegou quase junto com quem estava bem mais fraco, pq a fila aproximou todo mundo. Que democrático né?

A chegada no acampamento, porém, foi o máximo. O camping era num vale lindo, cercado de montanhas de picos nevados, as ruazinhas coloridas todas organizadinhas (porque cada container tinha uma cor, que correspondia a uma rua onde vc tinha que montar sua barraca). Nós, pessoas privilegiadas que temos gente do calibre da Cris, Zé, Belô, Camila, Vivi, Marcela, Laurent & Cia nos ajudando já estávamos com as caixas ali. Aí era montar a barraca (seguindo instruções, lógico, senão estava até hoje lá olhando para as estacas com ar perdido), tomar aquele banhão de baby wipes, trocar de roupa (2ª pele + fleece grosso + blusão impermeável + calça+ meia quente + croc no pé), pegar seu pratinho e talheres e rumar para a tenda da comida. Que aliás, estava ótima! Comi super bem, disso não posso me queixar. Tinha massa, carne p/ os carnívoroes (que falaram que estava excelente), sopa e até salada.

Pança cheia, o lance era deixar tudo pronto para o dia seguinte, pegar o saquinho com as roupas já prontas do dia 2 (que nós somos mocinhas organizadas e prevenidas), separar as comidas para durante a prova, o café da manhã, tomar uns goles de vinho e apagar. Se eu dormi? Não, eu praticamente morri e ressuscitei no dia seguinte. Que foi onde toda a desgraceira começou - mas isso é para o próximo post.

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Agora que passou a São Silvestre...


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 15/01/10 às 12:43 na(s) categoria(s) fail
... acho que dá para fazermos algumas considerações sem o calor do momento. Não, esse ano não corri, porque como vcs já sabem, estava subindo ladeiras em Atibaia. Mas quando corri, tenho que confessar que adorei (tem um pouco disso aqui nesse post).

Adorei o astral, as pessoas fantasiadas, a forma de comemorar o encerramento de um ano e o percurso. Como já falei, não foi nem a mais fácil, nem a mais difícil, nem a mais bonita das provas que já corri, mas com certeza foi a mais *divertida*. Isso APESAR do bafo quente que sai do asfalto e da quantidade de gente que te faz sentir que nem naqueles metrôs japoneses na hora do rush, onde tem funcionários que empurram as pessoas para dentro do vagão para caber mais gente.

Independente disso, assistir a São Silvestre é algo que eu faço questão de fazer. Faz parte dos rituais de reveillon. Tem gente que pula ondinha, come semente e vira o derriére para a lua --assistir à São Silvestre faz parte desse sincretismo, assim como usar roupas de cores específicas ou essa maledeta mania de soltar rojões (quem tem cães que piram com o barulho me entende, tenho certeza).

Para mim, essa corrida tem ligações afetivas, já que é também o dia do aniversário do meu pai e, quando eu era jovem e inocente e a São Silvestre era a meia-noite, assistíamos a corrida preparados com as taças na mão: acabava, rolava a contagem, o brinde e o parabéns, quase que tudo ao mesmo tempo. By the way, eu adoraria que voltasse a ser uma corrida noturna e acabasse a meia-noite. Eu sei, eu sei, tem zilhões de argumentos contra, mas eu continuo preferindo a corrida da virada.

Pois bem, esse ano achei a cobertura da corrida FAIL, uma decepção. Nas 2 emissoras. Aliás, por que sempre tem uma dupla comentarista formada por alguém que sabe do que está falando + alguém que não tem a menor idéia e faz os comentários mais estapafúrdios do planeta? Tipo "vejam o corredor nº xxx acabou de encostar no pelotão de elite!" (era um pipoca, que tinha entrado de gaiato na prova naquele trecho para aparecer um pouquinho). Ou então "e lá vai ele, tranquilo na liderança" (era um atleta que ia parar antes do final, por isso estava dando aquele gás master).
 
Considerando a quantidade de comentários infelizes, a cobertura de imagens tinha que ser ótima, né? Só que não foi. A disputa feminina vc viu? Pq eu não vi. Só vi a largada e depois de muuuuiiiiito tempo mostraram a líder e quando ela ganhou. Os comentaristas nem sabiam dizer quem estava em 2º lugar até mostrarem a pessoa. Ninguém viu como é que a Pasalia disparou, como estava a disputa no pelotão, como estavam as outras corredoras - enfim, como foi a prova em si. E olha que, na minha modesta opinião, o feminino costuma ser mais emocionante que o masculino (não, não é sexismo, é que no feminino costumam rolar mais surpresas, proporcionalmente, mas claro que as surpresas podem rolar em qq corrida) - quem lembra da última maratona olímpica?

No masculino a cobertura também deixou muito a desejar, muito tempo só acompanhando o líder e nada de mostrar aquela disputas e momentos emocionantes que rolam nos pelotões.

Além disso, tem Aquela Questão Espinhosa, que é a das quotas de atletas estrangeiros nas corridas. Acho que não tem resposta fácil para a questão. Quem é a favor de limitar a quantidade de estrangeiros diz que os atletas nacionais, que já nadam em dificuldades e dificilmente arrumam patrocínio, vão perder o pouco incentivo que têm e que dessa forma não conseguem as pontuações necessárias para as provas maiores.

Quem é contra, diz que fazer reserva de mercado é tapar o sol com a peneira e que tem é que melhorar a performance nacional e parar de mimimi, que a vida de atleta é dura e a competição é cruel mesmo.

Eu acho que é fácil bater martelos e distribuir veredictos. Mas a verdade é que essa força queniana (africana no geral) incomoda em todos os países. Nos EUA tem rolado uma queda mo interesse do público leigo em acompanhar as provas porque nenhum norte-americano vence. Ao mesmo tempo, se todo mundo limitar, os quenianos só vão poder concorrer mesmo e pontuar... no Quênia. E quantas provas internacionais e importantes acontecem lá mesmo?

Não é uma questão fácil, esporte para crescer precisa ter público, fãs, heróis nacionais. Ao mesmo tempo, o esporte tem o dom de dar espaço para talentos incríveis que podem surgir dos lugares mais improváveis, mais sem condições - e isso não dá para perder.

Ou seja, eu não tenho uma posição fechada a respeito, pq vejo razão dos dois lados da questão - não vejo é uma solução simples! Na dúvida, continuo em dúvida. E vcs?

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Brasil - Itália


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 29/12/09 às 21:55 na(s) categoria(s) fail
Gente, um post rápido, quase um twitter. É que acabei de chegar de uma grande loja de produtos esportivos. Entre as cositas, trouxe 3 meias para minha mãe. Ela queria pretas, do tipo invisível (que especialmente em preto são mais do que visíveis), confortáveis. Achei, cor certa, material OK, preço incrível. Levei. Serviram, ela adorou. 

MAS como eu sou aquela pessoa que tem mania de ler TUDO, manuais, bula de remédio e, segundo um amigo meu fotógrafo a única pessoa do mundo que lê todas as legendas em exposição de fotos, li tudo o que tinha na embalagem das meias. Uma das partes que eu mais gosto é de ver as coisas transcritas em várias línguas. Eu sei, gosto não se discute.

Daí que tinha, em inglês: Made in Brazil. Em espanhol, seguia: Hecho en Brasil. (não, não tinha em português, já começa a bizarrice daí). Daí vinha em russo e em japonês, coisa que o tradutor da marca deve ter pensado: ah vá, quem é que vai saber falar russo no Brasil?? Bem, acontece que, para infelicidade dele, eu sei. E ali estava escrito: Produzido na Itália. Oi? Como assim por exemplo?

Será que a máfia russa e a italiana se uniram? Algum boicote ao produto tupiniquim? Ou Brasil e Itália têm um acordo secreto que acaba de ser revelado nesse blog? Mistério. Como não sou tão poliglota assim e não sei lhufas de japonês, fica aqui a dúvida de qual seria o país de origem desta peculiar meia na tradução nipônica. Será que a Interpol lê esse blog?
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Correndo na penumbra


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/11/09 às 18:34 na(s) categoria(s) fail
Depois de Dançando no Escuro, apresento Correndo na Penumbra. Estrelado pelos corredores que treinam a noite no parque do Ibirapuera. É um mix de filme noir e suspense, com um toque de comédia, dirigido pelo povo que decidiu que não precisa acender todas as luzes do parque a noite. Afinal, correr enxergando tudo é para fracos!

É assim: vc vai treinar e a assessoria tem que mudar de banco porque o tradicional local fica embaixo de um poste de iluminação apagado, ou seja, não é visível ao olho humano chegando do estacionamento.

Aí vc, que é uma pessoa ousada e corajosa, resolve correr a volta de 3K para se aquecer. Quando vai dar a volta no lago, começa a gincana, quase uma festa junina. Pula a rachadura no chão minha gente! Olha a poça! Cuidado com a raiz de árvore saindooo. E olha que não estou falando de locais como a pistinha, que é o máximo mas de noite fica tão deserta que só falta aquelas bolas de feno do deserto de faroeste passando.

E a volta de 1K então? Ou vc corre no pelotão, no modo unidos venceremos, ou fica para trás ouvindo a musiquinha do Psicose quando tem que passar sozinha pelo lado mais escuro, com medo que o Michael Jackson e os zumbis saiam dançando da terra. Fora que no geral, tem tantos postes apagados que o parque inteiro está a meia luz. Seria romântico se não fosse perigoso.

O policiamento lá melhorou e aumentou muito, isso preciso dizer! Tem sempre um carro checando o parque inteiro, nesse ponto o Ibira está de parabéns. Mas vamos combinar que, com pouca luz, o trabalho da polícia fica bem mais difícil né? Gente, o que é isso, treino para mais um apagão? Economia de energia? Quebrou a escada para trocar as lâmpadas que queimaram?

Nesse andar da carruagem, logo mais só vai poder ter treino em noite de lua cheia. Mas aí vamos ter que correr com balas de prata..
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Help, meus posts foram abduzidos :-O


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/11/09 às 17:04 na(s) categoria(s) fail
Pessoas, acabei de ver que meus últimos posts foram abduzidos! Não pela Webrun, que também está tão perplexa quanto eu, talvez nossa banda larga que aqui na agência anda dando só FAIL? Não duvido, que volta e meia a internê aqui fica a lenha, tem sites que não entram, outros dão paus bizarros..

Será que foi abdução por seres alienígenas? O mundo começou a acabar agora e não em 2012? O Echelon censurou?

Enfim, vou correr atrás do prejuízo e tentar recuperar os danados, além de postar as novas. O que mais me dá pena é o post de cobertura da feira, do Running Show, onde eu tive o grandecíssimo enormíssimo prazer de conhecer alguns de vcs, leitores! Foi O Máximo, né Pati? Um bate papo ótimo, ficou o maior gosto de quero mais.

Agora, é a Hora da Vingança. Senta que lá vem post!
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Pós-prova é DUREZA


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 22/07/09 às 19:16 na(s) categoria(s) fail
Pessoas, tenho que confessar que SUPER me identifiquei com esse vídeo. Especialmente no domingão pós-Montanholi :-D É ou não é assim mezzz??




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Tá esfriando, UEBA!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 29/05/09 às 11:46 na(s) categoria(s) fail
Sim, eu gosto de frio. Não de passar frio, claro, mas do tempo mais friozinho. Prefiro colocar gorro e luva do que ficar derretendo na Zâmbia que São Paulo fica no verão. Não me entendam mal, eu adoro sol e curto calor e verão - mas NA PRAIA. Ou na piscina. Um calorzinho que dá para colocar um vestido é ótimo, mas aquela sauna insuportável onde vc fica suando mesmo sem se mexer não dá. Vc vai numa festa e a roupa já está grudada em você na hora em que vc está cumprimentando as pessoas. Você tenta dormir a noite e fica fritando na cama. Você vai treinar e já está morrendo de calor antes de começar a volta de aquecimento.

Pois agora os deuses nórdicos sorriram para nós (nós que curtimos um cachecol e um vinho quente) e está esfriando. Resultado: a galera DEBANDOU do Ibirapuera. É só dar um ventinho mais gelado que o povo some - e só volta quando lembra que tem que caber no biquini tipo semana que vem.

Pessoas, deixem de preconceito, treinar no frio é uma DELÍCIA! Você esquenta rápido, não fica suando como se estivesse derretendo igual aquele senador do 1º filme do X-Men e ainda consegue fazer treino de tiro melhor, sem ter que desviar de tanta gente na pista.

Como diz meu pai, quando vc está com frio é só colocar roupa mais quente que passa, já quando está calor pode ficar pelado que não resolve :-) Deve ser hereditária a coisa então.
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Antes de iniciar a prática esportiva consulte um médico para realizar exames que qualifiquem o seu estado de saúde para tal.
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