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nataliay
São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)


Histórias de corrida e um pouco sobre qualidade de vida, yoga, saúde e alimentação e, claro, provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat.

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Cruce parte final - Yes we can!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/02/10 às 20:19 na(s) categoria(s) dicas
Pronto pessoas, juro que essa é a parte final desse relato, senão vcs vão ter que me abater a tiros. Aliás, vcs devem ter notado que o post anterior quase não tem fotos - isso porque no meio da desgraceira, na chuva, com seu cérebro parcialmente congelado, ninguém se arrisca a soltar um "que tal uma fotinho?", que era capaz de juntar uma matilha de corredores mal humorados e repolhar o autor da idéia (repolhar: aquilo que faziam com seu caderno de escola e que o deixava com cara de repolho, totalmente imprestável).

Mas ah, o 3º dia foi outra categoria de dia. Primeiro que de manhã parou de chover (exatamente como a previsão dos sites de esqui tinha dito, gente, acreditem na internet). Mesmo tendo que vestir uma outra peça de roupa úmida, a perspectiva de um solzinho já é outro papo. E olha que nós, refugiados do campo 1, mais conhecido como Acampamento do Vale da M*** (leiam post anterior para entender), tivemos que percorrer 5K para poder largar, já que a largada foi super estrategicamente posicionada no Refugiados 2. Ou seja, ao invés dos 37K prometidos para o dia, foram 42K, uma maratona na Patagônia, tudo o que vc queria depois de dois dias se acabando nas trilhas.

Ao chegar no acampamento amigo, de novo aquele enrolation para poder largar (desaquece tudo de novo, põe fleece, luva, gorro, a rotina das filas). A essa altura ninguém mais respeitava nada, a organização estava com moral zero e as pessoas só queria largar logo e pronto. Para não quebrar a rotinha, 2K da largada ela, a sua, a nossa... fila! Mas foi a única do dia e demorou só 40min, pois era uma ponte moderna onde podiam passar até 10 pessoas por vez, uma verdadeira multidão.

A partir dali, foi só alegria. Uns 22K de plano - e dessa vez era plano mesmo, e não aquilo que costumam chamar de plano da Patagônia. Só que, ao contrário de um trecho planão de cidade, não era nada monótono: era lindo e mudava completamente a cada 30 minutos. Primeiro vc corria por uma planície aberta, enorme, que se perdia no horizonte e tinhas tons terracota. Aí vc fazia uma curva e ia parar numa trilha pantanosa e cheia de arbustos, com vista para umas corredeiras verde esmeralda. Aí vc chegava num riozinho de águas transparentes e muitas pedras verdes (gente, tem MUITA pedra verde ali). Que vc tinha que atravessar, lógico. Dica: diga bem alto "ah, que bom, aproveito para fazer gelo nas pernas!" e vai com fé.

Aí vc passa por dentro de trilhas da Floresta Encantada, esperando encontrar animais míticos, elfos, orcs, hobbits e quiçá um pote de ouro sem duendes. Quando chega a subida vc já está tão em êxtase que conseguiu correr sem parar até ali que nem liga e sobe feliz e saltitante (tá, talvez só feliz).

Um hora vc chega numa ponte que é o próprio portal para a Terra Média de Tolkien. Sei lá, o 3º dia para mim foi tão bacana que eu estava a própria Pollyana Moça da corrida de aventura, achando que tudo tinha um lado bom e belo. Correndo e comendo pelas trilhas, com o sol marcando presença a ponto de colocar boné.

Aliás, uma parada para falar da alimentação no Cruce: se planeje bem que ela não vai te deixar na mão. Depois de várias experiências (comer de 1h em 1h, comer de 45min em 45min) no 3º dia nosso ponto de equilíbrio foi comer uma merrequinha de 30min em 30min. A dica é: OUÇA SEU CORPO, que ele sabe o que vc precisa a cada momento. Se vc prestar atenção, vai ver que uma hora ele pede salgado, outra hora doce, que as vezes só um gel passa e outras ele quer algo mais substancioso. Outra coisa que a Cris e a Vivi insistiram muito (para nossa sorte): não pare para comer, coma caminhando - pode ser devagar, mas não pare, que parar abre uma diferença de tempo GIGANTESCA da qual vc vai se arrepender depois.

Mais uma dica - super obrigada Zé - é, na hora que seria mais ou menos hora do almoço, coma algo com mais "sustância". No meu caso, uma bisnaguinha recheada de peanut butter. É, eu amo peanut butter, a de verdade, não aquela coisa cristalizada que vendem na maioria dos supermercados nacionais. Mas se vc não for alien como eu, pode comer a bisnaguinha com polenguinho (só lembre que o recheio vem na caixa e tem que ser algo que não estrague fora da geladeira, aliás nada do que vc trouxer).

Algumas coisas que levamos para comer:
  • castanhas salgadinhas
  • damascos secos
  • bananinha (que qualquer loja de bairro de doces vende)
  • gel (no nosso caso GU chocolate, devidamente dentro da garrafinha que não pode levar sachê na prova)
  • sanduiche c/ pão de fácil digestão (no nosso caso, achamos a bisnaguinha recheada perfeita)
  • barra de proteína (corte em uns 4 pedaços e vá comendo aos poucos senão não desce)
  • isotônico (no Cruce tinha Gatorade a vontade na largada e chegada, então dava para encher as garrafinhas)
  • sal
Ah, e deixe tudo isso nos bolsos laterais da mochila e nos bolsos, nada que vc tenha que parar ou abrir a mochila para pegar. E pessoas, não subestimem a alimentação, tem que comer mesmo se não sentir fome, que a prova acaba para muita gente por não comer e beber água direito.

Mas voltando ao dia 3: e então uma hora começou a ficar com cara de que estava chegando. Vc começa a ver pessoas caminhando com suas famílias. Pessoas com o abadá da prova batendo um pratão paradas no acostamento. Aí vc tem certeza de que chegou. Ainda bem que uma gentil alma feminina nos previniu: "está quase chegando, mas tem uma subida IMPORTANTE e aí chegou", ela disse. Quando uma corredora diz que a subida é importante, se prepara mermão. Que aí vem casca.

Dito e feito. Faltando tipo 2K para a chegada, tem um paredão que vcs não têm NOÇÂO. Daquele tipo que se vc ficar reto cai pra trás, sacumé? Imagina depois de tudo aquilo ainda ter que passar aquela coisa vertical. Tive muita dó de quem estava meio machucado e tinha se segurado até ali. Porque depois de subir o paredão tinha, óbvio, que descer o mesmo paredão do outro lado. Precisava MESMO gente?? Jura?

Mas OK, depois disso realmente era a chegada. E nessa hora as endorfinas bombam, vc chega num estado de euforia de dar inveja em personagem de desenho animado. Vc perdoa tudo, esquece o perrengue do dia 2, a chuva, o cansaço, o mundo é belo e vc conseguiu TERMINAR O CRUCE! É uma sensação sem igual e nessa hora ter uma dupla é tudo, porque é um momento uuhuuuuuuu que vc TEM que dividir com alguém. E eu dividi, com a minha dupla nota 1000, que resumiu nossa conquista de forma brilhante em uma frase Obama style que eu pego emprestado para batizar esse post: CRUCE: YES WE CAN!

Eu adoraria terminar o relato aqui. Porque seria o ponto final lindo. Só que não foi bem assim. Porque passada a chegada, tiradas as fotos, dados os gritos de vitória, tinha a parte da emigração. E começou a chover. Resultado: vc tinha que ficar na chuva enquanto o povo examinava, assinava e carimbava LEN-TA-MEN-TE seu passaporte. Eles não pareciam se importar de ficar na chuva, nem de deixar a tinta escorrer pelos documentos, mas eles não tinham fechado 100K (porque os 90K originais com os adendos viraram 100K) em 3 dias.

Mas OK, passou essa etapa. Aí vc tinha que andar (numa subida) até o local onde iam te levar de volta para o hotel quentinho para vc tomar um banho quente e gostoso e comemorar com seus amigos. Seria a chave de ouro do evento. Mas isso se as vans tivessem vindo nos buscar. Porque sabe quanto tempo tivemos que esperar NA CHUVA, ACABADOS, CANSADOS, NO FRIO? Duas horas. MAIS DE DUAS HORAS! Gente, é muito! Porque nessa hora sua resistência acabou. Mesmo trocando de roupa seu tênis tá encharcado, continua a chover, não tem onde se abrigar e a droga da van não vem - e vc sabe que a volta é um percurso de MAIS de 2h.

Isso foi a falha que considero realmente imperdoável da organização. Porque eles SABIAM quantas pessoas estavam inscritas, logo sabiam quantas vans iam precisar. E olha que teve um monte de desistências einh? Essa logística não tem desculpas. Porque sabe tudo aquilo que eu falei da alegria de terminar, da euforia onde vc começa a planejar voltar ano que vem, do momento em que vc perdoa tudo? Pois é, ele só vale até aquele momento em que vc termina. Pisar no tomate depois disso é estragar a experiência do cliente, e logo num momento em que ele estava disposto a esquecer erros passados e começar a se programar para a próxima.

Passamos tanto frio que foi ali que usamos nossos cobertores térmicos de sobrevivência: na espera da van. Ridículo né? O pior foi chegar ao hotel as 23h30, não ter mais restaurante aberto e vc ter que jantar batata e atum em lata no quarto do hotel. Ah sim, e seu avião sai no dia seguinte de manhã e vc tem que tirar suas coisas da caixa. Que está lá abandonada, sem nenhum controle, no mesmo campinho. Não tinha ninguém da organização lá nem as 11h da noite nem no outro dia de manhã quando pegamos nossas coisas. Se alguém quisesse arrombar sua caixa e levar tudo, beleza, não ia ter ninguém para ver ou impedir.

Uma pena isso, porque o final da parada deu uma azedada - mas não o suficiente para tirar o gostinho de vitória que eu sou uma pessoa zen, né? E com amigos de prova como os nossos - daqueles que comem palhacitos de manhã e fazem vc rir o resto do dia- nenhum perrengue é intransponível.

Pesando tudo, se vale a pena? VALE! Vale MUITO. Porque a adversidade faz parte, tem muita coisa ali que não tem como controlar, outras que foram falhas gravíssimas de organização, mas o prazer da prova é só seu, ninguém tasca!

Então pense nisso antes de desistir. A Cris falou bastante com a gente sobre o preço de desistir de uma prova e vou guardar isso pra sempre, porque é muito verdade: se vc tiver se machucado de verdade é uma coisa. Aí parar é uma questão de responsabilidade, tem que parar SIM. Agora se vc está sentindo uma dor que sabe que não é de lesão, se vc está cansado, quebrou na subida, não aguenta mais chuva, perrengue, dor muscular, cansaço, fila e erros da organização, não para não. Senão vc vai sempre ficar com aquela dúvida: e se? E se eu tivesse terminado? Será que dava? Será que não dava? Como seria? É um preço alto a pagar. E o ganho de terminar é gigantesco. Vc se sente gigante. Vc vira gigante. Porque vc conseguiu, não importa em que condições nem em quanto tempo. Yes, you can :-)

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Cruce parte III - O Vale da M....


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 16/02/10 às 16:39 na(s) categoria(s) dicas
Dia 2 do Cruce, o grande divisor de águas da prova. Porque qualquer pessoa que tivesse tido o trabalho de acompanhar online as previsões das estaçoes de esqui mais próximas (fica aqui a dica) sabia que no sábado ia chover. E muito.

Isso ficou claro já na noite de sexta, quando a água começou a castigar as barracas de madrugada. Como a nossa era alugada, no melhor estilo é-o-que-tem-para-hoje, havia o inquietante risco dela nao aguentar chuva forte. Já havia até um plano B de para quais barracas a gente ia correr se a danada alagasse. Que reconfortante, nao? Mas eu dormi tão pesado - apesar do ronco estilo Globo da Morte de Certa Pessoa que negou ser autor de tão doce melodia depois - que só fui me preocupar com isso pela manhã, ou seja, a barraca resistiu firme e forte.

A complicaçao começou com a largada, que ficou sendo muito, mas MUITO mais tarde do que eu pensava: quase 10h. Na boa, quem não é elite e não termina a prova em 3h não deveria ter que largar depois das 8h, pq chega muito tarde. E NUNCA consegue pegar o almoço pelo qual pagou, então fica a dica: pessoas não-elite, pensem bem antes de gastar seus dolarzinhos suados reservando os almoços, porque nós nao vimos nem a cor dessa refeição, poderíamos ter pago só o jantar e ter gasto o resto com chocolate e vinho que teria sido muito mais bem pago.

Largar na chuva nunca é bom. Largar na chuva, no frio e sabendo que ia pegar fila e a pior pirambeira da prova é infinitamente pior. Mas vambora que faz parte. Já no comecinho, adivinha? Acertou, fila de novo. Dessa vez pq a trilha estava um lamão e o povo passava devagar, tateando bastante antes de decidir onde passar, com medo de escorregar logo no comecinho da prova. Anota aí, mais 50min de piadas e gritaria do nosso grupo, só que debaixo de chuva. Um mimo.

Daí pra frente só foi piorando, como esperado. Mesmo fazendo um percurso alternativo - o que foi um ponto positivo nesse dia péssimo- porque o principal ia ficar inviável na chuva, foi uma subida só. Nesse dia eu conheci o trekking pool, aquele bastão moderninho de caminhada. Olha, tenho que confessar: não nos demos muito bem.

No começo, como em todo relaconamento, eram tudo flores. Ele me salvou de morrer afundada na lama movediça das encostas encharcadas, evitou que eu escorregasse e basicamente foi essencial para esses trechos lamacentos. Mas aí a lama diminuiu, a subida ficou mais íngreme e nossa relação começou a ficar desgastada. Eu juro que nao consegui me acertar com ele. Porque meu jeito de subir ladeira da morte pressupoe uma certa mecanica, com as maos se movendo no mesmo ritmo que as pernas e ajudando na subida, estilo curvada-para-frente-mao-no-músculo-da-coxa-a-cada-passada, sabe como é? Pois com o danado do trekking pool nao dá para fazer isso, seus braços tem que seguir um ritmo bem diferente das pernas e nao podem encostar nas pernas. 

Teoricamente eu deveria estar distribuindo meu peso com o 3º apoio e fazendo menos força para subir, como as pessoas afortunadas que sabiam o usar o bastão infernal. Não foi o meu caso, me senti fazendo o dobro da força que normalmente faria, me sentia desengonçada, simplesmente não conseguia subir. Tipo péssimo.

Minha sábia dupla, habilidosa e faceira com seu trekking pool que só, não estava acreditando na minha dficuldade. Quero dizer, não que ela duvidasse de mim, é que parecia bizarro demais para ser só um problema de relacionamento com um objeto inanimado. Ela me garante que era algo mais que isso, mas juro, eu não estava me sentindo mal, nem fraca, nem com dor. Eu só não conseguia subir como uma pessoa normal, estava mais para zumbi escalador, sabe aquele andar lento e desengonçado de quem já morreu e esqueceram de avisar? Era eu.

Mas uma hora eu consegui começar a ignorar aquele equipamento desconcertante e voltar a acelerar. Tá, eu basicamente comecei a parar de usá-lo, até que a lama acabou ao ponto de eu poder devolve-lo. Um dia quem sabe revemos nosso relacionamento, quando eu superar meu bode e fizer as coisas direito, ou seja, treinando com ele antes para pegar o jeito como fizeram as pessoas mais espertas.

Enquanto isso, a trilha seguia rumo ao céu. O lugar mais lindo do dia para mim, disparado, foi a Trilha do Abismo, um caminho estreito tão no alto que vc corria acima das nuvens. PÁRA TUDO E IMAGINA: vc correndo e do seu lado direito a encosta da montanha e do lado esquerdo um abismo, com as nuvens paradas ABAIXO de vc. Inesquecível.

As coisas complicaram quando começamos a nos aproximar do fim. A chuva apertou muito e mesmo um bom impermeável uma hora joga a toalha, pq vc já cozinhou por dentro e pq esse entra e sai dos rios gelados + o temporal já conseguiu te encharcar até a alma. Aí nós fizemos algo que vcs nunca devem fazer: perguntar a alguém da oranizaçao quanto fatava para a chegada. O carra disse com muita convicção: un quilometro e medio. BELEZA! Mamão no açucar, estamos chegando, nem precisa mais comer. Acreditou? Dançou playboy. Faltavam mais de 5K. O que é ridículo no Ibirapuera, mas é uma vida no final do pior dia do Cruce.

Teve uma hora que comecei a correr de puro desespero. Tremia tanto de frio que achei que ia congelar ali mesmo e um dia, no futuro distante, iam me achar presa dento do bloco de gelo, tipo vejam a anta pré-histórica que acreditou na información do cabrón.

Aí vc finalmente chega e descobre que algo mais deu errado. Mais da metade das caixas, os banheiros e coisas do camping não chegaram nem vão chegar. Com a chuva uma ponte quebrou e só alguns caminhões conseguiram passar. Então, se sua caixa está lá, vc fica ali mesmo, se não, entra num caminhão de campo de concentração, anda 500m, desce dele e anda mais 5K até o acampamento 2, passando por um rio geladésimo.

Acharam péssimo ir até o acampamento 2? Isso porque vcs não ficaram no acampamento 1 como eu. Por que esse acampamento ficava num lugar batizado de.. Vale da Merda. Aliás, antes que alguém reclame, este é um blog fino e de família, que não usa de palavras de baixo calão. O termo, neste caso, é apenas a descrição literal da verdade. Quase um termo técnico. Porque o chão desse acampamento era feito de.. bem, não tem um jeito delicado de dizer, excremento de vaca. Nao estou exagerando, nao dava para ver nem um pedacinho de grama molhada ali, era esterco puro. E os lugares que não estavam assim digamos, decorados, estavam alagados.

Daí vem a pior tarefa da noite: montar a barraca na chuva, no cocô, tremendo de frio, encharcada e a um passo da hipotermia (pelo menos era essa a sensaçao). Nosso amigo francês de alma bondosa que se dispôs a ajudar a montar a barraca deve ter ficado impressionado, no pior sentido possível. Já sentiram o cérebro congelar? É assim: alguem te fala "pega aquela estaca ali" e seu cérebro fala "estaca? o que é uma estaca?" e durante esse processo vc fica imobilizada, tremendo, com cara de ã, tipo protetor de tela com janelas Windows voando. As pessoas falam com vc e na sua expressão as janelas continuam voando. Aí quando vc consegue processar a informação e pega a tal estaca, não consegue colocá-la onde devia, pq seus dedos estão duros de frio e vc treme tanto que erra o alvo diversas vezes. Uma delícia, especialmente se vc lembrar que vc PAGOU para ter essa experiância. Palmas para vc. Gênio.

Aí vc entra catatônica na barraca, se troca e o cérebro começa a descongelar, junto com as roupas quentinhas. Nao fica ótimo, pq afinal nao pára de chover, vc está literalmente na merda, seu abadá está encharcado, assim como a mochila, impermeável, luvas e manguito. E vc vai ter que usá-los no dia seguinte. Oba!

Somando isso ao fato de que no Campo de Refugiados 1 (o nosso) não teve banheiro, a comida chegou as 20h, tudo na barraca estava úmido e nao tinha ninguém da organizaçao p/ vc se informar, nao foi assim um final de dia gostoso. E consta que o povo do Refugiados 2 foi quem se rebelou, dizem que houve gritaria, palavras de baixo calão, pitís e muitas muitas desistências, já que a organizaçao estava toda lá. E olha que no camping deles tinha até banheiro, alem do chão ser de grama com apenas eventuais presentinhos das vacas aqui e ali. Tem gente que era feliz e não sabia.

Eu entendo o povo que desistiu. Dava vontade mesmo. Quem tinha ido no clima um-passeio-mais-longo-entre-lindas-paisagens viu a casa cair. Mas por outro lado, na montanha CHOVE, gente. Pontes caem. O que pegou foi a falta de informação nos campings e um preparo mehorzinho para a chuva, já que sabendo que ia cair o mundo podiam ter pensado pelo menos numas loninhas de cobertura e numa logística de largada melhor.

Mas afinal, depois de dormir no Vale da M**** vc acha que a gente ia desistir? ÓBVIO QUE NÃO, NÉ? Porque a lógica diz que piorar não podia, entao o dia 3 só podia ser ótimo. E foi!


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Cruce parte I - chegar é 1 aventura


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 10/02/10 às 13:31 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, estoy de vuelta del Cruce! Pelo título, vcs já notaram que essa prova vai render váááários posts, então quem já está com sono desde já melhor ir assistir maratona Agente 86 ou algo assim. Para resumir e acabar com o suspense principal, sim, a prova é O Máximo. E sim, é casca. Vc passa uns perrengues que jura que nunca-mais-na-minha-vida-entro-numa-roubada-dessas e depois que acaba já começa a planejar a próxima e acha tudo lindo, até o congelamento cerebral que vc sofreu depois de passar horas na chuva gelada.

Mas estou me adiantando. Como toda boa história, essa começa com uma jornada. Nada complexo, teoricamente só pegar avião para Buenos Aires, dali para Bariloche e dali o transfer para Cerro Catedral. Longo mas simples né? Seria se as bagagens viajassem junto com vc.

Porque a nossa aventura começou mesmo no aeroporto de Bariloche, depois de 2 voos tão lotados de equipes brasileiras conhecidas que super parecia aquela excursão de busão da 6ª série. Com direito a pessoas gritando, zilhões de piadinhas infames, gente atirando bolinha de papel em quem dormia, pessoas dando olhares de reprovação e um clima de alegria geral. Que lindo.

Em Buenos aquele verão ameno, uns 24°C. Todo mundo de bracitos de fora, alguns shorts, muita descontração. Aí chegamos em Bariloche e o piloto avisou: temperatura local 8°C. E baixando. Nossa dupla, previnida e control freak que só, já estava de botas do Gato de Botas e uma jaqueta bem quente na bagagem de mão. Ótimo, pensamos em tudo. Em tudo menos na possibilidade das suas malas não chegarem.

Na esteira do aeropuerto de Bariloche, uma coisa estranha. Um mocinho não parava de tirar malas da esteira e acumular numa pilha cada vez maior no canto. De quem seriam? E por que as nossas não chegavam? Meia hora mais tarde, depois que apenas uns 30% das pessoas do voo tinham conseguido resgatar metade de suas malas, um aviso singelo: gente, as malas de vcs não vieram nesse voo! Era muito peso e como já estávamos trazendo as bagagens do voo de ontem, que também não chegaram junto com seus donos, não deu para trazer as de vcs, foi mal. Amanhã a gente manda pro hotel, beijo tchau.

Simples assim, não adianta chorar, reclamar, gritar, dar pití. Hoje não tem mais voo Buenos-Bariloche e só amanhã as 10h chega um novo. Para mostrar o quanto vcs são importantes, nós mandamos entregar no hotel e that´s it.

Aí teve aquela cena do povo de blusa de alcinha tiritando de frio e gente que tinha trazido a bike sentindo aquele frio no estômago porque a bike superequipada estava perdida em algum lugar entre Buenos e Bariloche. Aliás, tenha MEDO, muito medo desse aeroporto. Coisas ruins acontecem ali. Suas malas somem e quando aparecem parece que uns 150 anões de Minas Morgul tentaram escavar diamantes com picaretas da sua bagagem - e conseguiram, porque vem faltando umas partes.

Mas como eu sou uma pessoa zen, fui para o hotel curtir o friozito, que aliás estava ótimo. O hotel era bacanito, com cara de casinha do Papai Noel e um visual estonteante da janela. No dia seguinte, hora de pegar o kit Cruce.

Nesse quesito, nota 10 para a organização: vc andava por um shoppingzinho passando por vários estandes e recolhendo coisas na sacola, tipo um videogame. E olha só quanta coisa: fleece, chip, pratos, talheres, copo, canecas térmicas, garrafinha, barrinha, chá mate, chocolates, toalha, bandana e, claro, o abadá. Abadá é como batizamos a camiseta da prova, pq afinal de contas como chama a vestimenta obrigatória para participar de um evento coletivo? Abadá gente, lógico. Que era até personalizado com seu nombre e bandeira do seu país, um luxo. Só mais tarde é que a gente lamentou que fosse só 1 abadá. Porque pensa, é para usar o mesmo nos 3 dias né? Cheirosinho que só.

Um toque muito bacana foi ter a bandeirinha para poder colocar na sua mochila. As nossas fizeram o maior sucesso, super detalhe legal. Depois disso o jeito foi passear em Bariloche, já que as malas não tinham dado o ar da graça. Super chato, uma cidade fofa, com várias ruas infestadas de lojas compráveis, lugarzinhos simpáticos para comer e beber e muito chocolate. Um inferno. Nem tem do que ficar reclamando.

Aí na volta, começa a corrida: pegar as malas voando, separar tuuuuudo para o seu container, levar as coisas até ele (que ficava lááááá embaixo, num campo), fazer tudo caber, fechar, entregar e pronto. Graças aos deuses que ainda existem cavalheiros nesse mundo, senão nossa dupla de mocinhas finas de família teria penado com aquele monte de coisas desengonçadas sendo levadas rampas e escadas abaixo até o tal local das caixas.

No dia seguinte, o momento mais esperado de todos, após um traslado de 1h: a largada. Aliás, um toque: largue cedo. Não tão cedo que vc atrapalhe a elite, mas não tão tarde que vc pegue a massa de caminhantes e pene horas para ultrapassá-la em trilha estreitas.

Descobertas iniciais, anote no seu check list:
  • arrume um manguito, que foi o equipamento categoria revelação da prova; em um clima esquizofrênico como o da Patagônia, que uma hora congela e outra faz sol, não dá para ficar parando vestindo e tirando roupa
  • bandana é tudo de bom, leve a sua (ou use a da prova), evita o suor, protege suas orelhas do vento gelado, segura a onda do cabelo e tem mais umas 1001 utilidades, igual aquele produto
  • tênis p/ trilha é essencial. Parece redundância dizer isso, mas não é. Não ache que o seu tênis de treino no parque serve. Não serve. O grip é tudo nessa vida quando vc precisa subir uma montanha lamacenta. Ah, e leve o 2º par para a prova também. E, precisa sim. (se vc for elite isso não vale para vc, que provavelmente consegue correr perfeitamente até de papete e deve estar achando esse post um tédio)
  • calça ou bermuda com bolso. Sim pessoas, faz diferença o tal bolso, não é frescurite. Pq tudo o que vc não quer é ter que mexer na mochila, então todas as comidas e acessórios que vc for usar durante a prova têm que estar a mão, nos bolsos que ficam no fecho da frente da sua mochila (tipo na sua barriga) e nos bolsos da calça.
  • Óculos. Essa não é unanimidade, mas se vc é como eu e adora um óculos escuro, leve aquele de lente rosa ou vermelha, não vai se arrepender
  • Meia de compressão. Se vc tem, leve, aqui ela faz uma diferença. Se não tem, não vai morrer por isso, não se estresse.
  • Impermeável. Não vá para a Patagônia sem ele. Certifique-se de que ele é impermeável MESMO e não vai te deixar na mão se vc tiver que correr na chuva forte por horas, porque provavelmente vc vai ter que.
  • Luvas. essa também é só para quem tem frio nas mãos como eu. Foi minha salvação e ficava no bolso da calça. Congelou, veste um pouco. Esquentou, taca no bolso.
  • Hipoglós: não saia sem deixar seu pé realmente besuntado nele. Nada de passar de levinho e deixar absorver, é para deixar melequento e nojento e tacar a meia por cima. Vale a pena gente, terminamos o Cruce sem uma bolhazinha sequer, o pé cansado mas inteirão.
  • Meias: tecnológicas, tipo dry fit ou similar, nada de meia de algodão.
  • Camiseta dry fit: leve para por debaixo do abadá, senão vc não aguenta o futum de correr 3 dias com ele e nem sempre dá para lavar e secar (no nosso caso isso nem foi cogitado pelo timing das coisas).
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Doe seu presente do ano passado


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/01/10 às 19:08 na(s) categoria(s) dicas
Você já ouviu falar que corrida é um esporte super econômico que não precisa de equipamento nenhum, basta um tênis e sair correndo, né? Então você também sabe que isso é uma cascata deslavada. Porque sair correndo de All Star não é exatamente uma boa idéia, apesar de que, dependendo do modelo, pode até ficar fashion.
Então começa a somar na maquininha: tênis de corrida. E isso não vai te custar R$50. Vamos dizer que você conseguiu uma super promo e comprou um modelo-ano-passado por R$200. Aí você vai querer ter um mínimo de controle do seu treino, ou seja, precisa de um relógio com cronômetro - ou, se você estiver podendo, um desses Amigos Eletrônicos que marcam seu pace, calorias queimada, passadas, velocidade, distância, frequência cardíaca, têm GPS, deixam subir seus treinos para o site, syncam com ipod e ainda elogiam sua performance incrível. Mesmo se você comprar um relógio genérico, ou "Mickey", como minha amiga Ceci diz, vai sair, sei lá, uns R$50. Se for um relógio bacanudo, pode colocar uns R$ 1.500 fácil.

Aí ainda tem que ter meia, boné, óculos escuros, protetor solar, camiseta, shorts, top se vc for mulher.. Enfim, na soma final não sai tão grátis assim.

Com essa continha em mente, olhe para seu armário. Aposto que tem tênis de corrida que você não usa mais. Aliás, aposto que tem VÁRIAS coisas que você não usa mais. Sabe aquele tocador de MP3 que vc aposentou? O celular velho (ups, VINTAGE) que está desmaiado na gaveta? O computador que foi trocado por uma engenhoca mais rápida? Pois é.

Então vamos combinar: ganhou ou comprou algo novo? Doe seu presente do ano passado. Ou retrasado. Ou da semana passada mesmo. Que tal entrar numa corrente do bem e reciclar, passando para outras pessoas? Por exemplo, este post é reciclado , seguindo uma iniciativa bacana da rede Ecoblogs. Vamos somar esforços? Vaaa-mooooossss (isso vocês respondem em estilo jogral, pessoas bacanas).

Então aí vão algumas sugestões de para onde enviar suas doações:

Seu tênis pode ir para:
Seu celular, computador, impressora, cabos, videogame e coisas tech podem ir para:
  • Comitê para Democratização da Informática CDI –  cuja missão é transformar vidas e f ortalecer comunidades de baixa renda através da capacitação nas tecnologias da informação e comunicação e de um aprendizado complementar voltado à prática da cidadania e do empreendedorismo
  • Liga Solidária - faz manutenção e triagem para que a doação seja encaminhada às unidades sociais que estiverem precisando do material doado.
  • Museu do computador - os equipamentos são revisados e reformados, para seguirem para exposição no Museu do Computador. Já software e publicações relacionadas à informática são destinados à biblioteca do museu, ficando disponíveis para consulta dos visitantes.
-- veja mais opções AQUI  ---












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Pedra Grande, o treino


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 13/01/10 às 18:12 na(s) categoria(s) dicas
Será que começar o ano ladeira acima é um sinal de sorte e prosperidade? É bom que seja, porque foi exatamente isso que eu fiz no 2º dia do ano (no 1º choveu choveu e choveu mais um pouco).

Primeiro, ninguém acreditou que o treino ia rolar, já que S. Pedro passou o dia anterior inteiro lavando (ou simplesmente jogando água) nas dependências divinas. Mas, no dia seguinte, pasmem: abriu um dia claro e até promissor. Aí seguiu-se uma conversa telefônica que virou rotina no final de ano, algo como:

- Oi
- Oi
- E aí, vamos lá?
- Blz, to indo aí

Super informativo e verborrágico. Um humor contagiante. É que, 1º, era de manhã. E, na verdade, a casa de mãmã fica 2 ruas do assim denominado Ponto de Encontro Para Treinos em Atibaia, então era só o caso de por o uniforme de corrida e andar 3 minutos, quiçá 5.

Pois bem, eu já estava sob impacto do treino do dia 30, da Volta do Mackenzie. E a perspectiva era nada mais nada menos do que subir a Pedra Grande. Quão grande? Bem, a pedra em si está a 1.450m acima do nível do mar, mas claro que Atibaia não está na beira da praia, então acho que deve ser uma subida com altitude de uns 500m, em um trajeto de que deve dar uns 8K ou 10K (ida e volta). Parece fácil? Sobe lá então!

Eu, que sempre vejo a Pedra Grande da piscina, nunca tinha subido por ali, em linha reta. É uma trilha bacana, que estava escorregadia (claro) com direito a deixar todo mundo com a marca registrada da Tribo Pé de Lama, daquele jeito que vc nem consegue mais enxergar o tênis. Por sorte, tem água no caminho - onde dá para lavar tudo, se refrescar e comprovar que o tênis Salomon realmente segura bem lama e água, tipo lavou tá novo (não visualmente pessoas otimistas, e sim de sensação, ele não fica pesado e molhadão).

Tem 3 opções de trilhas para subir a pedra desse lado, todas entre 2,4K e 3K (isso porque vc já subiu uns 2K até chegar no início das trilhas). É um treino excelente, tem trechos que dá para correr mais, outros menos (fora os que só andando, pelo menos para montanhistas suuuuper experientes como eu) e locais onde vc tem que subir nas pedras.

Aliás, o máximo é o grand finale, que é subir inclinadíssimo pela própria Pedra Grande e surgir do abismo causando pra dar de cara com os carros e pessoas que vieram motorizadas  pela estrada oficial, que vem pela rodovia D. Pedro I. Recomendo MUITO, mas fique esperto para:
- carrapatos e micuins
- torções e escorregões
- queimaduras de sol (eu tasquei um bloqueador antes de sair e fiquei zero bala, sem marca nenhuma)
- vertigens (eu ADORO altura, mas quem tem medo respira fundo e não olha para baixo)

Ah sim, só para constar: no dia seguinte deste detonante treino, adivinha? Mais uma Volta do Mackenzie com uns 21K, ou seja, 3 longões em 5 dias. Também, quem mandou se inscrever pro Cruce, né?

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A volta do Mackenzie


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 30/12/09 às 21:51 na(s) categoria(s) dicas
Pois é, estou de férias do trabalho mas não do blog, como vcs podem observar. Neste exato momento estou em Atibaia, onde acaba de cair mais um mito: a volta do Mackenzie. Há mais de 1 ano que ouço a Cris, minha treinadora e amiga, falar que em Atibaia ela faz essa tal volta como treino (isso quando ela não está subindo e descendo a Pedra Grande, claro). Eu venho aqui direto mas nunca consegui descobrir exatamente onde era isso. Sabia que era uma volta de uns 18K, que tinha bastante subida e só.

Hoje eu fui finalmente iniciada nesse treino. A primeira surpresa foi descobrir que dá para sair da casa de mãmã mesmo, ou seja, que ela começa a 3 quadras daqui. A segunda foi saber que Mackenzie é esse afinal de contas. Anotem mais essa pérola de cultura inútil, quem sabe vcs não ganham o milhão do Justus com isso um dia? O nome vem do Observatório do Mackenzie, que é o apelido do Observatório de Radioastronomia e Astrofísica do Itapetinga (isso pq um dia o observatório foi controlado pela Universidade Mackenzie).  

Não, eu não fui até o observatório. Se vcs tivessem ido fazer um longão com a sua treinadora e ficassem sabendo que ela estava super cansada e só foi pq vc está querendo conhecer esse treino há séculos, vcs tbm iam sentir o peso da responsa e usar todas as suas energias em correr e ficar feliz de estar ali. 

A volta é assim: um tiquinho de asfalto e já começa a terra, assim como as subidas. Tá, não é a Pedra Grande, mas mesmo assim são várias e cascudas (para mim, cascudonas, mas com prática acho que dá para melhorar). Pensando em Cruce, recebi a seguinte ordem: correr em TODAS as subidas SEMPRE, nada de dar aqueles passos para dar uma aliviada e descansar uns segundos. "No Cruce vc pode andar quando precisar, no treino vc CORRE". Sim senhora. E lá fui eu, mesmo tendo a certeza de que a qualquer momento uma dessas velhinhas curvadas que moram nos sítios nos arredores ia me passar, caminhando tranquilamente.

Sim, pq minha sensação era de que eu estava correndo muito, mas muito mais devagar do que qualquer caminhada - além da pernas fritando, lógico. E assim fui, correndo na subida - e nem adiantava pensar em dar uma roubada e arriscar umas passadas que a treinadora tem um sexto sentido e grita para não parar, não andar e correr sem nem precisar olhar para trás. 

Ah sim, para um toque mais aventureiro ao treino, nos perdemos um pouco, ou seja: virou uma volta de uns 20K. Dureza, mas MUITO BOM. Adorei a consideração, o treino, a companhia e, claro, a volta do Mackenzie. Agora dá licença que vou descansar que amanhã é dia da fatídica dobradinha, ou seja, mais 1h de corrida - mas sem Mackenzie dessa vez.
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Pé no chão


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/12/09 às 19:20 na(s) categoria(s) dicas
Antes de mais nada, Ho HO Ho para vcs! Espero que Papai Noel tenha sido generoso, que a ceia tenha sido deliciosa e que ainda tenha sobrado energia para uma corridinha. Por falar nisso, vcs estão acompanhando esse movimento que promove uma volta ao pé no chão (ou barefoot running)?    

A idéia é que a melhor pisada é aquela que vc faz quando corre descalço -- ou quase. A tese, comprovada facilmente filmando alguém correndo descalço e de tênis, é que descalço vc pisa primeiro com o meio do pé, o que leva o seu arco do pé absorver a maior parte do impacto (o arco meio que se achata e volta para fazer isso). Com os nossos belos, caros e acolchoadíssimos tênis, tendemos a pisar primeiro com o calcanhar - que, aliás, costuma ser a parte mais fofinha do tênis.  
O pulo do gato, diz essa linha de pensamento: o tênis não consegue absorver tanto assim o impacto, que vai direto para as pernas e especialmente para os joelhos, aumentando a propensão a lesões. Isso mesmo, o raciocínio é que quanto mais fofinho e acolchoado o tênis, mais probabilidade de adquirir lesões com ele. 

Absurdo? Gente maluca? Bem, eu tenho que confessar que estou cada vez mais amiga dessa idéia e não por ter lido e acreditado. Na verdade tudo começou uns 2 anos atrás, quando comprei meu primeiro tênis Brooks. Tinha vários modelos, alguns deles do tipo bem fofinho, mas eu provei um que era super leve, confortabilíssimo, lindo e com a sola claramente mais fina que os outros. Eu vesti e senti o pé mais no chão, mais... "solado", tipo dava para os pés ficarem mais abertos, os dedinhos mais felizes. Comprei, com muitas dúvidas do que ia acontecer quando ele encarasse um longão.   

Bem, ele não só passou no teste com louvor como passou a ser meu tênis predileto para provas. Fez meias maratonas, tiros, de tudo. Foi aí que descobri que eu me dou super bem com esse tipo de tênis, mas achei que era só uma esquisitisse minha, como gostar de leite de soja ou ler durante as refeições. Aí agora me deparei com esse povo dizendo algo muito parecido e fez o maior sentido para mim. 
Claro que não vou ser xiita nem dizer que a sua lesão obviamente vem do tênis que vc usa, ou que tênis com muito amortecimento faz mal, até pq não tenho conhecimento técnico ou médico adequado para tanto. Mas vou dizer que talvez seja algo para pensar e testar. 

Fora do Brasil, todas as grandes marcas de tênis já lançaram seus modelos nessa linha, que eles chamam de mais "natural" (arght), que são tênis mais leves, bem flexíveis e finos. Como sempre tem um modelo super ultra mega bold geek, tem até o Vibram FiveFingers, que tem os 5 dedinhos, igual aquelas meias de dedinho que rolam por aí (tem até meia de compressão com dedinhos). 

Todo mundo que testou fala que a aparência é esquizo, vc se sente no Planeta dos Macacos, as pessoas te olham como alienígena, mas a sensação é ótima. Aliás, todo mundo que fez esse teste de passar a usar um tênis mais pé no chao diz que demora entre 1 e 2 semanas para se adaptar, ou seja, durante esse tempo seu pé dói em lugares que vc não sabia que existiam e a corrida fica estranha, mas assim que acostuma com a nova pisada fica melhor que antes. Deem uma sapeada nele no vídeo abaixo:


Eu, que não uso nada super radical como esse Vibram, notei uma mudança de pisada sim e para melhor. Curti mezzz esse mania style de correr. De repente é algo a se investigar mais, sem preconceitos ou radicalismos.
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Por onde a gente passou


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 07/12/09 às 20:19 na(s) categoria(s) dicas
Este sábado fiz um treino para masoquista nenhum botar defeito: subir o pico do Jaraguá de manhã. Plenas 8h do sabadão e um comboio de corredores do Núcleo Aventura e do Projeto Mulher batia ponto no parque do Jaraguá. A maioria, como eu, ia participar do Cruce e estava ali para fazer um treino mais técnico (sinônimo de treino mais sofrido).

Chegar lá até que não foi tão dramático graças ao santo Google Maps. Claro que podia ter umas placas na Anhanguera apontando a saída certa, mas aí acho que era demais, imagina só, um ponto turístico bem sinalizado! Era até capaz de ser multado por tamanha aberração.

Mas o parque em si é beeem legal, uma reserva florestal de 4,5 mil hectares, com uma infra de banheiro, bebedouros e policiamento. O pico tem 1.135m e é o ponto mais alto de Sampa e um significado bacana: Jaraguá em Guarani quer dizer Por onde a gente passou. E em Tupi quer dizer Senhor do Vale.

O treino por ali não é para fracos (das batatas das pernas). Não importa se vc caminha ou corre, vale a pena. Mas pepare-se: a subida é boa, apesar de curta (uns 2K ou 3K do começo da trilha até o topo). Tem lama, terra, pedras, limo, mato, o menu completo para um treino mais aventura.

Você sobe em meio a névoa, parece a floresta encantada dos contos de fadas. Só que a sua sensação fica mais para Rocky Balboa treinando na escadaria do que para João e Maria encontrando a casa de doces. Porque quando vc chega ao topo do Senhor do Vale, descobre que ainda não acabou: é hora de subir as escadarias até a antena, essa mesma que a gente enxerga de quase qualquer lugar de São Paulo.

Parece difícil? E é, mas ao contrário de treinar em ladeiras urbanas, como a Biologia na USP, é que vc não vê o tempo passar. As 2h passaram vo-an-do. Você vai para outra dimensão do espaço-tempo. Qualquer outra preocupação que você possa ter na vida desaparece e dá lugar a decisões-relâmpago sobre onde pisar, tomadas pelo seus pés e não pelo seu cérebro. Porque amigos, se vcs pararem para pensar onde vai pisar, caem na hora, igual desenho animado quando anda por cima do abismo e só cai se notar que está andando no vazio.

Aliás, se vc tentar andar ou diminuir o ritmo, a probabilidade de escorregar é grande. Porque lá Onde a Gente Passou só funciona se vc não parar. Tem que descer estilo cabrito montanhês, saltita daqui, pula dali, em passos curtinhos e puladinhos -- ou saltos mais ousados para o povo mais pró que estava no treino e que não descia, VOAVA ladeira abaixo com uma leveza e velocidade que só os personagens de animação da Pixar costumavam conseguir.

No final, tênis lama, roupa lama mas a alma lavada. Para quem só tinha ido lá na longínqua adolescência, como eu, vale voltar, revisitar as terras do Senhor do Vale e pagar seu tributo de suor e corrida. E lembrar-se de tudo isso 2 dias depois, que é quando as batatas doem mais :-)

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Brigadeiros energéticos


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 01/12/09 às 18:01 na(s) categoria(s) dicas
Vocês já repararam que eu curto o tema alimentação, né? Gosto de cozinhar, de escolher conscientemente o que como (mesmo que seja uma caixa de língua de gato hmmm), de saber o que cada alimento faz e principalmente de colocar meus valores pessoais na minha alimentação -- como só comer ovos da galinha feliz, que dividi com vcs nesse post aqui.

Na corrida, tenho que confessar: curto o gosto do gel (desde que chocolate ou triberry) e amo isotônico (especialmente se for o de frutas vermelhas). Eu sei, um monte de gente acha que o gel tem gosto horrível e revira o estômago, mas para mim tem um efeito igual o de tomar uma daquelas poções de vida de videogame: sinto a barrinha de energia vital recarregando na hora, dá até barato! Quanto ao isotônico, eu só consegui subir a serra de Maresias naquela prova de revezamento pq minha equipe de apoio era THE BEST e sabia que a cenourinha para me fazer seguir em frente era um gator gelado.

MAS um dia desses li uma matéria que me encantou. Era sobre um ultramaratonista que decidiu correr a Sables (nada menos do que uma ultramaratona de 243KM pelo deserto do Sahara) só comendo.. comida. Ou seja, sem suplementos, géis, isotônicos e afins. Aí ele e algum nutricionista montaram um cardápio muito bacana para a prova. Além do café, almoço, jantar, ele tinha criado uma coisa que chamou de Energy Balls, ou seja, algo como bolas energizantes. É uma mistureba de coisas como sementes, castanhas e alimentos em pó, adoçadas com mel e transformadas literalmente em bolinhas. A idéia é deixar pronto e ir consumindo durante a prova para, segundo ele, uma dose de energia e antioxidante.

Eu adorei o conceito das super foods, ou super comidas, e estava louca para experimentar nesse meu momento pré-Curce mas aí... perdi a revista. Estava super triste até que a Camila, que além de correr MUITO ainda trabalha na revista, me salvou. Ela não só lembrava da matéria como ainda tinha o link para o blog do tal ultramaratonista, que compartilha coisas bem bacanas sobre treinos e alimentação --e ainda tem as receitas.

Eu vou testar, quem quiser testar junto é só anotar e montar a sua (com eventuais substituições, pq tem ingredientes que não encontrei). Aí vai a receita desses brigadeiros energéticos, que traduzi do blog dele, mas sempre bom dar uma olhada no original caso eu tenha feito alguma atrocidade:

Energy Balls (ou Brigadeiros Energéticos na minha mais que livre adaptação rsrs)

Moer ou picar um ou dois punhados (punhados = mão cheia) de Gojis, passas, tâmaras, figos, damascos (ou outros frutos ou frutos secos, escolha o que quiser), de preferência orgânicos. Adicione sementes de abóbora, de girassol, gergelim, castanhas de caju ou amendoim picados.

Adicione um pouco de óleo de coco, um pouco de água, sal marinho, proteína em pó Sunwarrior, pó de Maca e, se quiser, farinha de aveia para dar a liga.

Tempere com cacau, baunilha ou canela. Coloque açaí em pó (ou frutas vermelhas em pó) como antioxidantes e para garantir energia extra. Se gostar de um sabor mais adocicado, adoce com mel ou adoçante natural. Você pode adicionar também pós como Spirulina ou Boku.

Misture tudo até formar uma massa lisa e homogênea, enrole em bolinhas e pronto. Leve com vc e consuma durante treinos longos ou provas.

Ah sim, e para quem ainda não cansou do assunto, nas buscas pelos brigadeiros energéticos achei uma edição antiga mas totalmente atual da Go Outside quase que temática, falando exatamente sobre alimentação e treinos, é só clicar AQUI.
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A polaina está de volta


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/11/09 às 17:31 na(s) categoria(s) dicas
Não, não é um flashback dos anos 80, também conhecidos como Os Anos Mais Bregas de Nossas Vidas. Você não vai voltar a usar aquela polaina coloridona, nem as tirinhas torcidas na testa, para ficar aquela marca bonita. Se bem que a camiseta gigante com cintinho está quase de volta, dependendo do tamanhos das camsetas de prova que alguns organizadores andam distribuíndo, e a pochete.. bem, essa está de volta na corrida, seja para carregar gel, água ou chaves. Mas divago.

A polaina a que me refiro, é aquela de compressão, tipo a Flets que estava lá no Running Show. Eu provei e gostei, achei que diminui a sensação de cansaço nas pernas. E reparem nas provas e treinos atuais: sempre tem alguém correndo de meião ou de polaina. Ou é um modismo que pegou forte ou o negócio ajuda mesmo, né?

Pensando no Cruce, e nos 90K que nos esperam por lá, estou cogitando seriamente adquirir um par, só estou em dúvida se é mais legal ir de polaina, que talvez tenha mais compressão por não precisar ir até o pé, ou de meião, o que pode ser um plus no Cruce, pq aí não preciso me preocupar com meia normal.

Alguém com experiência em alguma das 2 para palpitar?
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Uma questão de perspectiva


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/08/09 às 19:24 na(s) categoria(s) dicas
Esses dias estava falando com a minha amiga Ceci, que tem aquele dom parabólico de captar o que está rolando sem vc precisar dizer nada. Falávamos de percepções de esforço durante os treinos, que é aquele tipo de conversa que faz quem não corre bocejaaaar, bocejaaar e desejar ter ido assistir TV Senado que ia ser mais divertido. O ponto central desse tão intrigante tema era o quanto o mental afeta a nossa percepção de velocidade e cansaço.

Lembro que uma vez, quando estávamos treinando para uma meia maratona, teve um mês onde fizemos 6 tiros de 1K (entre vários outros tipos de treinos, claro). Mas por quase 5 loooongas semanas, chegava 3ªf e a gente já tinha aquela sensação de deja vu: tiro de mil. Aí vc corria naquela bendita (pq estou uma moça fina de família hoje) volta de mil do Ibirapuera. A descidinha que te anima, a sensação de ai-meu-deus-vai-começar quando o embalo da descidinha acaba, o lago de um lado, aquele mato escuro suspeito do outro (eu corro a noite, lembrem-se), a subidinha no final dos 500m, se aguenta como pode até o banheiro e dali o sprint corre-pra-vomitar até o final. Daí respira 1 min e começa tudo de novo.

Na 4ª volta parecia que não ia dar. Sempre dava, claro, mas era tudo muito sofrido. Sim, porque a gente Sofria com S maiúsculo. Seja por ver sempre aquela mesma volta no mesmo bat percurso seja porque parecia que o coração ia sair pela boca. Ah, éramos jovens e tolas e achávamos que aquilo era um treino de tiro hard.

Aí, treinando para outra prova, nem tanto tempo depois, nos deparamos com suaves treinos de tiros de 1K novamente. Só que, olha só que delícia, eram 10 tiros ao invés de 6. Na mesma bat volta, claro. E sabem de uma coisa? Não sofremos nem metade do que sofremos com as antigas 6 voltas. Os 10 tiros de mil saíam mais rápidos, mais fortes e terminávamos em melhores condições, o que significa que você conseguia até entender o que as pessoas falavam para você no final do treino -- sim, porque eu quando corro fazendo força DE VERDADE não só não consigo sorrir ou responder perguntas, eu simplesmente não ouço e não entendo o que as pessoas falam. Eu vejo que os lábios delas se mexem, eu sei que elas estão falando alguma coisa, mas eu não faço a menor idéia do que seja. Quem me conhece durante um treino de tiro acha que eu sou a pessoa mais antipática do mundo, quase o Grinch. Mas juro que na hora de soltar eu melhoro e sou até educadinha. Sou capaz até de arriscar um sorriso e responder sua pergunta.

Mas o fato é que ficou muito claro que a nossa perspectiva havia mudado. Não havia passado tanto tempo assim para dizer que tinhamos melhorado nossa performance ao ponto das 10 voltas serem a mesma coisa que as 6 voltas eram antes. O que mudou mesmo foi a nossa EXPECTATIVA.

Como já sabíamos que seriam 10 voltas, nos preparávamos para isso e a 6ª volta era só um ufa-já-passou-da-metade e não a volta final pra morte. Ao mesmo tempo, dava uma sensação boa ver que estávamos conseguindo fazer o treino bem, e isso dava forças para correr a próxima.

Ou seja, aquele sofrimento todo com os 6 tiros era basicamente só cabeça e não corpo.

O cérebro dizendo que era cansativo, que não ia dar e o corpo realmente se exauria. A percepção do cansaço era muito maior e a performance muito pior. Quando a percepção de cansaço diminuiu, mesmo com um volume bem maior (e intervalo menor) a performance melhorou.

Não é toa que cada vez mais atletas vêm usando PNL nos treinos (programação neurolinguistica). Não, não estou falando de repetir "hei de vencer" e sim de tentar simular elementos da prova mentalmente antes de enfrentá-los. Porque o cérebro lida melhor com coisas que ele já viveu --e a pegadinha é que ele não sabe bem diferenciar se viveu MESMO ou se foi uma simulação bem feita. Então se vc enfrenta uma prova onde dá um cansaço master, dói alguma coisa ou ocorre algo que te desanima, se vc conseguiu treinar seu cérebro a ignorar o desânimo vc consegue ir em frente. Ele olha a situação, procura nos arquivinhos do passado e diz "Ahhh taaaa, isso já aconteceu antes e deu tudo certo, é só continuar". Agora, se ele acha que é uma situação nova e potencialmente perigosa, ele começa a fazer seu corpo diminuir o ritmo, aumenta a sensação de cansaço e te enche de pensamentos tipo deu-acho-que-vou-parar.

Na prática, vc precisa deixar seu cérebro em um estado feliz-meditativo, ou pelo menos mante-lo quietinho e calminho enquanto seu corpo faz o que é preciso. No mínimo incorpore a linha se-não-vai-ajudar-pelo-menos-não-atrapalha. Não precisa parar de pensar, lógico, senão vc vira uma ameba corredora e isso não é bom, certo? Ou então distraia sua mente com questões como essa, ou fique planejando como vai ser seu próximo post no blog. Vale tudo para ela esquecer que vc está ali correndo.

No fim das contas, a moral da história é: ignore sua mente, abaixa a cabeça e faz força :-) Né Cris?
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Correr ouvindo historinha


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 07/07/09 às 18:49 na(s) categoria(s) dicas
Eu gosto de correr ouvindo alguém me contar alguma coisa. De preferência alguma coisa bem interessante ou divertida, para eu esquecer que estou correndo faz 1h e ainda faltam 40 minutos e achar que a vida é um mar de tulipas. Para muita gente, a música faz isso. Pessoas music oriented, movidas a trilhas sonoras. Meu pai é assim, minha irmã também - mas no Grande Sorteio da Loteria Genética, eu não gritei bingo e fiquei sem esse gene. Porque eu gosto de música, não me entendam mal, mas para outros momentos, como por exemplo enquanto cozinho. Mas para correr, nem tanto. Resumindo: prefiro correr ouvindo historinha do que musiquinha.

Quando treino com pessoas, beleza. Na hora de fazer força não tem fôlego para conversas, mas na hora de aquecer, soltar ou fazer um longão mais tranquilo, porque não exercitar a língua também, não é mesmo? Em longos longos mesmo, daqueles em que vc não está fazendo ritmo de prova, são 2 terapias em menos de 2h! Uma da corrida mesmo e a outra do bate-papo que rola no grupo. Nas provas, não gosto de ouvir nada que não sejam os sons da corrida mesmo, me atrapalha. Mas quando treino sozinha, sinto falta da voz. E aí? Bem, graças a invenção dos podcasts, meu problema está resolvido.

Porque podcast é como um radinho onde vc pode escolher tanto os programas quanto onde e quantas vezes quer escutar. Obviamente, já virou um vício, vivo assinando podcasts novos. Pensa só: é grátis, é bom e sempre tem novidade. Virei fã. Como tem gosto para tudo nesse mundo, talvez vc também seja uma pessoa meio alienígena que curte ouvir uma historinha, mesmo que em algum outro momento. Se for, talvez vc também goste de um desses aqui:

Podcasts da BBC (em inglês) - os melhores! A BBC realmente manda MUITO bem.
Radio 1 Stories - como o nome diz, histórias! Cobre os mais diversos temas, esporte, comportamento, política, whatever.

Thinking Allowed - os mais diferentes temas, de cães a casamento, de crime a avanços da medicina.

In Our Time - para quem gosta de História, sensacional! O melhor EVER é programa sobre a Peste Negra, na minha humilde opinião.

Podcast da radio KERA (em inglês)
KERA´S Think - esse eu ADORO, discussão dos temas mais malucos com convidados ótimos, inteligente e muito bem humorado.

Nerdcast (em português) - se vc tem um lado nerd e GOSTA do humor nerd vai adorar
Nerdcast - O nerdcast já me fez rir sozinha MUITAS vezes, adoro. O bom é que tem normalmente 1h de duração ou mais, ótimo para correr longo ou para passear com os cães (como eu faço diariamente)
CBN (em português)
Aqui tem a lista dos podcasts da rádio CBN. Eu curto o Fim de Expediente e o da Mara Luquet!

Papo Tech (em português)
Papotech para quem curte tecnologia

Roda e avisa (em português)
Roda e Avisa - Internet, cultura e tecnologia, curto muito as reflexões, mas sou suspeita pq o autor é amigo meu! rsrs

Rádio Eldorado (em português)
Lista de podcast da Eldorado.
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Um bosque no meio do trânsito


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 06/07/09 às 17:42 na(s) categoria(s) dicas
Como vcs sabem pelo último post, agora eu sou uma pessoa que corre (ou que precisaria correr) na terra. Sim, porque se vc vai correr uma prova na terra, a lei do bom senso diz que vc precisaria fazer ao menos os longões em um terreno ao menos similar. Então nesse fimde, munida das melhores intenções off road, resolvi correr em algum lugar que não tivesse asfalto.

Na prática, foi quase como aquela piada bege que conta como vc ia levar bolo, velas e milhões de presentes para alguém, mas aí o bolo caiu, a vela incendiou os presentes e no fim só sobrou o feliz aniverário. Foi parecido. Eu ia fazer um esquema super pró, correr em algum lugar incrível e cheio de ávores e trilhas, daqueles que tem que pegar a estrada e tudo, testar um tênis de trilha e pegar umas pirambas em 1h40 de treino. Aí teve uma série de imprevistos, eu tinha um compromisso para a hora do almoço e só sobrou o treino na paulicéia mesmo. E sozinha, que a mulherada tinha treinado no sábado e já era domingo.

A solução chama-se Bosque do Morumbi, ou melhor, esse é o apelido mais antiguinho do parque que, na verdade, atende pelo pomposo nome de Parque Alfredo Volpi. Fica perto da USP, pertinho da ponte da Cidade Jardim. E ele salvou meu treino.

Fui correr umas 8h30, disposta a pisar no mínimo de concreto possível e fugir dos planos. Para isso, o parque é bem bacana. Aviso: é pequenininho, mas nada ordinário. A pista oficial tem 1,5KM, mas acredito que os caminhos malucos que eu fiz (subindo qualquer trilha mesmo que sem saída), devo ter aumentado esse trajeto pelo menos para 2K.

Para não dizer que não pisei no concreto, pisei sim, porque resolvi fazer umas voltas também por fora do parque, o que te obriga a subir uma bela e longa ladeira e descer a pirambeira do lado oposto. Mas se meu treino fosse um pouco mais curto, não carecia fazer isso. Dentro do parque você passa por laguinho, área de desacanso, banheiros e muito verde, tudo em trilha de terra batida. E o melhor: basicamente sem trechos planos.

Ouvindo uns podcasts então, fica sensacional. Um bosque todo zen no meio do tráfego, do lado da marginal. Não conhece? Dá um pulo lá - mas vá antes de 10h, que a partir desse horário acontece como em todo parque no final de semana: enche. E aí, adeus treino. Ah, e se vc tiver cachorro e gostar de correr com ele (ou eles), pode levar sem medo, só não esqueça a coleira e a guia em casa.


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Com que roupa eu vou?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 04/06/09 às 12:44 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, achei um aplicativo divertidinho chamado What Should I Wear? (ou seja, O Que Devo Vestir?). É simples assim: vc coloca quantos graus está lá fora, se tem vento, se está sol, chovendo, nevando etc, como vc gosta de se sentir durante a corrida e pimba! Ele te sugere roupas para correr. Vejam só:

What Should I Wear?

Só um detalhe: se vc é de uma das partes ensolaradas do mundo, onde neve é algo que nem dá para imaginar e vc pega a blusa de lã assim que baixa dos 20°C é bom dizer que gosta de correr QUENTE e aumente uns graus na temperatura fria, pq o programinha considera que vc vive em lugares onde eventualmente possa fazer frio DE VERDADE.

Uma bobaginha, mas engraçadinha.

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Tá esfriando, UEBA!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 29/05/09 às 11:46 na(s) categoria(s) dicas
Sim, eu gosto de frio. Não de passar frio, claro, mas do tempo mais friozinho. Prefiro colocar gorro e luva do que ficar derretendo na Zâmbia que São Paulo fica no verão. Não me entendam mal, eu adoro sol e curto calor e verão - mas NA PRAIA. Ou na piscina. Um calorzinho que dá para colocar um vestido é ótimo, mas aquela sauna insuportável onde vc fica suando mesmo sem se mexer não dá. Vc vai numa festa e a roupa já está grudada em você na hora em que vc está cumprimentando as pessoas. Você tenta dormir a noite e fica fritando na cama. Você vai treinar e já está morrendo de calor antes de começar a volta de aquecimento.

Pois agora os deuses nórdicos sorriram para nós (nós que curtimos um cachecol e um vinho quente) e está esfriando. Resultado: a galera DEBANDOU do Ibirapuera. É só dar um ventinho mais gelado que o povo some - e só volta quando lembra que tem que caber no biquini tipo semana que vem.

Pessoas, deixem de preconceito, treinar no frio é uma DELÍCIA! Você esquenta rápido, não fica suando como se estivesse derretendo igual aquele senador do 1º filme do X-Men e ainda consegue fazer treino de tiro melhor, sem ter que desviar de tanta gente na pista.

Como diz meu pai, quando vc está com frio é só colocar roupa mais quente que passa, já quando está calor pode ficar pelado que não resolve :-) Deve ser hereditária a coisa então.
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Qual o seu mantra?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 22/05/09 às 10:40 na(s) categoria(s) dicas
Mantra + corrida? Como assim, por exemplo? Bem, vamos por partes. A palavra mantra vem do sânscrito e é formada por 2 partes: a 1ª sílaba MAN significa mente e a 2ª sílaba TRA quer dizer libertar-se de. Ou seja, mantra = libertar-se da sua mente. Na prática, vc ocupa sua mente compulsiva, obsessiva e neuras com o mantra enquanto vc faz coisas mais importantes, como por exemplo, viver o presente e.. correr.

Eu não sei vcs, mas minha mente é uma control freak de primeira. Nas provas de rua ela passa os primeiros 4KM me pentelhando. "Ai que saco, já cansei, vamos voltar? Vc sabe que pode parar a hora que quiser né? Afinal não é uma obrigação ou algo assim. Mas que idéia idiota, correr essa meia maratona no SOL, tá CALOR e é só o começo". Se eu ignoro, ela muda de tática. "Ih, é aquela dorzinha na canela de novo? E se for? É, não é? E se piorar no KM 15? E se der aquela travada no lado direito de novo? E se. e se..". Minha mente também a-do-ra fazer check lists. "O gel tá aí? Tá. O chip tá bem preso? Tá. Esse shorts não vai assar? Passou protetor solar? Tá com sede? Quando é o próximo posto de água mesmo? Gel é no KM 9 e depois no KM 16. Ou é melhor no 17? Ou adianta e toma no KM 15?".

Mas lá pelo KM 5, acontece uma mágica: minha mente se cala. Com seu jeito TOC de ser, sua capacidade incrível de racionalizar, resolver problemas, analisar situações e me dizer que sou eu, onde estou, quem é vc e se é bonito aqui - ela simplesmente emudece. A passada encaixa, o corpo entra num ritmo próprio e a mente esvazia. Eu consigo olhar a paisagem, checar o relógio de pulso e ver meu pace, acenar para a foto, observar outros corredores e ajeitar o boné - mas a gritaria da mente já era. Pois é, pessoas, isso é meditação! Essa sensação de estar presente, sentir o corpo no aqui e agora e curtir aquela onda de felicidade e bem estar, cortesia das nossas amigas endorfinas - isso é exatamente o que o povo que medita em posição de lotus busca. Caminhos diferentes, mesmo destino.

Claro que em provas duras, especialmente as mais longas, a mente volta e meia está de volta, puxada pelo corpo - ou falando português claro, pela DOR, nossa companheira de corrida como diz minha amiga Jacque. É aquela hora que a idéia da possibilidade de desistir surge. Um pensamento sedutor de ir dar um mergulho no mar, ou simplesmente sentar e dar um tempo.

Mas a parte guerreira de vc quer terminar a prova, de preferência BEM. E é aí que vc vê a diferença que faz saber controlar a mente. Porque na minha opinião, se vc treinou para a prova, corpo não vai ser problema - mas a mente... Responde por uns 60% da prova ou mais (de novo, se vc treinou direitinho né?).

Então nessa hora da dureza, cada um tem uma técnica. Uma corredora de elite, acho que a Paula Radcliffe, mas não tenho certeza, disse uma vez que conseguiu completar uma maratona onde ela estava com muita dor repetindo apenas "Keep running" sem parar. O Hoffman (desse blog AQUI) e que inspirou esse post, já tem o mantra dele para a Maratona de SP - que eu particularmente achei meio sofridinho demais, mas gosto é gosto.

Tem gente que canta. Tem gente que repete mantra indiano. Tem gente que prefere as visualizações, tipo vc chegando em grande estilo, sendo aplaudido - até sendo entrevistado se sua imaginação for generosa. Tem gente que fica resolvendo problemas da relação, imaginando os diálogos e tudo. Tem gente que se dá bem repetindo que está tudo bem, que a corrida está ótima ou simplesmente um grito de guerra qualquer. Um sujeito numa lista de discussão disse que repete "esquerda-direita-esquerda-direita-INSPIRA-direita-esquerda-direita-esquerda-EXPIRA" e que dá super certo.

E vc, qual seu mantra?


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Respira, respira!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 20/05/09 às 10:23 na(s) categoria(s) dicas
Taí outro tema que sempre dá pano pra manga. Qual a melhor respiração na hora de correr? Só pelo nariz? Inspira pelo nariz e solta pela boca? Inspira e expira por nariz + boca simultaneamente?

Dos 108 quaquilhões de artigos que eu costumo ler (quase um TOC meu) parece que é difícil encontrar sequer 2 que concordem totalmente entre si. Uns recomendam a inspiração só pelo nariz por conta do aquecimento mais eficiente do ar que vai para os pulmões e a expiração só pela boca. Outros ponderam que, num ritmo forte, só o nariz não dá conta e o ideal é inspirar ao mesmo tempo pelo nariz e boca e soltar o ar da mesma forma.

Na prática, o lance é: teste e descubra que jeito funciona melhor para vc.

Particularmente, para mim funciona da seguinte forma: durante o aquecimento ou em treinos de trote mais leve, eu costumo respirar só pelo nariz. Isso porque eu já fiquei treinadinha p/ respirar assim no yoga, onde aprendi a fazer uma respiração completa (e não só superficial, que é aquela que só o peito mexe) desse jeito. Como para mim essa é a forma automatica de respirar, começo sempre assim. É uma respiração mais profunda, o que tem o efeito de deixar minha corrida mais cadenciada e evita a afobação.

Quem não está acostumado a respirar assim provavelmente vai sentir um desconforto, então não recomendo para quem não se sente 100% OK com essa técnica. Mas para quem faz yoga, como eu, talvez seja uma boa, porque essa forma ajuda a se aquecer e permite que vc controle melhor seu ritmo.

Agora, na medida em que vou aumentando o ritmo, seja em provas ou em treino de tiro, mudo para inspirar e expirar pelo nariz e boca simultaneamente. É algo que acontece naturalmente, pq o corpo pede mais oxigenação - mas não consigo fazer esse tipo de respiração se estiver devagar.

Uma dica para quem costuma sentir que falta pulmão ou quem tem tendência a ficar com aquela dor alucinante no lado do abdômem sempre que dispara na pista: tente fazer uma inspiração mais longa e depois expirar em 2 etapas (conte 1, 2 na hora de expirar), pode ajudar. Na verdade, sempre que vc consegue controlar seu ritmo respiratório sua vida melhora :-D Vc cansa menos, consegue prestar mais atenção à postura e às passadas e sua mente tende a se acalmar.

E vc, como respira durante a corrida? Tem algum truque ou dica? Posta aí!



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Qual é a do meião?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 08/05/09 às 15:53 na(s) categoria(s) dicas
Vcs andam reparando na quantidade de meiões desfilando no podium? Sim, porque se vc acha que para correr basta um tênis e pronto, está vivendo na ilusão. Não vou nem entrar na discussão do tênis IDEAL nesse post, nem do relógio CERTO, o top mais ADEQUADO, o shorts mais CONFORTÁVEL, o óculos mais EFICIENTE e por aí vai. Corrida tem um componente fashion sim, só que tem que vir acompanhado de eficiência e aumento na performance. Por exemplo, a russa naturalizada alemã Irina Mikitenko, que venceu a Maratona de Londres, usava um par. A inglesa Paula Radcliffe não abre mão do seu.

Mas afinal, qual é a do meião? Perguntando para os meus oráculos (alô Vivi? alô Google?), descobri que trata-se de uma meia elástica de compressão. Igualzinha àquela daquele comercial brega que falava de varizes e inchaços e recomendava uma meia com "suave compressão".

O pulo do gato dessa meia de colegial japonesa é que ela promete melhorar e estimular a circulação sanguínea nas pernas e, teoricamente, ajuda a drenar o ácido lático. Por via das dúvidas, o povo está usando - e aprovando. Se realmente ajuda? Há controvérsias, já li médicos dizendo que não há comprovações de que correr de meião ajuda na performance e outros dizendo que sim. Onde tem? Dá apra comprar online na Oxysox.

De qualquer forma, se eu, uma super corredora, quase uma queniana (é PIADA gente, meu tempo é normalmente o dobro do pelotão de elite) fosse usar meião, saria esse modelo aqui ó:

E, para ficar realmente por dentro do modelito Sou Corredora de Elite ainda precisaria colar aquele negócio no nariz para respirar melhor, usar manguito e um tênis lindo de cor berrante feito para durar só aquela competição. Ia ficar o máximo.


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